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Frase de Samira Benassi

⁠DESASSOSSEGO Eu ainda me abrigo em você Nos abraços e amassos Beijos e entrelaços Ainda me vejo Nos planos de descasos Futuros embaçados Sonho no mesmo tom que uma criança sonha em véspera de natal Te espero da mesma forma que um cachorro obedece um dono Aguardo paciente nosso dia como que um pedestre no sinal vermelho Será que o sinal um dia fica verde? Será que é hora de dar meia volta e tentar outra avenida? Outra rua Outra viela Outra calçada Outros carros Mas onde tem carro tem acidente E nunca deles saio ilesa É sempre um arranhão aqui Um amassado ali Você se tornou minha esquina movimentada Que me recuso a retornar num novo caminho Meu cinto de segurança Que me protege de uma batida Meu pneu estourado Sem estepe no porta malas Me perdi na teimosia de jurar amor aos quatro ventos A ponto de esperar carona com destino a você Na esperança de quem pilota seja o passado que eu ainda pertenço Mudar o trajeto, eu sei Pedir um táxi não é difícil Desviar dos buracos é tarefa fácil Mas é que num desassossego Eu ainda me abrigo eu você

Samira Benassi

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠ÍNTEGRA DE COISA ALGUMA Sou tão resultado de tudo Que no fundo não vim de nada
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⁠ÍNTEGRA DE COISA ALGUMA Sou tão resultado de tudo Que no fundo não vim de nada Viajei por tanto e quanto Mas parece que não saí do lugar Caminhei por copiosas ideias E não avancei um único passo Surfei por histórias Sem sequer molhar os cabelos Lutei como heroína E nem monstro tinha para derrotar Comi Enchi Corri Pulei Chorei Caí Levantei E de nada foi Pois agora nada estou, sou ou fui Memória fraca me fez vazia Mente farta me faz falha Mundo disforme me fez apática Eu vim de tudo E não restei de nada

⁠ADUBO DE JARDIM Um broto apenas irá germinar E se fortificar
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⁠ADUBO DE JARDIM Um broto apenas irá germinar E se fortificar Se tiver o privilegiado atributo da importância Intuitivamente, Na esperança de preservar o desejável Designar esforços a sementes intrusas, Dão espaço a raízes Que se ramificam Sugam o fértil de teu solo Roubam alimentos das flores E transformam lindos jardins Em matas estarrecidas no inexpressivo Os doces frutos Das árvores, antes robustas Agora são pontos podres Infestados ao chão Pior do que qualquer incêndio florestal, São as lentas mortes Do sufocado desvio de inteligência. Quantas ervas daninhas te consumiram hoje?

⁠DEFEITO DE FÁBRICA Uma peça quebrada é facilmente rejeitada pelo natural processo de seleção. Nada poderá ser feito com algo não é capaz de cumprir sua devida função.
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⁠DEFEITO DE FÁBRICA Uma peça quebrada é facilmente rejeitada pelo natural processo de seleção. Nada poderá ser feito com algo não é capaz de cumprir sua devida função. Porém, há peças quebradas que se disfarçam, se misturam aos montes, e juram ser diferente das outras. São as mais perigosas. O fraco remendo que foi feito em seu defeito de fábrica é porta aberta a desilusão. Se cobrem com um brilho chamativo, na tentativa de serem confundida com as melhores peças do mercado. E no olhar desatento, uma peça quebrada forçadamente se encaixa com uma que está inocentemente em seu bom estado. O que não esperam, é que feridas mal cobertas são facilmente transmitidas a peças de boa-fé. Vivem na mentira e anonimato que a peça quebrada contou a todos, inclusive, (e especialmente) ao espelho. E aquela, que desde o começo, permanecia em seu lugar, é contagiada injustamente pelo acoberto desespero de outrem. Duas peças agora são descartadas. É assim que uma epidemia de corações partidos começa.