Carapitanga...
Eu vejo o meu reflexo em teu espelho
de água qual se diz ser cristalina
que corre em certa pressa, certa sina
e aprendo uma lição, um bom conselho.
Apresso-me e de ti eu me assemelho,
pois tua pressa é justa e me ensina
que quem tem compromisso não declina;
completa sua missão, não dobra artelho...
Em teu percurso vês os ribeirinhos
que lavam corpo e alma nas correntes
geladas que refrescam tensas mentes...
Que pena te agredirem os mesquinhos
com seus esgotos, restos, desalinhos...
Cruéis algozes, vis inconsequentes...
Gaia...
E tu Terra ferida e maltratada
por que perdoas cada malefício?
Por que perdoas tanto desperdício
se merecemos menos do que nada?
É duro ver-te assim tão devastada
por causa desse mal que, grande vício,
fazemos dia a dia e um precipício
atrai-nos, raça burra alienada...
Tu não és mera obra do acaso
e nós sabemos disso mãe bondosa!
Nós somos vis espinhos e tu, rosa!
Quem te destrói tem, sim, um pensar raso,
mas vai colher os males, triste ocaso...
Lei da Semeadura é poderosa!
Rósea insígnia...
Que rosa linda a rosa em meio à bela!
A rosa que fibrila é lisa, é rosa
e goza de cuidado; é carinhosa
e se lambuza e acusa: a musa é ela...
Tem pétala macia; é guia e sela
a lança que, esguia, agita oleosa
e forma a una forma entre a formosa
e a certa seta – oh! - uma à outra anela...
Que rosa prosa é essa? E que perfume!
Assume a suma essência e associa
a via que pra vida é luzidia...
Por ela a tenra vida vem a lume
e saca de si sumo, o mel, e assume
ser ela a rosa por quem lança ansia...
Peraltas...
Deslizo em lisa derme morna
E adorna o eu que pulsa
Trêmulo, hirto, ávido...
Há de não ser fátuo!
Sinto, sorvo o olor no ar
Sem par ou acre e úmido...
Desligo o tempo inútil
E o riso sem siso ecoa!
É brado e traga a glande,
A grande seta a ir
Ao fundo, ao raso...
Acaso afunda em seiva própria
E escolhe, ainda, ser espada
Em onda já que o tempo
É nada...
E vai e volta...
A flor não solta...
Eis quer danada,
Ainda,
Degustar-me e dou-me,
Dou-me, e dou-me e fogem-me
Meninos...
Sinos tocam, chocam-se
Frenéticos
Orbes,
Rijos,
Risos...
O beijo...
Não quero tão somente o desencanto
de um beijo, simples ósculo vazio
do frenesi que vem com arrepio.
Eu quero é tudo isso e outro tanto!
Não quero apenas lábio puro e santo!
É lindo e tudo o mais, mas eu me rio,
pois beijo tem que ser um desvario
que treme a alma e eleva qual encanto...
Não é trocar fluído, tão somente!
É acender a chama inapagável
e sentir mais que o mero imaginável!
O beijo para mim é a semente
que brota e cresce, faz que, de repente,
as almas sintam ser o céu palpável!
Ódio à Maria...
Hoje Maria acordou – pensou ela –
sem ver a vida, que gasta, sentiu
que é possível já não haver tempo
para Maria entender não ser nada.
Hoje Maria cumpriu sua pena,
sua desgraça: existência sem nexo.
Algo complexo que faz da Maria
ser burilada na mente... Que enfado!
Sempre dormindo se encontra, a Maria;
come do pão amassado e servido
pelos canais que lhe dizem: não pense!
Ela, Maria, agradece e se farta!
Nada incomum, pois Maria é você
que despe o cérebro e vai com as outras.
Dossiê...
Outro luzir dissonante em trevas d’alma
deu de tecer ser plangente, assaz descrente,
nesse lampejo indolor que cresce e envolve
a tempestade encoberta em sonho e dor,
sob a esperança encontrada na semente;
sob a dureza encerrada em corações
de outros sepulcros caiados, adornados
pela aspereza do caos que é iminente;
pela grandeza do nada a se espalhar
lá no horizonte perdido e inconsequente...
Outra manhã de descanso já cansada
pelo pecado inserido em mente insana,
onde o entregar-se a delírios desconcerta
e me permite checar o eu que eu tenho
para encontrar novamente a origem: pó.
Outro poema insosso, gris, inválido.
Outra lembrança encravada em mero alívio
que proporciona o infinito e despe o mal.
Outro olhar para as ondas e entender
que não há pranto que molhe e irrigue a terra
onde pisou a Poesia... Eis! Essa é santa,
mas tem as flores estranhas, inodoras,
cujas opacas, disformes, feias pétalas
mostram que o tom já nem é o tom sublime
que despertou ser humano em outro Sábado
em alvorada de luz que era bem vinda.
Outro monóstico algures tinto e findo...
Yorokobi
Também sinto esse amor de forma pura
em meu anseio augusto de saber
que uma trégua em seu lindo viver
dilua o mal e toda a lida dura...
Por mim lhe chamaria de ternura;
aquela que à mente induz prazer;
que faz o céu à Terra, enfim, descer;
confunde o Paraíso, é formosura!
Pudesse eu mudar o seu caminho
faria nova estrada com carícia
deixando a sua vida mais propícia...
Não dá pra definir nesse versinho
quão grande, por você, é meu carinho
e a vejo qual a fonte de delícia...
Manu ou Mané?
Manu, Mané não vale o seu sorriso.
Esse Mané, Manu recebe “arrego”
Pra, do Brasil, poder tirar sossego.
É só um sem vergonha vil, sem siso...
Manu esse Mané eu já diviso
colhendo os frutos podres de um pelego1
que baba os bagos, botas e até o rego
dos norte americanos... É impreciso...
Manu, menina Deus sempre lhe guarde
da fúria de imbecis filhos da mídia
que enche a mente deles de desídia...
Manu não ligue para esse alarde!
Veremos a justiça cedo ou tarde
humana ou divina. Linda, aguarde!
O beijo...
Não quero tão somente o desencanto
de um beijo, simples ósculo vazio
do frenesi que vem com arrepio.
Eu quero é tudo isso e outro tanto!
Não quero apenas lábio puro e santo!
É lindo e tudo o mais, mas eu me rio,
pois beijo tem que ser um desvario
que treme a alma e eleva qual encanto...
Não é trocar fluído, tão somente!
É acender a chama inapagável
e sentir mais que o mero imaginável!
O beijo para mim é a semente
que brota e cresce, faz que, de repente,
as almas sintam ser o céu palpável!
Ambidestro...
Não mais a quero e tudo se acabou
Jamais eu poderia lhe dizer
Que sinto, ainda, a falta do seu ser
Até quem não devia, enfim, notou
Que algo externo e vil nos separou
Não sei como não pude antes ver
amar dói tanto! É quase qual morrer...
Só sabe disso quem um dia amou:
Fazer valer a pena é, sim, difícil
Não percamos mais tempo com a dor
Bobeira é adiar; não é favor
E a cura nos lavou de todo indício
Jogamo-nos em fundo precipício
Oh! Pode faltar tudo, não o amor...
郷愁
Kyōshū
Saudade não é má: “é a presença
de quem, do que, daquilo que parece
estar distante mas, sim, acontece
de estar dentro de nós”, é minha crença...
Saudade pode ser a recompensa
de quem viveu um sonho que apetece
e o mal da solidão desaparece
em cada vez que nesse sonho pensa.
Oh! Ōjo, qual o sonho que lhe move?
Aquele amor que não viveu um dia
ou o gerar a vida luzidia?
Sentir você aqui até comove
e de qualquer tristeza me demove...
Eu não vivi, mas vi cor da alegria!
Curiosamente as Epidemias só iniciam em meio a populações de grandes densidades demográficas e pobres. Boas para testar novos vírus, cujas curas já existem e estão guardadas esperando que a Humanidade implore por elas por um preço escandalosamente conveniente para os laboratórios que desenvolveram ou liberaram os vírus.
Ideal Evangélico é ter um Governo que "defenda" sua "fé" e, não à toa, bate recordes de Desigualdade Social ou desamor ao próximo.
A gente já vê que tem algo errado quando um grupo diz ter certa fé que precisa ser defendida, sem que ele mesmo a viva e se ocupe, apenas, em destruir a fé alheia...
Desgraçado!!!
Mentir é fácil, nada pra explicar
provar, mostrar o fato, dá-lo fé
a fim de não passar por tosco e até,
às gentes, como vil se revelar...
Pro traste mentiroso é bom “mudar”,
fazer o mundo dar a marcha à ré
por meio dos enganos, do tripé:
matar, sim, destruir e, assaz, roubar!
A regra do bandido é convencer
de que você não tem qualquer direito
e, assim, ter de si mesmo mau conceito!
Falou tanto em família sem a ter
por ter desfeito três suas? Quer ver
inferno na Nação de qualquer jeito...