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Frases de Rogaciano Leite

6 frases

DÉCIMAS PARA O AMOR Amar não é expandir-se Em termos de exaltação,
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DÉCIMAS PARA O AMOR Amar não é expandir-se Em termos de exaltação, Sete cores nas palavras, Coroando a louvação! Não é a ardente promessa Que quase sempre professa Do sentimento o valor! Não é nos lábios a jura Que com certeza assegura A eternidade do Amor! Não é o vínculo frágil Da intempestiva paixão, Que à maneira como surge Se desfaz no coração! Como o sopro da tormenta Que deixa marca violente, Para depressa partir! Que tem o sentido breve, Dura o tempo do interesse, Pois antes que aparecesse Já começa a ruir! Não! Não! O Amor verdadeiro A mais alto nos conduz, Por estradas de renúncias Alcatifadas de luz! É Árvore generosa Na gleba do coração! Na benção da Caridade, Só dá frutos da Bondade, Só dá flores do Perdão!

Quando falas porque vivo rindo Também falas por viver cantando Se a vida é bela e este mundo é lindo
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Quando falas porque vivo rindo Também falas por viver cantando Se a vida é bela e este mundo é lindo Não há razão para viver chorando. Cantar é sempre o que a fazer eu ando Sorrir é sempre meu prazer infindo Se canto e rio, é porque vivo amando Se amo e canto, é porque vivo rindo. Se o pranto morre quando nasce o canto Eu canto e rio pra matar o pranto E gosto muito de quem canta e ri Logo bem vês por estes dotes meus Que quando canto estou pensando em Deus E quando rio estou pensando em ti.

Se Voltares Como sândalo humilde que perfuma O ferro do machado que lhe corta,
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Se Voltares Como sândalo humilde que perfuma O ferro do machado que lhe corta, Eu hei de ter minha alma sempre morta Mas não me vingarei de coisa alguma. Se voltares um dia à minha porta, Tangida pela fome e pela bruma, Em vez da ingratidão, que desconforta, Terás um leito sobre um chão de pluma. E em troca dos desgostos que me deste, Mais carinho terás do que tiveste, E os meus beijos serão multiplicados. Para os que voltam pelo amor vencidos, A vingança maior dos ofendidos É saber abraçar os humilhados.

Dois grandes destinos Ontem, dois grandes destinos Dois sonhos divinos
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Dois grandes destinos Ontem, dois grandes destinos Dois sonhos divinos Dois alegres ideais Hoje, dois olhos tristonhos Duas mortalhas de sonhos Desilusões, nada mais Ontem nos nossos passeios Havia música e enleios Perfumes, flores e canção Hoje pela nossa estrada Resta uma sombra enlutada Folhas secas, solidão Ontem a lua furtiva Testemunha festiva Nós dois conversando a sós Hoje, triste e pezarosa Se escondeu, fugiu de nós Ontem nossas mãos unidas Apertavam nossas vidas Na febre do nosso amor Hoje distantes e vazias Apertam nas noites frias Um nome, um verso e uma flor Ontem, dois grandes destinos Dois sonhos divinos Dois alegres ideais Hoje, dois olhos tristonhos Duas mortalhas de sonhos Desilusões, nada mais

⁠Aos Críticos Senhores críticos, basta! Deixa-me passar sem pejo,
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⁠Aos Críticos Senhores críticos, basta! Deixa-me passar sem pejo, Que o trovador sertanejo Vai seu “pinho” dedilhar… Eu sou da terra onde as almas São todas de cantadores: — Sou do Pajeú das Flores — Tenho razão de cantar! Não sou um Manuel Bandeira, Drummond, nem Jorge de Lima; Não espereis obra-prima Deste matuto plebeu!... Eles cantam suas praias, Palácios de porcelana, Eu canto a roça, a cabana, Canto o sertão… que ele é meu! Pede, ó lira inexpressiva, (Antes que o tempo te empoeire) Piedade a Gilberto Freyre, Lins do Rêgo e Álvaro Lins! Carpeaux! Rachel! Milliet! Ó donos de suplementos! Tolerai, por uns momentos, Cem folhas de versos ruins! Bem sei que até vos afronta Esta minha pena rude Sem talento e sem virtude, Sem beleza de expressão, Que devia estar no mato Entre garranchos e espinhos Esquecida nos caminhos Que dormem brancos — no chão! Contudo, peço licença Ao majestoso recinto Para dizer o que sinto, Para expor o que escrevi… São retalhos diferentes, Bordados de várias cores, Linhas de risos e dores Do que eu gozei… e sofri! Rabisquei de pena solta, Ora inquieto, ora tranqüilo, Sem fazer questão de estilo, Sem polir, sem burilar Que preconceito de escolas!!! Arre, com tanta exigência!!! O que me veio à cadência Deixei correr, transbordar… Comecei cantando trovas Com repentistas nativos; Depois, por vários motivos, Vim pra Cidade — de vez; Troquei a calça riscada E o meu paletó de “roda” Pelo jaquetão da moda, Colarinho e pince-nez! Quando deixei as caatingas E cheguei cá na Cidade, Diante da Civilidade Quase morri de um “ataque” Comecei a ler Castro Alves, Guerra Junqueiro e Tobias, Catulo, Gonçalves Dias, Varela, Cruz e Bilac! E de todos esses mestres Tive uma influência forte: Deixei as várzeas do Norte, Quis subir como um Condor… Muito mais antes guardasse Meu estilo e minha escola Com o mesmo som da viola De quando fui cantador! Agora é tarde… impossível! O contágio da Cidade Mata a originalidade E impõe-nos mais o pecado De ficarmos no entremeio Deste e daquele reduto, Com o complexo de matuto Que quer ser civilizado! Resultado: não sei como Publico o meu “Carne e Alma”... Os modernistas, sem calma, Hão de dizer, mesmo assim: “ — Isso não se usa mais hoje! Isso é puro anacronismo, Péssimo condoreirismo, Pastiche muito ruim!...” “Esse pobre é um passadista, Um retardado atrevido Que devia ter nascido Quando Dom Pedro nasceu; Bem faria se estivesse Chorando sobre taperas, Declamando as “Primaveras” De Casimiro de Abreu!” Mas, que culpa eu tenho, amigos, De ter sido um “retardado” E não ter assimilado O que vossa escola diz? Cada qual faz o que pode… Pois se estes versos a esmo São tudo o que fiz eu mesmo, Vo-los dou conforme os fiz! Como caixeiro viajante De “drogas” do Pensamento, — Ora em cima dum jumento, Ora dentro dum avião — Eu tenho corrido terras Durante meses a fio, Desde o Amazonas ao Rio, Do Litoral ao Sertão! Eis a razão do ecletismo Deste conjunto de “plantas”! São tão diversas e tantas As que eu “enxertei” aqui, Que neste jardim selvagem O visitante se engana Entre a flor de jitirana E o botão de bogari!... Finalmente, este volume De tão fraca ressonância Tanto tem risos da infância Quanto guerra, fome e amor… Numa palavra, senhores, O livro que vos entrego É como saco de cego: — Tem feijão de toda cor!