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Frases de Rodolfo Mair Coelho

36 frases

Lealdade Sê, ó amigo, como a cama Que com a alta lealdade
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Lealdade Sê, ó amigo, como a cama Que com a alta lealdade Espera todos os dias sua ama Sê, ó caro, como o nobre cão Que mesmo maltratado Tira seus donos da solidão Age como o tronco caído Mesmo sabendo que morrerá É leal ao machado que o fará Mas não sê como o fraco Que chora quando sofre E não cumpre seu trato Ou o traidor imundo Das palavras em vão Do escárnio profundo Cultiva a tua lealdade E abre teu coração Para a alma da bondade.

O Vazio Fala pra mim, ó vazio O que é que tu tens
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O Vazio Fala pra mim, ó vazio O que é que tu tens Que faz de todos bens Um nada mais que vil A letra já é numero O papel já é manchado E a mancha já escura Faz do nada algo bordado Num ombro todo o ouro No outro a beleza No meio nenhum louro Só a nuvem de tristeza E na longa estrada que desce Guiado por ti, podre vulto O ser outrora culto Fecha os olhos e obedece.

O espelho Um labirinto misterioso e profundo Encara os olhos atentos do homem
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O espelho Um labirinto misterioso e profundo Encara os olhos atentos do homem Indagando sobre si e o mundo A poeira pisada do dia de ontem E os passos incertos do ser Abrem as portas para ele viver Viver em si, em sua própria imagem Olhando o espelho, e vendo seus olhos A face da alma, uma grande miragem A cortina se abriu, e veio a atuação Sorriu e chorou, colheu os espólios Mas quando se fechou, viu a enganação O homem se via um grande rei Mas o abismo do espelho o despiu E revelou o ser oco e vil.

Paciência Tenha paciência, meu amigo Cultive esse bem da alma
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Paciência Tenha paciência, meu amigo Cultive esse bem da alma Mantenha sempre a calma E estará em paz consigo Receba o ar da montanha E ouça a sua música Ouça a estranha melodia Os tambores da África Pinte a sua noite de branco E se cubra com o manto Que cobre as estrelas E descobre donzelas Não libere o monstro em você Navegue com o tempo Faça-se sempre viver Voe com o vento Sua alma é como uma grade Que prende duas aves A cinza da noite e a azul da tarde É apenas sua a chave Se a ave cinza voar Sua música vai se calar Mas se a azul o fizer Você terá o que quiser Então, alimente o seu bem Viva para ir além Espante a ira e a tristeza E faça do seu mundo só beleza.

A janela O belo símbolo da esperança A que traz a luz e o vento
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A janela O belo símbolo da esperança A que traz a luz e o vento E o doce riso da criança O velho que olha de dentro A moça que fica debruçada Olhando as vidas da calçada O pássaro nela se senta E a beleza dali aumenta Com seu mais puro canto Olha para fora da janela E faz dela a tua porta Para um mundo de encanto Curarás qualquer mazela Ou árvore que cresça torta Tu verás um outro lado Poderás lançar o dado Com a tua sorte a testar E com o pássaro a cantar.

O Herói Os tambores da luta gritaram E os sinos da terra tocaram
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O Herói Os tambores da luta gritaram E os sinos da terra tocaram Dos deuses a grande fúria Veio o fim da eterna injúria O menino da nuvem nasceu Com a adaga divina em mãos E quando a sombra cresceu Lutou ao lado de irmãos As árvores da vida choravam E os rios da morte cantavam O lobo noturno era atroz E a flecha de fogo veloz O homem do menino veio E a adaga à espada luziu O mal que era inteiro Tornou-se um fraco vazio As lanças e escudos se ergueram A esperança num belo clarão Os ossos das trevas tremeram Perante o poderoso guardião Por anos lutou pelos campos Montanhas do medo livrou Por mares e rios navegou Quebrou os mais altos encantos Dos reinos tomou a coroa Dos homens virou o senhor Da era tornou-se a proa Das sombras tornou-se o terror Mas o tempo sua glória abalou Na vasta planície de ouro Sua última batalha lutou E sucumbiu a coroa de louro Seus feitos e honra viveram E o herói foi sempre louvado Como o rei do trono dourado Cujos anos nunca morreram.

O tempo O broto puro da terra sai Enquanto a folha madura
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O tempo O broto puro da terra sai Enquanto a folha madura De velha e triste se vai No louvor de sua altura O tronco se entrega à escuridão Deixando felicidade alguma O lento e súbito clarão Dos anos que a terra consome Do belo à sua podridão A implacável fúria invisível Ainda viva enquanto dorme Faz o silêncio audível O furacão que o céu tocava Vai do branco ao torto cinza A uma brisa fria que se acaba E o destino que se realiza Ergue a tumba de sua era Velando a dor que avisa A doce morte e sua adaga Ao que um dia do sol vivera Fadado agora à eterna amargura.

A amizade A verdadeira amizade Duas almas sem maldade
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A amizade A verdadeira amizade Duas almas sem maldade Um prisma de todas as cores Em que não há a cor das dores Uma companhia para a vida Sorriso nos bons momentos E um ombro de olhos atentos Na tristeza e na alegria De que vale grande riqueza Ou até a mais alta beleza Se caminhas na tua solidão Sem amigo para ter como irmão Lembra então, meu caro ser Que quando tua vida ceder Teus amigos contigo estarão Caminhando juntos à imensidão.

O céu A noite solar, o dia lunar Água de prata ao mar
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O céu A noite solar, o dia lunar Água de prata ao mar O vento que voa frio O raio que nuvem partiu O crepúsculo aos olhos Resplandece as rochas negras E os que desciam mórbidos Ascendem às doces sedas A suprema obra majestosa Que tudo alcança, tudo vê E a ti, nu, faz à mercê De uma vasta nuvem gloriosa As harpas da deusa estrelada Cantam às flores azuis E a bela deusa dourada Fulgura em seu leito de luz.

Carta de amor A coruja traz o belo recado Versado dos sentimentos cuja
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Carta de amor A coruja traz o belo recado Versado dos sentimentos cuja Alma escreve com plena calma Uma carta de sua união Senão a mais farta Emociona muito e menciona Quanto é grande o amor Fervor de riso e de pranto A razão de sua salvação Diz que por toda a vida Querida, serás muito feliz No ardor eterno do amor.

Crepúsculo do Mundo Onde está a espada? Onde está a coragem?
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Crepúsculo do Mundo Onde está a espada? Onde está a coragem? A princesa encantada O salvador de passagem O tempo já levou Ou a verdade se encarregou? Sendo a areia ou a visão Findaram a bela criação Onde está a doce arte? As linhas fortes da alma Ou o som do sol da tarde Sofreram dor ou trauma? A sinfonia alta e regente Fugiu do encontro com a aurora A flauta que erguia a serpente Fez dela uma sombra de outrora Onde está o sábio Aquele da mente hábil? Outra vítima do humano Que fez da coruja um pelicano O mestre dos quatro elementos Já fraco, menor e antigo Fez do vácuo profundo um amigo E sumiu como um grão aos ventos Onde está o rei guerreiro? O senhor da honra e da glória Sucumbiu no ouro da vitória E o nada virou seu inteiro A torre dos homens caiu E a árvore da vida secou O leão das sombras rugiu Quando a cova do mundo fechou.