E com a palavra, Colombina...
Ah meu singelo Pierrot querido
O que trazes atrás de tuas costas?
Por que seu delicado rosto está ferido?
Você ainda quer do mundo as respostas...
Ahh Pierrot como tenho sede de te beijar
Tocar os teus doces lábios de carmim...
E acreditar que isso jamais terá um fim
Contigo eu vejo minha sanidade evaporar
Polua a minha mente enquanto goza a felicidade
de fazê-la sonhar com um futuro incerto
Transforme a minha inocente mocidade
e me deixe cada vez mais perto
Acho que amo mais a ti do que a mim...
Mas você Pierrot... não é Arlequim
Meu amor, meu amor... não pode ser seu
Não chores, não chores... doce Pierrot meu...
Tentativa de uma autobiografia
De nada me vale o que conquistei até agora
Ainda não me é suficiente, ainda é pouco
Me perguntam... por quê ainda chora?
Acho que ainda não sou bastante louco...
Descontente com o que tenho e com o que sou
Tudo me parece belo, e ao mesmo tempo tão distante
E carrego uma ingratidão que com ajuda se criou
Não interessa as vogais, muito menos ser uma consoante
Procuro tentar mudar cada dia mais...
Sendo mais audaz e um ser ainda mais lascivo
Meu maior pecado senhor é a luxúria audaz...
que faz com que cada uma seja um aperitivo
Tento ao máximo não falhar como ser humano
Tenho vis pensamentos que perduram por horas...
Mas não passo de um louco rapaz caucasiano
que espera que as coisas mudem para um mar de rosas
O Laço Que Se Rompeu
E assim ele se rompeu,
não esperava por este golpe
ainda mais, em seu apogeu.
É, percebo que sou xarope.
Não pensei que chegaria a isso,
acho que sempre fui submisso.
Não imaginei que doeria tanto.
deveria saber, nunca fui santo.
Esse laço, que um dia, foi de amizade,
não mais possui vida para mim.
E com essa dor veio a criatividade
fonte de uma inspiração sem fim.
Talvez seja este o motivo de meu hiato,
motivo da minha aposentadoria lírica.
Hoje a tristeza, me bateu como uma larica
E percebi, só agora, que estava feliz, grato...
Foi bom
Foi bom os dias que conversamos
o dia que resolvemos nos gostar,
as eternas horas que nos amamos
Mas eu receio que eu não vá ficar
Foi bom ter te conhecido seu íntimo
mesmo você relutando a respeito
Sabendo que eu canto e rimo...
eu te conquistei com o meu jeito
Foi bom ouvir a maciez de sua voz
senti-la tomando conta de minha cabeça
Sem calma com prazer e demasiada pressa
Eu já não me sentia, eu sentia apenas... nós
Foi bom ter lhe feito companhia
Eu serei responsável pelo meu esquecimento
Não me farei presente por causa da correria.
Mas lembre-se sempre por ti, eu tenho sentimento
Ao Meu Eu-lírico
Ahhh como você se mostra forte
Almejo um dia ser como você...
Chegará esse dia antes de eu morrer?
Talvez até lá eu perca a fé e a sorte
A música não lhe deixa fraco ou covarde
Ela não o despedaça vagarasomente...
e nem faz ideia do que você sente
Estou descobrindo isso um pouco tarde?
Como você consegue fazer tal proeza?
Por que você é apenas um ser poético?
Você com muito gosto me ensina a frieza
e a felicidade da arte de ser cético
Seria possível eu ter inveja?
Inveja do meu próprio eu-lírico?
Por que assim... tão satírico...
Não mereço nem ao menos uma cerveja?
A minha morte anunciada
Viajo muito atônico por uma linha
Sem qualquer razão ou intenção
Perdi o que mais almejava, vida minha...
Perdi a chance de lhe ver morta no chão
Suspiros demasiados são a tua melodia
que embalam o meu longo e sinuoso funeral
enquanto eles choravam ela me acudia
O que você acha meu amor... não é celestial?
Arranjos, sinfonias, orquestras e risadas
tudo embala minha fria e gélida alma
Vocês nunca me pareceram abaladas....
Sempre me transmitiram uma falsa calma
A palavra que procuro é inconveniente...
Nada além de um mero copo descartável
Que de tão exótico lhe pareceu atraente
Mas o meu orgulho não me tornou maleável
Fiquei cada vez mais sem minha perseverança
Mas aprendi a confiar mais em mim
Por que nos outros perdi a confiança
Então Chaplin, será melhor assim?
Solidão, bom dia
Bom dia, minha querida esposa
Como estás nessa madrugada?
Você ainda está acordada?
Vim lhe trazer essa sangrenta rosa
Queria dizer que não senti a sua falta
Mas me acostumei com o seu silêncio
me derretendo por dentro como um incêndio
que destrói toda minha intenção peralta
Solidão, minha velha companheira velha
Por tantos anos estamos juntos nessa vida
Suas tristes palavras ficam em minha janela
E eu não sei que o fazer logo em seguida
Você nunca foi um de meus desejos
você jamais foi querida ao meu lado
Mas você insistiu como um de meus bocejos...
Conseguiu sem querer ser o meu fado
Hoje te sinto mais próxima do que antes
Mais próxima apesar da multidão que me rodeia
recheada de seres vivos, alegres e errantes
Já não vejo saída depois que entendi a sua teia...
O Fado e a Promessa
Te conheci na hora e no momento errado
Mas é mais forte do que eu mon amour...
Ahh como eu gostaria de deixar isso de lado
porém é mais incandescente que a luz deste abajur
Esqueci de me perguntar o por quê disso tudo
Me distraí com sua íris e o seu falar sisudo
me deixei levar pelo seu jeito harmônico
não consegui definir a sua cor, pobre daltônico
A sua cor me furtou toda a minha gélida ferida
Você foi a mais complicada e inocente vítima
e de todas as lembranças que eu trago na vida
você é uma das mais doces e a mais legítima
Eu não mereço tamanho amor vindo de você
sinto que deveria ter nascido seu irmão
por isso... o possível e o impossível vou fazer
para que não machuques este teu singelo coração
Soneto da Ilusão Quebrada
Quem sabe, talvez, eu me aprimore
Talvez eu devesse ler um pouco mais...
Aprender mais sobre esse folclore,
Um pouco mais sobre meus ancestrais
Talvez estes poemas amadores que faço
não tenham o que é realmente preciso
para fortelecer este estranho laço...
São rimas que faço de improviso...
Rimas, estas, pobres e sem sonoridade
Sem nenhum tipo de ambição profissional
Que apenas expressam a minha vontade
Vontade que a cada dia parece ser mais banal
parece ser mais carnal, com mais sexualidade
com textura, e com sabor de que está no final
Uma possível carta
Não tive inspiração ultimamente
Isso me preocupa em certas partes
Você não sente o mesmo que eu, sente?
De um jeito que preocupa até Descartes
Ah... que vãs filosofias eu tenho feito
Isso não me serviu de maneira alguma
Não devo ter me expressado direito
Aposto que levou a sério como uma pluma
E ainda no inicío da terceira estrofe
eu ainda não sei do que eu estou falando
Não sei por que ainda ando cantando
ou por que escrevo sobre essa catástrofe
Cara poetisa que tenta entender o meu eu
agradeço imensamente pela explicação
apesar de não ter alcançado a compreensão
mas sinto que minha inspiração se perdeu
________________________
Não quero que este tenha título....
Não quero nem ao menos pensar sobre
e aqui está mais um dantesco capítulo
Por mais que tente, meu coração não é nobre
Não vou começar a fazer ceninha dizendo
que não quero mais viver neste mundo...
Que sem ela tudo dói... que não há remendo
que me faça desistir da ideia que sou moribundo
Mas não vou negar que isso me dói...
isto chega a me arder até os zói
O meu corpo arrepia só pensando no seu adeus
me corroendo, destruindo os planos meus...
Acho que talvez Damien não sofra tanto
como eu pensei, ele pelo menos viveu o sentimento
Por agora, a solidão é meu contentamento
minha segunda pele, meu fado, meu encanto
Devaneios de uma terça-feira
Me levantei ao ser tocado por Afrodite
Mas ao abrir os olhos, me vi sozinho
Tal beijo deve ter sido um convite
Para junto dela, percorrer este caminho
Este meu coração se encontra cansado
Peleja em pulsar, sem ritmo ou gingado
Calejado está, pois é versado em sofrer...
Mesmo com tudo isso, ele cabe você
Continuo a caminhar calado, de lado...
enquanto meus versos esgoelam solidão.
Malgrado todo esse quinhão descampado
Este, anseia pela sua futura ocupação...
Vejo um garoto ao me olhar no espelho.
Sou novo demais para tanto desalento
Sou novo demais para tanto sofrimento
Nunca é tarde para ouvir um conselho...
A Primeira impressão
O que teus olhos fizeram comigo?
Doces, castanhos, profundos e místicos
Quando me encontram, é um perigo
Era selvagem, hoje sou doméstico
O que teu sorriso fez comigo?
Liquefez meu duro coração em segundos
Sem saber como eu ainda prossigo
Como esse meu jeito tão vagabundo...
O que teus desenhos fizeram comigo?
Nunca vi tamanha pujança dentro de mim
Meu desejo sobre sua pele é antigo...
Em seu ombro sinto o perfume de jasmim
"A primeira impressão é a que fica,
Pra quem tem preguiça de olhar mais uma vez"
Você quem me deu esta dica...
E mais uma vez, me tirou a lucidez.
Sonhando acordado
Tá certo, tá certo, mãos à obra
Me inspirar naquilo que não existe
Será fácil... Criatividade aqui sobra
Mas este final talvez seja triste...
Ela possui cabelos lisos e bem negros
Uma pele macia, alva e perfumada
Ironias e sarcasmos sempre integros
Cigarro em seus dedos e a fumaça alada
Na mesa uma taça de vinho suave tinto,
Celulares, sua bolsa e minha carteira
Seu batom vermelho parece um labirinto
Que me deixa cada vez mais de bobeira
O teu perfume cheira como uma rosa branca
tua voz aveludada faz meu ouvido derreter
Não sei mais o que fazer perto de você...
Lhe dou um beijo suave que lhe passe confiança
Depois do beijo, não sinto que exista nada
além de nós naquele prazeroso momento
Não nos desgrudamos apesar da chuva e do vento
Dançamos pela noite chuvosa, eu e minha amada
Influência
De Manoel Bandeira
Para minha pessoa,
um monte de baboseira,
uma poesia que escoa
Tanta dor e amargura,
que me vi forçado
a mudar minha compostura
e dizer, obrigado
Por achar mais um
que venha a sentir
o mesmo que eu num
dia em que parecia decidir
O que era propenso
à minha perspectiva
algo tão diferente e intenso
que se tornou afirmativa
Um sentimento irônico
que chegou a evitar
que um instrumento sinfônico
deixasse de amar
Do meu eu-lírico
para Manoel Bandeira
usando um tom satírico
eu agradeço à barulheira
Vida nova...
E mais um ano que chega
mais um ano que se vai...
Esse ano ele sossega,
apesar de não ter pai
Sim, ele vai se acalmar,
encontrou o que não queria
despediu-se da melancolia.
Ele encontrou a quem amar
Ela sabe, mas não agora
Sobre tuas mechas irá delinear
a incandescência da doce aurora
irá mostra-la o sabor de amar
Oh, minha doce amada,
teus cachos dourados
iluminam a minha caminhada
e tua boca me deixa apaixonado
Personalide
Esta, porém, é a minha,
ignorante, inocente,
sem padrão e sem linha,
tão enferma e adjacente
Foi uma epifania,
eu tenho que confessar.
Talvez fosse uma mania
ou apenas o meu falar
Esperei demais de ti
acho que foi esse meu erro
te procurei daqui e dali
E sem querer fui ao meu enterro
Esse deve ser meu jeito,
efusivo e maltrapilho,
tão cheio de defeito.
Eu fui seu empecilho
Pra mim foi uma dádiva.
Agora, em uma sala
eu estou na tentativa
de tentar mudá-la
Você, tu e sua pessoa
Eles não sabem sobre mim
muito menos sobre nós dois.
Não sabem que você disse sim
para meu pedido logo depois
Disso eles não precisam saber
Não me interessa o que pensam
Só quero admirar você florecer,
esquecer de tudo enquanto eles falam
E essa seria uma bela fantasia
E isso muito me equivoca...
Pois o que mais me ludibria
é a tua inocente e ardente boca
Atiçando todos os meus sentidos,
meus desejos, sonhos e vontades
os quais a muito estavam perdidos
antes de encontrar uma das felicidades
Eli Zes Agá
Tua pedra bela, lápis-lazúlis
Teu planeta regente, Urano
Deus sabe como eu te quis
E me permitiu cair neste engano
Engoli o orgulho que havia em mim
e procurei a minha angústia dar fim.
Me atrevo a olhar para ti e dizer:
Como vai você?
Pensei na mais fria das indiferenças
Todavia, fui recebido serenamente
E me fora informado o coeficiente
E tal resposta deu fim às minhas doenças
Será que me apaixonei mesmo?
Ou é um sentimento que vem a esmo?
Por quê? Por quê? e mais por quê?
Por que, logo por você?
Não quero questionar mais o meu eu
Talvez tenha percebido que ele é teu
Cri que Deus tinha se lembrado de mim
mas foi para me lembrar que tudo tem fim
E assim como chegou, você partiu...
veio rápido, me enfeitiçou e desapareceu
Mas isso não significa que tal paixão ruiu
Nem que este amor tenha chegado em seu apogeu
Você está longe, mas não intangível
Prometo aqui, insistir neste desatino
Perdão por descer neste nível
Talvez, seja o nosso destino.
Ela
Sim, eu me apaixonei por ela...
Mas quem resistiria a essa donzela?
Como um pincel desliza na aquarela
o meu pensamento assim para nela.
O amor veio e a razão pulou pela janela.
Doce, bela, e de saia amarela,
decidida, e sabia para quem dava trela.
E pensar que ela veio de uma costela...
E depois de avista-la, tive sequelas.
Não haviam mais Cinderelas...
nem Marcelas, ou Gabrielas.
Era somente ela e as estrelas.
A Primavera é tão solitária longe dela
Que a saudade me corrói sem cautela
Alheio, fiquei a mercê de sua tutela...
Mas não me importo, pois eu amo ela.
Ausência equivocada
Eu já não sei o que fazer,
Para onde foi o meu prazer?
A minha vontade, minha inspiração
Todos foram, me restando a razão
Razão pela qual insisto
no que não é previsto...
No que aparenta ser voraz
me tornando cada vez mais audaz
Fazendo crer que é possível
acreditar no amanhã...
O amanhã será inesquecível
como o gosto de uma maçã
De uma maçã mordida
pelos teus alvos dentes
É o que me faz ter vida
Apesar deles estarem ausentes
Questionamento
Você vale mesmo a pena?
Do que se trata esta cena?
Não pedi nada em troca
Apenas, não queria fofoca...
Acho que não sinto mais
agora não me parece belo o cais
que um dia eu sonhei te beijar
sonhei que te teria por todo mar
O que um poeta faz na verdade?
Ele mente, para ter uma vaidade
Ele não se importa com o restante
apenas com o que é incessante
A incessante dor da traição
Da verdade e da cega ilusão
Que o faz a tudo questionar
O porquê de se querer amar
Por que ela?
Caminho por essa terna estrada
que mais e mais, me faz te querer
desejando polegada à polegada
cada pedacinho do teu ser
Este ser que me faz ser poeta.
Que faz a noite virar dia,
que faz a vida virar poesia.
Este ser que me deixa careta
O que é que você tem de mais?
Sinceramente não consigo entender,
como é que você pode me prender,
sem fazer quaisquer sinais
Meu desejo por tua boca aumenta ,
a cada vez que sol se faz poente
você ao meu lado, seria suficiente
com uma doce pitada de pimenta
Algo a mais
Eu to querendo algo a mais
Algo que transcorra o tempo
que seja sutil como o vento
Eu quero uma medida de paz
Quero retornar a viver
A viver totalmente alienado
mas não como um condenado
mas sim por puro prazer
Faço o melhor nessa situação
Antes que eu enlouqueça
Antes que eu me esqueça
Ou que digam que meu amor é em vão
Quando minha hora chegar,
esqueça o que eu fiz de errado
Apenas pense por este lado
Eu vou ser aquele que você vai amar