Pular para o conteúdo

Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Cristo Oculto - Não consigo sequer lembrar quantas vezes de esperança perdida,
Continuar lendo

⁠Cristo Oculto - Não consigo sequer lembrar quantas vezes de esperança perdida, só, queria morrer, morrer e matar a minha Alma vencida ... E aguardava ... o momento iria chegar! O fundo do poço, o fundo da Vida, aí, onde iria morar, casa sem tecto, esperança tolhida ... Mas eis quando percebia que estava seguro por algo que não via mas sentia ... Suspenso no ar por duas mãos (dois braços abertos, um coração) penduradas por dois pregos!

⁠Não interessa que o Homem se responsabilize pela sua Existência sem se debruçar sobre a sua Essência. E não interessa que se debruce sobre a sua Essência sem se responsabilizar pela sua Existência! Estamos e vivemos num mundo dual entre o Espírito e a Matéria, entre a Vida e a…
Continuar lendo

⁠Não interessa que o Homem se responsabilize pela sua Existência sem se debruçar sobre a sua Essência. E não interessa que se debruce sobre a sua Essência sem se responsabilizar pela sua Existência! Estamos e vivemos num mundo dual entre o Espírito e a Matéria, entre a Vida e a Morte, entre o Bem e o mal!

⁠Abnegação - Como podes tu, ó oportuno amor, querer viver arreigado no meu peito?! ...
Continuar lendo

⁠Abnegação - Como podes tu, ó oportuno amor, querer viver arreigado no meu peito?! ... Não me queiras, sou chama sem calor, casa sem família, solidão sem leito ... Vai p'ra longe! Foge do meu corpo! Procura taças que te inflamem, ó eterna formosura, não meu corpo que JAZ morto, que vive e acaricia a desventura ... Vai enquanto é tempo, ainda, procura um peito de címbalos doirados que te expanda e deixe de LOUROS coroado! Que eu sou vitima do Fado! E em mim, rodeado de insípidos tormentos, só há cardos, volupias, agonias e lamentos ...

⁠Triste Perecer - E amarrei um grito em mim solto de vontades adiadas
Continuar lendo

⁠Triste Perecer - E amarrei um grito em mim solto de vontades adiadas que esbatem na Vida por aí em bocas de Almas pouco amadas ... Então, despertei cedo pela manhã ... E o dia fez-se pranto, o pranto esperança vã e a esperança triste canto! E longas agonias foram dadas tantas horas diluidas tantas vidas mal amadas ... Já não basta adormecer! Adormecer já não me basta! Eu sou o Amanhecer ...

⁠A um Suicida - Vai-se a esperança de um vão contentamento quando a Alma tantos anos conservada,
Continuar lendo

⁠A um Suicida - Vai-se a esperança de um vão contentamento quando a Alma tantos anos conservada, numa hora heróica de coragem arrojada, acredita resolver o que a perturba num momento! E mata-se! Morre sujando as próprias mãos! Malograda solidão que não quer ver ... Um suicida não se mata porque sim ou porque não, mata-se, porque afinal, não quer morrer! Que doce desengano, estranha contradição, ter coragem de matar o próprio corpo só p'ra não viver a dor da ilusão! Afinal, matar-se, é cobardia face à Vida de gente tola que vive em solidão alimentando um pensamento suicida ...

⁠Do Esquecimento II - Tudo o que nasce tem que morrer mas na essência é eterno,
Continuar lendo

⁠Do Esquecimento II - Tudo o que nasce tem que morrer mas na essência é eterno, o que morre volta a nascer e o que renasce é doce e terno! Não há morte sem vida nem vida sem morrer não há morte perdida ou consciência sem sofrer! A vida é mais forte do que a morte mais forte que o esquecimento, o desespero e a solidão - é o mote! Ainda que morto não deixarei de ser pois sou mais forte que o não tempo que para sempre há-de viver!

⁠Avenida - Percorro passo a passo a avenida da solidão!
Continuar lendo

⁠Avenida - Percorro passo a passo a avenida da solidão! Estou só, tão só no meu cansaço, que deixo pelo chão, pedra a pedra, num abraço, o meu malogrado coração ... E porque me terá a morte tão esquecido?! ... Que esta Vida é triste sorte, e minha morte, é na vida estar vencido! Tão perdido! Tão perdido! Sem norte! Sem sentido! Na minha solidão, na minha loucura, pela avenida, passo a passo, deixo triste o coração ... Lastro de um pecado, de um erro sem perdão!

⁠Emoções - Porque são tão frias as esperanças porque é tão dura a incerteza
Continuar lendo

⁠Emoções - Porque são tão frias as esperanças porque é tão dura a incerteza que no quebrar das alianças se faz água mole em pedra densa?!... Densa é a solidão! Densa a vida sem Amor! É densa a Alma sem perdão, a Primavera sem calor ... É assim a nossa vida ora verdade ora mentira que por nós é decidida! E que dizer da ilusão?! Nada que não seja visceral: é ela quem dá vida ao coração! ...

⁠Cabelos Brancos - Minha vida foi difícil, dura, fria, dolorosa,
Continuar lendo

⁠Cabelos Brancos - Minha vida foi difícil, dura, fria, dolorosa, mas foi também subtil, eterna, gloriosa ... Encontrei a calha do caminho que Deus aqui traçou p'ra mim, encontrei nos Astros o meu ninho um caminho que não tem fim ... Só no Amor não encalhei com o caminho verdadeiro e foi aí que me espalhei! Os Astros e a Poesia levaram o quebranto e trouxeram liberdade, mas o Amor, deixou em mim Cabelos Brancos!

⁠Lentamente - Lentamente da tristeza se fez pranto seguro e calmo como a Alma
Continuar lendo

⁠Lentamente - Lentamente da tristeza se fez pranto seguro e calmo como a Alma e da Alma se fez canto porque a tristeza era calma! Mas lentamente a calma se perdeu, a desgraça trouxe o drama e ante os olhos meus, alguém morreu, apagou-se a graça de quem ama! Foi lento e triste que, calmamente, da vida alguém distante, aos poucos, se perdeu, lentamente ... Ao longe, esse alguém parecia errante, numa agonia austera e sufocante que, pouco a pouco o consumia, lentamente ...

⁠Retrospectiva - Alembro-me senti-la, inquietante, era pequeno, mal me via,
Continuar lendo

⁠Retrospectiva - Alembro-me senti-la, inquietante, era pequeno, mal me via, mas era já poeta, errante! Era linda minha Alma - e sorria ... Depois, pela vida fui crescendo, junto a uma cova a vi rezando, sua história, antiga, sepultada, tanto tempo, ainda assim, a vi chorando, chorando ... Fui crecendo, crescendo, e ela, triste, infeliz, sem nada! Na juventude dos dias, como herança, morrendo, morrendo ... Pobre, infeliz e desgraçada, uma criança, uma criança! Aos pés de Deus ajoelhada pedindo termo p'ró tormento! Mas só em ataúde fechada um dia finda o sofrimento, acreditava! Breves dias, longas noites ... Em que as noites eram dias e os dias tristes noites! Pobre fado! Pobre fado! ... Flor doce e desfolhada, poeta, apenas, mais nada! A sorrir na vida entrei, sofrendo, austero a caminhei, mas sei, sorrindo a deixarei ... Porque à hora de partir terei no fim a liberdade que nunca nesta vida encontrei ...

⁠Canta Fadista, Canta - Canta fadista, canta que o teu canto é solidão,
Continuar lendo

⁠Canta Fadista, Canta - Canta fadista, canta que o teu canto é solidão, põe a Alma na garganta e a garganta no Coração ... Que o fado na garganta sangra a Alma em solidão, canta fadista, canta que esse canto é oração ... Fado é solidão, canto peregrino, uma Alma noutra Alma é fado, é destino! Destino ou maldição, canta fadista, canta que o teu canto é oração!

⁠Voz - Certa vez, num tempo que não é daqui, escutei perto de mim uma lânguida voz!
Continuar lendo

⁠Voz - Certa vez, num tempo que não é daqui, escutei perto de mim uma lânguida voz! Alguém que antes nunca ouvi, e que terna me disse:"Não estás só!" Não era deste mundo essa voz de oiro e de cetim, tocou-me forte, bem fundo e levou-me além de mim ... Então prosseguiu:"As pessoas não nos pertencem, fazem parte de nós! Somos Unidades de Vida!" E tocou-me na mão ... "Somos pedaços de Amor que algures se encontrarão, à luz de um novo tempo, de vida e esperança num Universo de Cristal e pura gratidão..." (Para Maria Flávia de Monsaraz)

⁠À Primeira Vista - Que lindo, doce o teu olhar, verde-claro como os prados,
Continuar lendo

⁠À Primeira Vista - Que lindo, doce o teu olhar, verde-claro como os prados, lindo, doce esse lugar que me deixa apaixonado! Que lindo, doce o teu abraço, como um fogo que consome, arde, queima o meu regaço quando penso no teu nome! Que suave, leve a tua mão! Teu sorriso de Cristal fez bater meu coração ... Que o paladar da tua boca deu vida a minha Alma meia viva, meia louca!

⁠Pedido - Não me peças calma nem virtude, nem pausa, nem silêncio. Que me dói a Alma,
Continuar lendo

⁠Pedido - Não me peças calma nem virtude, nem pausa, nem silêncio. Que me dói a Alma, que me dói o coração, profunda inquietude na distância de quem ama! Que meu corpo sobre o teu, num enleio, procura amar o teu amor, procura um porto no teu seio, uma chama, um calor ... Que na doçura dos sentidos trocamos promessas e ensejos entre gritos ressentidos ... Tantos versos escritos e não lidos, tantas horas tristes de desejo, tantos homens por amar, perdidos ...

⁠Objectivo sem Meta - Um dia chorarei a solidão como alguém que se regozija e alegra,
Continuar lendo

⁠Objectivo sem Meta - Um dia chorarei a solidão como alguém que se regozija e alegra, cantarei a dor do coração como um mal que já não pesa ... E serei verso inacabado que termina e não acalma, serei um passaro alado que dissolve a própria Alma ... Casas e vielas, serras e arvoredos, poetas, fados, flores e montanhas ... Tudo em mim! Já sem medos! Mas estou só neste sentir! E junto a mim, só há lodo, cinza e lama, cinza, lodo, pó e chama!

⁠Da Janela da Casa do Outeiro - Da Janela da Casa do Outeiro avisto o cemitério
Continuar lendo

⁠Da Janela da Casa do Outeiro - Da Janela da Casa do Outeiro avisto o cemitério num doce entardecer, triste e derradeiro... E há silêncio na aldeia, um eterno desidério! Corre o vento, passam aves embaladas voando ao Sol-poente... E ao longe, na Serra da Barrada, descansa o horizonte ... Quando a tarde cai sobre Ela, desperta em mim uma saudade, uma vontade de ficar no alto da janela ... No cemitério, movem-se os ciprestes por instantes e até os mortos se alevantam p'ra ver a tarde penetrante ... (À Casa da minha Infância no Outeiro em Monsaraz)

⁠Contrassenso - Ai quem tem a Alma perdida sobre espinhos vai no chão,
Continuar lendo

⁠Contrassenso - Ai quem tem a Alma perdida sobre espinhos vai no chão, ai quem tem perdida a Vida amargos sonhos lhes darão ... Amargos sonhos lhes darão a quem tem a Alma perdida, resigna ao pó do chão Pois tem perdida a Vida ... Pois tem perdida a Vida quem resigna ao pó do chão e canta em tom de despedida! E canta em tom de despedida quem resigna ao pó do chão jaz vencido pela Vida ...

⁠Rejeição - Quando chego, onde quer que seja, disfarço um estranho mal-estar,
Continuar lendo

⁠Rejeição - Quando chego, onde quer que seja, disfarço um estranho mal-estar, pareço bem, mas afinal, é falso, na verdade, não sei como hei-de estar! Encontro no olhar de toda a gente o mesmo pensamento – “vai-te embora!” Ninguém me vê, ninguém me sente, e eu, tão só, saio porta-fora! Não é mau ficar só, posto de lado, chegar cansado, mal-entendido, caluniado! Afinal, eu não sou igual a toda a gente e a minha glória é ser diferente, como Cristo, um rejeitado, mas de quem se fala eternamente …

⁠Ao Ritmo do Tormento - Meu corpo. Mágoa. Quebranto... Lôdo. Espuma. Sem Vida ...
Continuar lendo

⁠Ao Ritmo do Tormento - Meu corpo. Mágoa. Quebranto... Lôdo. Espuma. Sem Vida ... Destino. Poema. De espanto ... Silêncio. Esperança. Perdida ... Saudade. Ausência. Solidão ... Paixão. Sem fim. Amor ... Deus. Ó Deus. Perdão ... Pequei. Perdão. Senhor ... Memória. Vai. Sê breve ... Adeus. Adeus. Tormento ... Parte. Esmorece. Sê leve ... Tudo. Em mim. Desvanece ... Nada. Em ti. É lamento ... Minh'Alma. Parte. Perece ...

⁠Transtorno - A Solidão é densa pedra onde afio a minha espada!
Continuar lendo

⁠Transtorno - A Solidão é densa pedra onde afio a minha espada! Estar vivo e não amar-te, quem me dera, nesta vida que me mata ... Há um pronuncio de morte lá no sitio de onde venho. Abandonado à minha sorte, ter nada, é o único que tenho ... Mudou a vida e com ela o meu lamento! Hoje o poço é de água funda onde afogo o meu tormento ... Transtorno audaz e violento! Sem ti, tudo em mim é escuridão, chuva impelida, longínquo encantamento ...

⁠Confusão - Não sei em que estado me encontro! Não sei se te desprezo, se te amo, se te quero …
Continuar lendo

⁠Confusão - Não sei em que estado me encontro! Não sei se te desprezo, se te amo, se te quero … Há em mim um estranho contraste, desencontro, encontro, reencontro - não sossego! E quem me falta encontrar neste mundo de desencontros?! Talvez alguém a quem amar como em antigos contos … Mas onde procurar?! O amor não se procura – dizem as gentes – há-de se encontrar … Então há que esperar! Mas até quando esperarei?! … Vejo o tempo a passar … passar …

⁠Dialogo Nocturno - Meu Amor, chegaste? Sim Amor, cheguei ...
Continuar lendo

⁠Dialogo Nocturno - Meu Amor, chegaste? Sim Amor, cheguei ... E a candeia, apagaste? Sim meu bem, apaguei ... E a porta Amor, fechaste? Sim Amor, fechei ... E que bulício é aquele?! Não sentes?! Não sei Amor, não sei ... Talvez seja a Vida a bater à porta ou os deserdados, sem tino nem História que vivem lá fora ... Sem tino nem História?! Mas quem são?! Tolos, amigos, parentes, qu'importa?! Ó Amor - importa! - vai dar-lhes a mão ...

⁠A Noite de Lord Byron - Noite densa, obscura, um adeus, esquecer-te para sempre, jamais,
Continuar lendo

⁠A Noite de Lord Byron - Noite densa, obscura, um adeus, esquecer-te para sempre, jamais, que dor, sem ti - meu Deus - não amarei nunca mais ... Noite finda sem principio nem começo, visses tu meu peito, desfeito eternamente e voltarias sem demora! Saberias que pereço e tornarias mansamente ... Se cada fundo pensamento que me assola nesta noite pudesses conhecer levarias meu tormento ... Mas ensurdeceste o Coração ... ... e deixaste que esta noite me vestisse de solidão! Meu Amor ... em vão! (Às Ultrarromânticas noites do Poeta Inglês Lord Byron e ao lado sombrio tão patente em seus versos)