Sou de capricórnio.
Mas finjo ser um escorpião.
E das unhas tinhosas destilar veneno.
Em quem toco.Em quem pego.Em quem trisco.
Esse veneno parece sair.
E quem achou que nada tinha de mim em si.
Agora, carrega em seu sangue.
Suas véias.Suas carnes.
Seu corpo moribundo, meu límpido veneno.
Que a essa hora
Espalhou-se feito droga.
Feito alucinogéno.
Létal. Ilegal. Viciante.
Picante. E perverso.
E ele vai te assombrar.
E te fazer acordar.
Quando estiveres só...
Contando o passar do tempo nos dedos.
Nos piores e melhores dias.
Nas melhores e piores noites.
Em cada mão, vai lembrar das minhas.
Assim como a vida,
Certas coisas são inevitáveis.
Principalmente...
Vindos de uma capricórniana
Que brinca de ser um escorpião.
Só para destilar veneno.
Com as proprias mãos.
E nesse meio tempo
Nesse tempo torto.Morto.
Vou criando asas,
Feito de bolhas de sabão.
E vou fazendo de conta,
Que sei voar.
Vou me colorindo.
Me redimindo e me abrangendo.
Engraçado e ridículo...
As palavras são descartáveis
Como preservativos usados
Depois de um bel prazer
Que suja sua vaidade
Doce e ácida.
Como viver. Conviver.
Onde as borboletas voam
Entre o coração, cabeça e estômago.
Sou das que toca sem encostar.
Sou das últimas doses.
Das doses homeopáticas.
Sou de um gole só.
Eu devia não ter tanta sinceridade.
Na boca e nos olhos...
Devia ter escancarado minha real timidez!
R-E-B-E-C-A
-Desavergonhada e deslavada.
Palavras marginais e desviantes.
Que foge que corre e escorre.
Eu devia não ter tanta expressão corporal
Foi da boca que tive
Meus melhores e piores lamentos.
Meus melhores e piores momentos.
Essa posse...
Só me consome.
Consomem. Consumi.
Consumiu. Consumistes.
Consumiram.Consumia.
Foi consumido.
Talvez o que eu queria ser mesmo
Era aquele crito redentor.
Feito de pedra e coberta de pedra-sabão.
Nunca entendir o porque dos braços abertos
Não é pelo RJ . Acho que é pelo vento.
E como eu queria estar lá. E voar.
Acorde. Acorde. Acorde.
Eu estou te vendo.
Eu estou em transe
Naquela fissura
Na Paranoia
Eu vejo raios
Raios fluorescentes
Raios ultra violentos
Ultra violetas
Ultra vermelhos
Meus olhos estão em chamas
E ainda está de noite
Acorde. Acorde agora.
Eu estou te vendo
Quero que você me veja
Quero você em transe comigo
Porque eu estou em transe
E esses raios é meio uma hipnose
Estou em uma larica
Estou flourencendo
Estou fluorescente
Quero você em transe comigo
Como estou em transe. Acorde.
Gritos. Abafados.
Começo de noite.
Pés gelados. 4 pés.
Esqueço o resto.
Aqueto o eco.
Desfaleço. Faleço.
Em um calcanhar.
Que nunca mas ousei rever.
Fim de noite.
Foram-se os tempos,
Das águas rasas e dos bons corações.
A epopeia de hoje já não é tão fiel
Como era a de Camões...
O único epílogo disso tudo é que,
Hoje viramos advogado de um tal diabo.
Sem triunfos, dramas, escritos ou oral.
Quarto. Um quarto. 1/4.
Cama de gata. C(ama).
Restos de mim em vestígios.
Eu já não sou tão inteira assim.
Feito peixe me descamo.
Feito flor me despetalo.
E feito pacto
Vou me prometendo
Vou me con(sagrando).
Em lençois de cama usados
Em bitucas de cigarro.
Entre buzinas de carros
Entre a poluição sonora
Entre as luzes de uma cidade morna
E eu fico aqui, assim, no escuro.
De um quarto. Um quarto. 1/4.
Deixa a maré virar
Até te botar no colo
Até te naufragar
Entre o leito
Entre o porto.
Entre teu ego de esgoto.
Entre titãs mortos e Zeus
As profundezas do mar
E se encontrar...
Mãos com poros coloridos
Pele branca em base aquarelada
Olhos esfumados
Modelo em exposição
Sexy , sesual.
Perdição de traços
Me desfarço.
E completo.
Ao complexo.
Lembrar de: ''Que o que você demora
É o que o tempo leva''
Quantas vezes fui levada
Deixada, amarrotada em gavetas
Nas cinzas dos cigarros
No gosto das cervejas
Nas mãos em brasas
Na mente obcecada...
Pelo anjo e pelo diabo
Quantos ratos passaram por cima
Em quantos rastros eu fui deixada
Até continuar aos suspiros
Até continuar viva.
Era melhor.
Esse profundo assusta.
Megusta. Kamasutra.
Quando eu me encosto.Eu gosto.
Estou Semi picada.Semi árida
Semi ácida.Semi morta.
Em semi retalhos.De semi lugares.
Em semi decom(posiçóes).
Hoje estive pensando realmente em pirar...
E é engraçado confessar isso há mim mesma.
Não por causa de um café que esfriou
Não por causa de amor que mal chegou
Por causa de mim mesma.
Aquele vazio de sempre
Está de frente a minha porta
Todos os dias.
E não adianta pedir conselhos.
Isso não resolve e nunca vai resolver.
Porque metade de mim escuta e esqueçe
Metade de mim discorda e obedece
Eu oscilo entre os meus gritos internos
Como um pêndulo. Como um balanço velho.
Durante meses mergulhei dentro da minha própria alma
E cada vez que volto a margem não me reconheço
E ela me destrói o tempo todo
Célula por célula mal criada, malcriada.
Ouvir dizer que um breve sorriso
Vem sempre antes de um breve Adeus.
Então quantos Adeus eu já dei?
Quantas pessoas levaram uma parte de mim
Nesse efeito dominó,que vem vem e nunca se vai.