Gosto do teu sussurro firme ao meu pé do ouvido.
Da tua língua cor de cereja me invadindo a boca.
Do teu respirar difícil e quente sufocando o meu, fébril.
Gosto do teu perfume doce impregnando a minha roupa lentamente.
Do teu sorriso manso cheio de pretensões.
Do teu decote firme e infinito.
Gosto do teu sabor de puro e todas as tuas más intensões.
-Tem amores que acabam na cama.
E esse duplo sentindo faz toda a diferença.
Porque no final a cama sumiu, o amor sumiu
você sumiu e eu fiquei com o que acabou de tudo.
Muitos vão dizer que me viram por ai.
Que eu estava linda. Sorridente.
Que eu cantava e contava piadas.
Muitos vão mentir. Omitir. E críticar.
Dizer que eu sou tímida pessimista
Ou até irracional.
Só que ninguém vai pode dizer
Como eu sou por dentro.
E me definir em cada momento desses.
Porque ninguém me conheçe tão bem
Quando nem eu mesmo me conheço.
Queria ter nascido na época das vitrolas.
Dos bons e velhos Flipperamas.
Dos charutos exuberantes.
Ter pego o começo do rock alternativo.
Ter andado de carango pelas estradas vazias.
Ter frequentado a Casa da Eny.
Ter quebrado as suzy's antes das barbie's.
Carrego comigo vontades antigas.
Manchadas de preto e branco.
Eu penso, sinto e desejo.
Coisas que se perderam entre as cinzas e as fumaças
Entre os ossos e os cadáveres dos meus hérois.
Minha boca é o porta voz do meu coração.
Sinto falta das verdades nas coisas.
Está tudo vago, repetido, morno.
Sinto falta das verdades nas pessoas.
Estão todas sem palavras, com falsas promessas.
Sem um pingo de senso comum e senso crítico.
Sem um pingo de amor.
Escuto muito por ai:
- 'Você não deve mudar por nada nem por ninguém'.
Que tolo. Você chegou aqui como então? Do nada?
Você que não deve deixar que as pessoas
Te levem a essência, a alma...
Como um pulhado de farinha nas mãos embora.
Mude por alguém. Mesmo que não haja resultados.
A pior coisa do mundo é ter saudades do que não viveu.
A pior coisa do mundo é ter saudades de si mesmo.
Quem nunca sentiu como se uma mão
tivesse estourando seu coração
Ao ponto de sangrar até gangrenar.
E dos olhos esbanjar
As lágrimas mais ardidas,
Ao ponto de parecer expelir seu próprio sangue.
Quem nunca sentiu o corpo em facadas
Das láminas mais enfurrajadas
Atravessar cada milimetro de pele e muscúlo
Sem um pingo de anestésia
Ou bebida alcoólica para amenizar a dor.
Quem nunca sentiu-se morto, denso
E infiltrado de armadilhas.
-Quem nunca sentiu.
Nunca saberá como é ser traído
Enganado pelo coração...
Que você dividiu veias,sangue e artérias.
Ao ponto de bater pela metade.
Ao ponto de ficar multilada.
Ao ponto de sentir.sentir.sentir
A quem nunca pode sentir.
-Cuidar do que está longe.
Talves não seja considerado
Algo assim tão romântico.
Mas, é a maior prova de amor.
Dê um coração que já foi feito de aço...
Meus poemas e versos.
São simples devaneios.
De alguém solitário e sincero.
Faço das palavras músicais do 'Vander Lee'
as minhas humildes palavras:
''Você me amou de um jeito tão aflito
Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões''.
E de repente eu me sinto sozinha novamente.
Meus pensamentos ecoam..
De repente, meu coração parece tocado fogo.
Não é tão ruim assim. E não é culpa sua. Eu me sinto assim a todo instante.
É coisa minha. Carência. Carência. Carência. Que nunca se acaba.
Pra quem sempre foi sozinha isso é fichinha. Não é?
Pra quem se ergue sozinha todo dia. Eu estou indo bem.
Mas eu sei que eu iria melhor. Com você aqui.
Ele tinha razão, em sentir-se ferido.
E ela tinha razão de sentir-se mal.
-Ele carregava na barba seus sonhos de menino
E tinha os olhos miúdos, como dois botões.
Era inseguro e solitário, como uma criança.
Como quem busca por colo a qualquer custo.
Ele só queria um amor.
Um amor em que se tornasse forte, importante e seguro.
Ele? Ele também já destruiu corações.
Mas agora, teve o seu destruído.
Ele sempre dizia:
- Eu pensava em você o tempo todo...
Mas agora, eu só penso nisso.
Ele tinha razão, de não a querer mais
E ela tinha razão de querer ir embora.
Agora que a bosta é séria,
Já posso-me por para fora,
E espatifar-me ao chão,
Assim delicada e recatada!
Eu, mestruação de jovem arrependida
Que vai ficando mais velha, feia e cansada.
Que cultiva um fantasma
No lugar do coração.
Como atraso de vida.
Meu freio poético anda cansado.
Ando mais perdida que a Alice
Agora são meus cães contra o mundo.
Deixe-me pelo menos ser seu atraso de vida
Pois agora são meus cães contra o mundo.
Eu pirando
Entre dedos, medos e rum.
Eu alcoolizada
Entre a melancolia e a solidão.
Eu devolvida
Suficientemente estragada
Eu viva
Desviada e corroída
Eu ferida
Apunhalada destruída
Eu pirando...
Eu não parei de escre(ver), não parei de escre(ver) pra você, pra mim. Das vezes que eu mais me findo ao chão, eu fico perdida lá em baixo daquela nuvem passageira medíocre, parada por uns tempos, recompondo-me até passar. Meus pulmões mal sabem ‘respirar’ sem que eu use a minha bombinha de bolso para o ar entrar, sair e o sangue fluir escrotamente...
- Eu quase minto sobre quem eu sou
Porque na verdade eu sou um mundo só.
Que tem medo do chão que pisa e suja.
Das mãos que tocam e ficam sempre vazias.
E do corpo que absolve apenas bagaços...
E continua com a raiz pesada e pisoteada
Para errar mais uma vez.
- Mentir, omitir sobre quem eu sou.
Um pulso nervoso estupidamente esculhambado.
Que se treme e se contorce com um toque
Que se quebra e se esvazia feito cana
E que dança e baila e nunca para de dançar
A maldita e escrota dança da solidão.
A sua bamba anda meio solta, meio sem pé no chão.
Meio de boca aberta pedindo consolação.
Anda conversando bosta por ai
Convencendo os merdas pra si.
Mas no final... Cara, a sua bamba está um lixo.
Seu remexo tá um porre, seu corpo só corticoide.
Não adianta remexer, quanto mais meche mais fede.
Poupe-me o balancer dos seus calcanhares
Pois moça, a sua bamba anda meio solta.
Cara, a sua bamba? Ah, anda um lixo!
Estava estupidamente alterado cantando de galo, catando seus grilos de meia idade, colhendo os seus gritos de profusão. Pensando... Aonde tinha deixado os seus bordões e as suas facetas. As suas barganhas e as suas gargalhadas cuspidas. Pensando no que se transformou. Estava parado com o seu relógio de pulso de meio século passado, exorcizado pelo tanto de merdas, ironizado pela sua falsidade verdadeira de se furar e golfar sangue em sua nova ferida de uma carne mal passada. Destruindo e matando qualquer coisa, qualquer coisa que pairasse em seu alterado canto de galo.
Deve ser bom, saber que tem alguém
te esperando do outro lado.
Que depois que se esbaldar
cair na noite e chutar o balde
vai ir de consolo a desconsolada no outro dia.
E depois vai sair por ai, pelos cantos.
Reclamando solidão, frieza e mau amor.
Mas olha só a sua carne é igual a minha:
Podre, fraca e canibal!
Por trás da carcaça
há sempre uma finda de ossos
que dar em um vazio agudo,
que só aguda o vazio.
Buracos tampados são temporários,
pois ainda dar eco...e-c-o
Quando ama, quando chora e quando faz amor.
Não sei se me odeia ou se me ama,
se me deseja ou me joga fora.
Se me põe pra dentro ou me põe pra fora
feito cadela de rua
que trepa,goza e vai embora.
Você me afunda em seu prato fundo
E me deixa quente.
Mistura-me em seu copo de vodka
E me deixa fria
Lambe o gelo e me delicia
Cospe fora me provocando
Cola-me no corpo e nos corroemos
Feito ferrugem mal comida
Você se precipita e acerta
Atira-se e começa...
A me deixar quente
E cospe e engole e se delicia
E age naturalmente
E fingi que é decente
E eu finjo também ser
E mais uma vez você
Afundar-me no seu prato fundo.
Língua sádica não há como se machucar ela foi feita para o amasso para chupar marcas da palpa em poupa, deixar rastros de equilibristas falhos, de mágicos bem formados em matar. Dissimula-se enquanto a espera e quanto mais espera melhor, pois a solidão ajuda a acalentar o oco do corpo. Calma, eu também espero a língua sádica, ainda espero a língua sádica, com todos os seus pulsos nervosos e suas meias veias escondidas inchadas me pedindo gelo e um pouco de sal, ainda espero a língua sádica com todos os seus amassos e machucados da morte.
Da porta pra rua um rastro de bosta
Da garganta pra dentro um rastro de rua
A vida pessoal anda meio de máscaras
Meio de porre beirando a boca.
Do estômago pra fora pessoas vomitadas
Cheirando a melancolia.
Eu não sei qual é a sua
Nem você sabe qual é a minha
Mas o pior está por dentro desta porta.
Que dar para a rua.
- Sentei esfreguei os olhos
primeiro um depois o outro
antes de um longo suspiro
quis me assegurar se
eu era de carne de vidro ou de aço
vulnerável ou só incapaz
eu feita de couro branco
com sorrisos inflamados
me estiquei estralei os dedos
me encostei no primeiro lugar
tomei um copo de água
a garganta ardeu
outro lugar inflamado
estou presa no chão
e eu sempre estive no céu
estou no vigésimo andar
incomodada e acomodada
em uma carcaça errada e errante
parcialmente inflamada
outro lugar ferido
querendo ser livre
dedos e polegares presos
em uma caneta suada
em folhas de papel incardidas
quase amareladas
eu pintei o teto as paredes
com o resto do azul marinho
pintei a alma exibindo meu fôlego
estou caindo do vigésimo andar
o cigarro acabou
o café está quase pronto
e não vai dar tempo
eu sei que estou quase caindo
antes de escrever mais um verso
mesquinho e inquieto
sentei esfreguei os olhos
primeiro um depois o outro
antes de um longo suspiro
quis me assegurar
que alguém me leria
e como em um sopro
me joguei tentando ser livre
completamente inflamada.
- Teria feito o melhor amor e dado um melhor coração
Mas só tinha esse podre e inútil comedor de carnes
Batedor miséravel que nem amar sabe direito.
Se eu soubesse que o destino escreveria você
na minha linha torta da mão prestes a se acabar
teria cuidado muito bem dela, cuidado bem de mim.
Se soubesse que você chegaria depois dos meus cigarros
Guardaria meus pulmões semi surrados semi negros.
Teria feito o melhor amor e dado um melhor coração.
- E quantas mãos você tocou?
Depois de um doce vem sempre um copo d’agua
E o sal grita para ser devorado.
E quantas bocas você beijou?
Depois do arroto vem sempre uma desculpa
E um sorriso pior que o outro
E um novo gosto de amargura.
E quantas noites você dormiu?
Depois das vidas longas
Vem sempre as mortes curtas
E uma saudade imensa de tocar mãos.