"Pela janela em que vejo o mundo a girar, sintetizo uma luz mítica com o pó real da vida e alterno os elementos concretos com os entes abstratos de um céu azul, colado ao cinza da terra que compõem a natureza cósmica a configurar todo o paradisíaco ar que respira meu ser."
Frases de Raimundo Candido
13 frases
Deixe o amor enterrado! Não ressuscite o amor que um dia foi vida,
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Deixe o amor enterrado! Não ressuscite o amor que um dia foi vida, deixe-o lá: enterrado! Quando se exuma algo tão forte que um dia morreu ele reflorirá desbotado numa flor dorida na magoada relva cinzenta do tempo passado!
Silêncio Tudo é muito pouco para o limite do silêncio insaciável
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Silêncio Tudo é muito pouco para o limite do silêncio insaciável que se expande em cúpula côncava e contínua a mim. O silêncio, como a solidão, é um pano de fundo para a presença de um duro roer de murmúrios segredos que se refletem bem mais sutil na escuridão que na pele da luz assim silente que cai em límpido orvalho. Mesmo agora, o silêncio de meu olho é pura brasa que se revigora ao sopro de um violento sussurro.
A minha ingênua visão é uma brisa sem crinas, em ardil vaidoso
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A minha ingênua visão é uma brisa sem crinas, em ardil vaidoso que se arrefece para o turbilhão de eólicas trombetas em lascívia sedução!
Caricatura agreste A suposta teoria é a da luz remota
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Caricatura agreste A suposta teoria é a da luz remota absorta na simulação branda e silenciosa do solene mistério. E vem de muito longe amoldando a face lapidando a imagem tristemente cômica fosca, fluída e feia como água dos córregos em lápis de giz, rabiscando com gás, com faísca elétrica o rude contorno tosco da caricatura de risível forma de aroma agreste da agoniada alma.
Tudo é muito pouco para o limite do silêncio insaciável que se expande em cúpula
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Tudo é muito pouco para o limite do silêncio insaciável que se expande em cúpula côncava e contínua a mim.
Mas a barata é um patife covarde no ínfimo ato, passa sebo nas canelas
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Mas a barata é um patife covarde no ínfimo ato, passa sebo nas canelas ao pressentir meus sapatos!
Meu olhar é um anzol para enigmas imersos no líquido espelho do ar
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Meu olhar é um anzol para enigmas imersos no líquido espelho do ar onde os cardumes vicejam!
Abutres Então patrulham o indelével rastro
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Abutres Então patrulham o indelével rastro das visagens que se diluem aos abutres! Então farejam o odor mórbido do último suspiro que se avigora aos abutres! Então grasnam transcendentes ao pendor fúnebre que se oferta aos abutres!
Ultimamente, tenho carregado demasiado peso: ausências indefinidas,
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Ultimamente, tenho carregado demasiado peso: ausências indefinidas, presenças indesejadas e saudade de um doce sal que jamais provei!
"Pela janela em que vejo o mundo a girar, sintetizo uma luz mítica com o pó real da vida e alterno os elementos concretos com os entes abstratos de um céu azul, colado ao cinza da terra que compõem a natureza cósmica a configurar todo o paradisíaco ar que respira meu ser."
"Sou sertão! Nasci sertão e vivo sertão! Corre, em minhas veias, a seiva vivifica das catingueiras, dos angicos e dos marmeleiros! Detenho, impregnado no faro, o cheiro consistente do mufumbo a perfumar a vasta e desamparada caatinga que se estampa ao meu olhar." Raimundo Cândid…
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"Sou sertão! Nasci sertão e vivo sertão! Corre, em minhas veias, a seiva vivifica das catingueiras, dos angicos e dos marmeleiros! Detenho, impregnado no faro, o cheiro consistente do mufumbo a perfumar a vasta e desamparada caatinga que se estampa ao meu olhar." Raimundo Cândido
Bodega Às vezes, no rústico balcão de velha tábua enegrecida
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Bodega Às vezes, no rústico balcão de velha tábua enegrecida o tempo parava… Às vezes, o vento passava e o papel de embrulho acenava convidando o cliente a absorver o aroma pungente de couro curtido que se irradiava no ar… Só a velha balança parada com os pratos vazios ponderava o que havia de sabor no denso langor de algo invisível a indicar que a tarde se dissipava pesarosa a chorar… E quando vinha freguês Antonio, Maria ou João de caderneta na mão fiava o açúcar, a farinha, num embrulho feito com arte com dedos magros da mão de um bodegueiro artesão!