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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

Soneto de perda A perda é igual ao um fio de navalha fende-se num leve resvalo do destino
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Soneto de perda A perda é igual ao um fio de navalha fende-se num leve resvalo do destino que engole a alma num apetite ferino no alto e baixo de uma eterna batalha Nos testilha, pouco a pouco, sem tino como o fogo atiçado a uma seca palha espalhando desnorteada e vil bandalha no peito amargo duma saudade a pino Inquieto e silente sempre é o término num drama ao desalento se espalha tornando séquito no avivar matutino O tal estrago é uma senhora canalha que faz ao poeta um poetar pequenino e dor que da alegria não resta migalha Luciano Spagnol 08/06/2016, 05'05" Cerrado goiano

Soneto garimpado Na peneira da vida eu joeirei o amor Entre vários cascalhos que separei
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Soneto garimpado Na peneira da vida eu joeirei o amor Entre vários cascalhos que separei Nesta labuta e suor, aí te encontrei Pois ele acontece, não é um eleitor E assim árido, pelo tempo eu viajei Bem acreditei, tive pouco ao dispor Num certo dia pude sentir o frescor E passei do silêncio pro apaixonei Desde então vivi o perfume da flor O garimpo do coração abandonei E neste gigante afeto tenho ardor Ai em uma nova luz me entreguei Pude ser palavras, gestos, e odor E que noutros versos eu não amei Luciano Spagnol 2016, junho Cerrado goiano

Soneto da saudade tua Não consigo ficar sem te escrever cada cheiro teu que comigo ficou
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Soneto da saudade tua Não consigo ficar sem te escrever cada cheiro teu que comigo ficou tornou versos que comigo chorou aqui nesta ditadura no meu viver São sonetos que a paixão poetou São momentos de amor sem ter perdidos nesta dor, dói pra valer latejando no coração, ali aportou Sem o teu sorriso a quem recorrer o teu olhar a recordação eternizou os meus retalhos, estou sem coser Por fim, vagueio, não sei onde vou é trilha sem som, sem como finalizar é tal saudade, que ainda não passou Luciano Spagnol 2016, 07 de junho Cerrado goiano

Para sempre Prefiro o tempo dos poetas O seu tempo é lento
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Para sempre Prefiro o tempo dos poetas O seu tempo é lento Se cinzento põe asas de borboletas Pra ao vento espalhar sentimento Em qualquer tempo, qualquer seresta És profeta do pensamento Mago das palavras naquela ou nesta Bordando dores, amores, intentos E não contento: chora, ri, implora No mesmo devaneio, na mesma fé Está sempre chegando e indo embora Mas seu tempo é para sempre... Luciano Spagnol Junho, 2016 Cerrado goiano

L3 Há uma saudade em mim no cerrado Ancorada nos barrancos ressequidos
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L3 Há uma saudade em mim no cerrado Ancorada nos barrancos ressequidos São arrancos no peito em ronquidos Num espectral sentimento entalado Pelos prados os sonhos emurchecidos Escorrem num agridoce poetar orvalhado De recordação a soar anseio retalhado Deixando na alma desejos desfalecidos No amanhecer solitário acordo forçado Em silenciosos suspiros enternecidos Tal como um violino que não é tocado Sinto-me com os devaneios perdidos Sem asas, sem voo é um olhar atado Há uma saudade em mim em alaridos Luciano Spagnol Junho, 2016 Cerrado goiano

L4 Como no cerrado de folhas enrugadas Também o fado está todo amarfanhado
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L4 Como no cerrado de folhas enrugadas Também o fado está todo amarfanhado Os sonhos de sabor árido e olhar calado Vê-se o coração arriado nas quebradas Em mim, as lágrimas, saudade, enfado Das tristuras nas imperfeições grifadas E o amor com insônias nas madrugadas Vergando devaneios sem nenhum aliado Que seja a afeição eloquências poetadas Pelo arauto do amor em verso apaixonado Implorando paixão nas rimas enamoradas Assim, escrevendo um destino desejado De dimensões afins as almas iluminadas Pra no ponto final ter desfecho apaixonado Luciano Spagnol 06 de junho, 2016 Cerrado goiano

Soneto idílico Acordar, aguar o jardim, fingir um dia e assim inicia a melancolia e o vazio
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Soneto idílico Acordar, aguar o jardim, fingir um dia e assim inicia a melancolia e o vazio o sol a pino, cerrado e o sonho macio das saudades num tempo em primazia Sim! O tempo não é sentido, é ébrio os amores ficaram, são sem analogia trariam o meu peito, viraram euforia nas lágrimas algozes do olhar esquio Tudo é efêmero no triste e na alegria árido o sentimento e cheio de arrepio que importa se tem saída ou portaria E neste movimento de soltura e exílio a magia do por do sol torna cortesia nas palavras que cantam o meu idílio Luciano Spagnol 05 de julho, 2016 Cerrado goiano

Oxalá Oxalá Que a saudade assim despeça
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Oxalá Oxalá Que a saudade assim despeça Aqui belas bandas do Goiás Que ela nunca mais me peça Noites solitárias, choro, aliás Que a harmonia ela não impeça Oxalá Que a dor no peito que faz sofrer Vá junto nos seus braços embora Leve consigo o aperto que tender Já é chegada está tão tardia hora E deixe somente o prazer florecer Pois mais vale carinho e sobriedade Inundando a alma de um doce prover Do que amargar a danada da saudade Evocando uma ausência no nosso viver E assim, novamente, presença na poesia ter... Luciano Spagnol Junho, 2016 Cerrado goiano

A noturna Sinto a solidão anoitecendo O frio escorrendo pelo cerrado
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A noturna Sinto a solidão anoitecendo O frio escorrendo pelo cerrado O silêncio já se emurchecendo E o olhar no caixilho debruçado A lua então querendo se abrasar Na aridez do chão cascalhado É breu solitário e ressequido Onde não há capa nem blusa Para aquecer o espírito doído E amparar a solidão reclusa... É um vil rugido diluído no ar É uma agrura na alma infusa Não sei com que me agasalhar. Luciano Spagnol Início de julho, 2016 Cerrado goiano