Quando eu consigo resolver, alguém vem e desresolve.
Frases de Piggy
24 frases
CHAVES DA VERDADE Um doce beijo nessa manhã Para que seu dia seja belo
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CHAVES DA VERDADE Um doce beijo nessa manhã Para que seu dia seja belo Mesmo com a tristeza a turvar o brilho dos seus olhos Fazendo olvidar de contemplar o horizonte E da sempre presente poesia que liberta a alma Num simples caminhar vagabundo Aproveite o dia! Sussurra o vento repentino Mesmo nos dias cinzas Porque o sol apesar de oculto por nuvens flutuantes de chumbo Está a decretar a luminosidade do dia Secando as lágrimas da noite passada Dando a medida exata da nossa medíocre ignorância Sendo o senhor das chaves da verdade Para que possamos viver o hoje.
SOLIDÃO EM RÉ MENOR A mente que sempre mente Ao ser vazio
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SOLIDÃO EM RÉ MENOR A mente que sempre mente Ao ser vazio Triste cantador solitário Viajante das estrelas Visionário do caos Carcaça arrastada De rua em rua, Bar em bar, Cama em cama Numa música única Azul a insistir na mente Deglutidora lenta Do céu e do inferno Solidão em ré menor Eis a canção do cantador Ainda sobrevivendo
PONTOS Não adianta chorar Ninguém há de ouvir.
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PONTOS Não adianta chorar Ninguém há de ouvir. Não adianta amar Não há ninguém para desejar-lhe. Assuma sua culpa. Cuspa o veneno Que tu mesmo preparaste Seus livros não servem para nada. Suas palavras se perdem no limbo. Vosso lar... Pontos perdidos Sem vida, Sem descanso. Lá no horizonte a morte lhe espera. Sorria agora, ser medíocre. Rasteje como vermes. Os mesmos que em breve comerão sua carne Quebra-se o palácio de cristal Ao toque das mãos Que perderam o jogo.
SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA Calmamente caminhei sem rumo, Pelas alamedas encobertas pelos ipês lilases
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SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA Calmamente caminhei sem rumo, Pelas alamedas encobertas pelos ipês lilases Sorri ao convite do vento, Suspirei profundamente, Recitei o velho Blake. No observar castanho onírico Projetei a ânsia de viver No firmamento límpido anil. Aberto está o arcano sem nome; O tempo será o juiz de minhas ações... Eu, o algoz da sua sentença. Logo será primavera, cicatrizes de outrora se fecharão. Um dia de cada vez. Perseverei em face da incerteza do ser perante o nada Inerme prosseguindo poeticamente. Já não faz sentido empunhar o gládio em batalhas vãs. Na sagração da primavera tudo renasce com a unção das flores que sorriem no silêncio.
ALMA DOCE Alma eternamente doce Pois como uma flor que sempre nasce
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ALMA DOCE Alma eternamente doce Pois como uma flor que sempre nasce Eu padeço na minha cruz.
LUPERCALE Noite adentro seguindo o rastro prateado Oculto pelo medo presente, lembranças do pesar diurno
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LUPERCALE Noite adentro seguindo o rastro prateado Oculto pelo medo presente, lembranças do pesar diurno Sons bestiais e guturais da alma perseguida Matilha desnuda ante a deusa nua Qual a certeza no olhar vazio da insanidade? Por entre os caminhos vagam as feras que devoram a mente Correr, correr, correr... Sou o que mais temo. Brindamos na companhia da Lua Negra A vida e a morte do ser liberto.
GRANDE HORA Meia- noite e três minutos... Sob a luz fraca de uma lâmpada
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GRANDE HORA Meia- noite e três minutos... Sob a luz fraca de uma lâmpada O questionamento do caos Serpejante da vida. Sentimento sofrido? Paixão destruída? Talvez um prisioneiro de um cárcere sem luz... Nunca houve claridade suficiente Para iluminar o olhar obscuro Da dúvida que é a existência.
POEMA PARA UM AMIGO À BEIRA DA MORTE Aonde é o começo ou fim do correr? Lembro-me das noites quentes,
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POEMA PARA UM AMIGO À BEIRA DA MORTE Aonde é o começo ou fim do correr? Lembro-me das noites quentes, Quando sentados no telhado de vidro Absortos em meio à fumaça inebriante Acompanhávamos resplandecentes O rastro veloz das estrelas cadentes artificiais Cintilando e logo sumindo na noite escura Transformando, movimentando a cidade amorfa Girante caleidoscópio de pensamentos Entre prosas e poemas Sonhos e sentimentos profanos Divinizando-se no voar baixo Pelas ruas, bares, bocas e olhares Sob o crivo dos justos ignóbeis Os que nunca tiveram a coragem de Caminhar na beira do abismo Por medo de confrontar o fundo insondável De suas almas incógnitas Aonde é o começo ou fim do correr? Não conheço a hora certa De atravessar a ponte sem medo Conheço apenas a poesia dos momentos Canções da existência Notas e timbres, Ritmos da dança das lágrimas e sorrisos Motivo do entender do viver e ter Talvez o começo e o fim Como o saborear da límpida água da fonte Saciando a sede do conhecer Reflexões de que tudo flui Bastando querer seguir sem importar-se com o inexistente tempo Afinal, o adeus não existe Pois, como as noites findavam com o raiar do sol Observados pelo infinito de nossos olhos Além da caixa empoeirada, do alto nos telhados de vidro Existíamos, meu amigo Para cada novo dia, para cada velha noite, Perpetuando-se na eternidade.
TEMPESTADES DE VERÃO No começo o vento é fraco Depois torna-se forte, destruidor...
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TEMPESTADES DE VERÃO No começo o vento é fraco Depois torna-se forte, destruidor... Nas tempestades de verão a dor diminui O ardil brinca com a razão Ventos e chuva, Solidão e silêncio Em meio às tormentas Obscuras do ser... Findar da vida Começo da morte Nas tempestades de verão.
PERSISTÊNCIA Postar-me-ei desnudo aos ventos da rosa Deixando as máculas da alma pelo ar
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PERSISTÊNCIA Postar-me-ei desnudo aos ventos da rosa Deixando as máculas da alma pelo ar Pesado é o fardo, Resistirei... Das feridas, o tempo cuidará. Aprendi a caminhar Na companhia dos ventos Labutando com fervor Destino traçado em outrora O quanto deverei pagar? Ainda não sei Farei do tempo a minha estrada E do vento, o meu guia.
SER Sou apenas o que sou!
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SER Sou apenas o que sou! Nada importa Além Da mente, Da alma, Amém. Mesmo se meu desejo fosse... Jamais conseguiria parar O pulsar Do coração nascido Em versos andarilhos. Não me fale nada, Não me conte nada, Não me faça nada Apenas aproveite o dia.
MEDO Do que tens medo? Da escuridão?
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MEDO Do que tens medo? Da escuridão? De viver? Dos outros, então! Todos têm um ponto em comum a esconder No jogo bruto em que vivemos É estranho conviver com as brumas Que escondem o sentido absoluto Do mundo da razão navalha.
ENFIM O SILÊNCIO Os cães já não ladram mais... Parado encontra-se o vigilante relógio
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ENFIM O SILÊNCIO Os cães já não ladram mais... Parado encontra-se o vigilante relógio Perdeu-se no espaço a ultima nota musical vinda da velha vitrola Longe estou Infindável túnel escuro Sigo em frente Aguardando o projétil para a cabeça encontrar Lenta é a folha seca que cai em silêncio Jaz o corpo sepultado no próprio corpo Enfim, o silêncio.
EXISTÊNCIA Siga o caminho dos ventos vindouros da Rosa Registre suas pegadas nas areias do tempo.
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EXISTÊNCIA Siga o caminho dos ventos vindouros da Rosa Registre suas pegadas nas areias do tempo. Viva plenamente, Ultrapasse as portas da percepção Entenda o Eu oculto pelo véu da ignorância. Para cada verso um sentido, Nenhuma palavra é vã perante a existência. Deixe registrada sua marca, O seu sinal, A certeza do seu ser.
ANTROPOFAGIA Contornando cada parte secreta Baila em círculos suaves
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ANTROPOFAGIA Contornando cada parte secreta Baila em círculos suaves Avida língua vadia Buscando o fremir do revoar no infinito céu imaginário Deixando a lembrança Para o amor pleno Mesmo perante o adeus Comungado no hoje perpétuo No comer voraz da boca nua Sem ontem ou amanhã Brilhando os olhos Fazendo do cosmos a imagem una Vida e morte Na antropofagia da alma Que não teme em entregar-se Ao gozo como poesia a eternidade Amém
RAZÕES Sussurros navalhas Ferem o ego dormente
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RAZÕES Sussurros navalhas Ferem o ego dormente Razões sustentadas, Razões quebradas, Razões que nada valem. Tenho ratos como amigos; Devoradores vorazes Das razões guardadas No porão sombrio Da mente empoeirada.
CAPÍTULO IV Hoje é um belo dia para morrer Brilha forte o sol
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CAPÍTULO IV Hoje é um belo dia para morrer Brilha forte o sol Iluminando o caminho Trazendo o calor Para o corpo e alma Não quero que aparem minhas lágrimas Descobri que tenho lenços de papel no bolso da calça surrada E eles se dissolveram no próximo dia de chuva Hoje é um belo dia para viver Ouvir uma canção triste Alegrar o corpo e alma Dançar resiliente Agradecendo o sorriso Amando além do amor Tendo o azul do céu Dizendo amém.
NAVEGANTE Bom dia com o sol que sorri Abraçando o corpo,
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NAVEGANTE Bom dia com o sol que sorri Abraçando o corpo, protegendo a alma. Motivo de irmos à frente, rumo ao desconhecido; doce andança necessária para conhecermos o Id Timoneiro indolente, do coração navegante onde a cada porto uma nova música aprende para cantar quando estiver em alto mar.
OBITUÁRIO DE ORFEU Tentei levar o bálsamo Por escritas erradas em poesia torta
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OBITUÁRIO DE ORFEU Tentei levar o bálsamo Por escritas erradas em poesia torta Avesso de que a dor é insuportável Tive por mil vezes o coração dilacerado Chorei sempre no sorrir da manhã Fazendo da poesia o canto libertador Não deixando a mágoa envenenar o coração moribundo Fechando feridas em tatuagens cicatrizes Motivo e força para soergue-se das profundezas da loucura do ego Não optei em fazer das minhas imperfeições Fina lâmina que cega os olhos Para beleza do transmutar Os sonhos de hoje são os caminhos Dos deuses de outrora Olvidados pela eternidade Grandeza do entender que a resiliência É o único bálsamo Capaz de curar os males Ignorante do pensar egoísta Em culpar o outro pela dor nossa de cada dia Justificando o suplício da autopiedade.
CARPE DIEM Quero o azul como manto a proteger Meus sonhos, essência do existir.
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CARPE DIEM Quero o azul como manto a proteger Meus sonhos, essência do existir. Quero o som de todos os cantos a preencher Meus sentidos, movimento constante da transformação. Quero as palavras como expressões do que é ou poderá ser Minha direção no encontro e desencontro do eu ante os outros Quero o sorrir e as lágrimas para sentimentos ter Meu aprendizado, libertação dos grilhões da escuridão da ignorância. Quero uma bela semana para aproveitar cada dia como se fosse o último Pois para viver é necessário saber resistir para a certeza do existir.
AUGUSTO Incerta é a noite O dia é melhor para esconder-se
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AUGUSTO Incerta é a noite O dia é melhor para esconder-se Uivo soturno, Cão desgarrado Meu irmão distante Perambula entristecido Pela floresta escura. Não há paz na incerteza Do pensamento que vaga Alucinado pelas lacunas da mente. Onde estão os anjos? Sujos, Perdidos, Fumando cigarros, Brindando com fadas verdes. Onde está Augusto? Silente, Translúcido, Ultrapassando as portas da percepção.
ENQUANTO NADA ACONTECE A luz fraca ilumina as velhas revistas de arte Um cigarro, uma tragada...
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ENQUANTO NADA ACONTECE A luz fraca ilumina as velhas revistas de arte Um cigarro, uma tragada... A solidão é algo interessante quando refletimos sobre ela.... Lá estão os pássaros a voar no amanhecer, Cá esta a música a bater forte em meu coração. Sempre o piano, a lembrar-me sobre o amor e a sua incompreensão. Tudo se perde quando não somos sinceros à liberdade.... Um gole no café recém-feito, O olhar perdido pela janela. Gosto de ver as últimas luzes da noite se apagarem... Logo como os demais, Esconderei meus sentimentos Para vazio girar, na ciranda do dia, esconderijo dos sentimentos íntimos... Aguardei o chamado do telefone que mudo rompeu a noite, Restou somente a vontade não suprida do divagar lascivo. Enquanto nada acontece, acendo mais um cigarro No pulsar do coração que se nega a pertencer ao hoje. (Maio de 1989 - São Paulo – 05h 57m AM)
SENTADO EM CATACUMBAS Alta lua Sentado em catacumbas
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SENTADO EM CATACUMBAS Alta lua Sentado em catacumbas Rasgou a noite o último expresso Convidado dos vermes Vi o banquetear-se da putrefata carne Do Eu defunto