Pular para o conteúdo

Frases de Pedro Tamen

8 frases

Quero-te de branco, ou antes, modelada nas roupas que cosesses
Continuar lendo

Quero-te de branco, ou antes, modelada nas roupas que cosesses das bonecas, nos saltos, nos baloiços, nos degraus de uma porta qualquer donde saísses. Quero-te de branco e intocada, carregada porém dos anos buliçosos e das vidas ausentes. De branco, meu amor, e de tão branco que me desses o mundo em luz de sol.

A Luz que Vem das Pedras A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra, tu a colhes, mulher, a distribuis
Continuar lendo

A Luz que Vem das Pedras A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra, tu a colhes, mulher, a distribuis tão generosa e à janela do mundo. O sal do mar percorre a tua língua; não são de mais em ti as coisas mais. Melhor que tudo, o voo dos insectos, o ritmo nocturno do girar dos bichos, a chave do momento em que começa o canto da ave ou da cigarra — a mão que tal comanda no mesmo gesto fere a corda do que em ti faz acordar os olhos densos de cada dia um só. Quem está salvando nesta respiração boca a boca real com o universo?

Devagar te amo, e devagar assomo os dedos à altura dos olhos, do cabelo dos anéis de outro turno, que é só meu
Continuar lendo

Devagar te amo, e devagar assomo os dedos à altura dos olhos, do cabelo dos anéis de outro turno, que é só meu por querê-lo, meu amor, como a ti mesma quero nos tempos de passado e sem futuro. Devagar avanço um dealbar de dias que vida seriam - mesmo que morto, à noite, eu voltasse amargurado mas presente, calado e quedo, e devagar amando.

Não tenho para ti quotidiano mais que a polpa seca ou vento grosso, ter existido e existir ainda,
Continuar lendo

Não tenho para ti quotidiano mais que a polpa seca ou vento grosso, ter existido e existir ainda, querer a mais a mola que tu sejas, saber que te conheço e vai chegar a mão rasa de lona para amar. Não tenho braço livre mais que olhar para ele, e o que faz que tu não queiras. Tenho um tremido leito em vala aberta, olhos maduros, cartas e certezas. Neste comboio longo, surdo e quente, vou lá ao fundo, marco o Ocupado. Penso em ti, meu amor, em qualquer lado. Batem-me à porta e digo que está gente.

Como o Caeiro, sabes, digo adeus Como o Caeiro, sabes, digo adeus aos versos que se vão e aos que chegam,
Continuar lendo

Como o Caeiro, sabes, digo adeus Como o Caeiro, sabes, digo adeus aos versos que se vão e aos que chegam, marcados desde dentro como teus como sons imperfeitos que se entregam a quem passe e repasse, e já não sabe se a conjunção de como que assim ligo é dele ou de quem é. Como se acabe, o dia em que te escrevo é que te sigo, e mais importa, e mais me livra inteiro do que não tu, a ti, minha mulher, meu caso e minha casa, meu bom cheiro a ti ou a mim mesmo, ao que vier deste completo inverno em que me abeiro da verdade que entenda quem puder.⁠