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Frases de Pedro Homem de Mello

8 frases

À volta de incerto fogo Brincaram as minhas mãos. ... E foi a vida o seu jogo!
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À volta de incerto fogo Brincaram as minhas mãos. ... E foi a vida o seu jogo! Julguei possuir estrelas Só por vê-las. Ai! Como estrelas andaram Misteriosas e distantes As almas que me encantaram Por instantes! Em ritmo discreto, brando, Fui brincando, fui brincando Com o amor, com a vaidade... — E a que sentimentos vãos Fiquei devendo talvez A minha felicidade!

Para te amar ensaiei os meus lábios... Deixei de pronunciar palavras duras. Para te amar ensaiei os meus lábios!
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Para te amar ensaiei os meus lábios... Deixei de pronunciar palavras duras. Para te amar ensaiei os meus lábios! Para tocar-te ensaiei os meus dedos... Banhei-os na água límpida das fontes. Para tocar-te ensaiei os meus dedos! Para te ouvir ensaiei meus ouvidos! Pus-me a escutar as vozes do silêncio... Para te ouvir ensaiei meus ouvidos! E a vida foi passando, foi passando... E, à força de esperar a tua vinda, De cada braço fiz mudo cipreste. A vida foi passando, foi passando... E nunca mais vieste!

Felicidade, agarrei-te Como um cão, pelo cachaço! E, contigo, em mar de azeite
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Felicidade, agarrei-te Como um cão, pelo cachaço! E, contigo, em mar de azeite Afoguei-me, passo a passo... Dei à minha alma a preguiça Que o meu corpo não tivera. E foi, assim, que, submissa, Vi chegar a Primavera... Quem a colher que a arrecade (Há, nela, um segredo lento...) Ó frágil felicidade! — Palavra que leva o vento, E, depois, como se a ideia De, nos dedos, a ter tido Bastasse, por fim, larguei-a, Sem ficar arrependido...

Amei-te? Sim. Doidamente! Amei-te com esse amor Que traz vida e foi doente...
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Amei-te? Sim. Doidamente! Amei-te com esse amor Que traz vida e foi doente... À beira de ti, as horas Não eram horas: paravam. E, longe de ti, o tempo Era tempo, infelizmente... Ai! esse amor que traz vida, Cor, saúde... e foi doente! Porém, voltavas e, então, Os cardos davam camélias, Os alecrins, açucenas, As aves, brancos lilases, E as ruas, todas morenas, Eram tapetes de flores Onde havia musgo, apenas... E, enquanto subia a Lua, Nas asas do vento brando, O meu sangue ia passando Da minha mão para a tua! Por que te amei? — Ninguém sabe A causa daquele amor Que traz vida e foi doente. Talvez viesse da terra, Quando a terra lembra a carne. Talvez viesse da carne Quando a carne lembra a alma! Talvez viesse da noite Quando a noite lembra o dia. — Talvez viesse de mim. E da minha poesia...

Simplicidade Queria, queria Ter a singeleza
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Simplicidade Queria, queria Ter a singeleza Das vidas sem alma E a lúcida calma Da matéria presa. Queria, queria Ser igual ao peixe Que livre nas águas Se mexe; Ser igual em som, Ser igual em graça Ao pássaro leve, Que esvoaça... Tudo isso eu queria! (Ser fraco é ser forte). Queria viver E depois morrer Sem nunca aprender A gostar da morte.

Andamos nus, apenas revestidos Da música inocente dos sentidos. Como nuvens ou pássaros passamos
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Andamos nus, apenas revestidos Da música inocente dos sentidos. Como nuvens ou pássaros passamos Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos. No entanto, em nós, o canto é quase mudo. Nada pedimos. Recusamos tudo. Nunca para vingar as próprias dores Tiramos sangue ao mundo ou vida às flores. E a noite chega! Ao longe, morre o dia... A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia... E há mãos que vêm poisar em nossos ombros E somos o silêncio dos escombros. Ó meus irmãos! em todos os países, Rezai pelos amigos infelizes!

Porque é que Adeus me disseste Ontem e não noutro dia, Se os beijos que, ontem, me deste
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Porque é que Adeus me disseste Ontem e não noutro dia, Se os beijos que, ontem, me deste Deixaram a noite fria? Para quê voltar atrás A uma esperança perdida? As horas boas são más Quando chega a despedida. Meu coração já não sente. Sei lá bem se já te vi! Lembro-me de tanta gente Que nem me lembro de ti. Quem és tu que mal existes? Entre nós, tudo acabou. Mas pelos meus olhos tristes Poderás saber quem sou!