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Frases de Olavo de Carvalho

1.382 frases

Os que levam diplomas brasileiros a sério, por favor averiguem a lista de centenas de autores de importância medular que eu pessoalmente introduzi no repertório de leituras do nosso povo e me digam a quantos desses autores eu teria acesso em QUALQUER curso universitário no nosso…
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Os que levam diplomas brasileiros a sério, por favor averiguem a lista de centenas de autores de importância medular que eu pessoalmente introduzi no repertório de leituras do nosso povo e me digam a quantos desses autores eu teria acesso em QUALQUER curso universitário no nosso país. Se dou a meus alunos uma educação em filosofia, letras e ciências humanas melhor do que poderiam receber nas universidades -- e eles mesmos o confirmam --, foi porque antes a dei para mim mesmo; e a dei para mim mesmo porque entendi que não poderia obtê-la em universidade nenhuma.

Onde se fala de um 'consenso', é precisamente porque não há uma DEMONSTRAÇÃO CANÔNICA que encerre a discussão. Ninguém diz que a lei da gravitação universal é um 'consenso', que o teorema de Gödel é um 'consenso' ou que a refutação da geração espontânea (Pasteur) é um 'consenso'.…
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Onde se fala de um 'consenso', é precisamente porque não há uma DEMONSTRAÇÃO CANÔNICA que encerre a discussão. Ninguém diz que a lei da gravitação universal é um 'consenso', que o teorema de Gödel é um 'consenso' ou que a refutação da geração espontânea (Pasteur) é um 'consenso'. Nenhum 'consenso' é autoridade final. Autoridade final, só a DEMONSTRAÇÃO, e mesmo esta só é final dentro dos limites epistemológicos que ela pressupõe.

Só uma coisa assegura a vitória na guerra cultural: a superioridade intelectual absoluta. Sem isso, não há mais guerra cultural e sim guerra civil. *** Só a superioridade intelectual absoluta vence a guerra cultural, mas nisso o fator quantitativo não é inócuo. Como se trata es…
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Só uma coisa assegura a vitória na guerra cultural: a superioridade intelectual absoluta. Sem isso, não há mais guerra cultural e sim guerra civil. *** Só a superioridade intelectual absoluta vence a guerra cultural, mas nisso o fator quantitativo não é inócuo. Como se trata essencialmente da disputa entre dois grupos de intelectuais, a diferença do número de vozes de parte a parte pode pesar na balança.

Quando você já não busca a aprovação de qualquer meio social presente, mas de Aristóteles, de Dante, de Sto. Tomás, de Shakespeare e de Leibniz, você sabe que dela não resultará provavelmente nenhum benefício exterior, mas apenas a aquisição daquela consistência íntima, daquela s…
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Quando você já não busca a aprovação de qualquer meio social presente, mas de Aristóteles, de Dante, de Sto. Tomás, de Shakespeare e de Leibniz, você sabe que dela não resultará provavelmente nenhum benefício exterior, mas apenas a aquisição daquela consistência íntima, daquela sinceridade profunda que lhe permitirá ser de fato 'alguém', não aos olhos dos outros, mas da comunidade supratemporal do conhecimento, ainda que ao preço de tornar-se relativamente incompreensível aos contemporâneos. A partir desse momento você está habilitado a dizer como Dom Quijote: 'Yo sé quien soy' – e a opinião dos circunstantes não pode afetar em nada aquilo que você apreendeu mediante vivência espiritual direta, solitária, sem mais testemunha ou interlocutor além da comunidade dos sábios mortos. Quando Sto. Tomás de Aquino recomendava 'Tem sempre diante de ti o olhar dos mestres', ele sabia o quanto a integração da alma no diálogo supratemporal pode custar em solidão de espírito, mas também sabia que essa solidão é o único terreno onde germina o desejo de conhecer a Deus (a não ser, é claro, que o próprio Deus decida falar com você por outros meios).

Valentin Tomberg, o notável místico russo que tanto impressionou ao Hans-Urs von Balthasar, diz que, como não podemos provar o nascimento virginal de Cristo, isso é matéria de fé e não de conhecimento histórico. Mas ser matéria de fé ou de conhecimento é algo que tem de ser decid…
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Valentin Tomberg, o notável místico russo que tanto impressionou ao Hans-Urs von Balthasar, diz que, como não podemos provar o nascimento virginal de Cristo, isso é matéria de fé e não de conhecimento histórico. Mas ser matéria de fé ou de conhecimento é algo que tem de ser decidido pela constituição ontológica do próprio objeto, e não pelas limitações subjetivas do conhecedor humano em tal ou qual época. Por exemplo, a promessa da salvação é matéria de fé pela sua própria natureza (não se pode conhecer como fato histórico algo que não aconteceu ainda), mas, com os meios científicos de hoje, um nascimento virginal não seria impossível de confirmar ou negar. O de Cristo é portanto um fato histórico que a ciência da época não pôde confirmar integralmente, devendo contentar-se com a prova de razoabilidade pela análise dos testemunhos. Se ele se torna 'matéria de fé' é por motivos acidentais e extrínsecos, não pela sua própria natureza.

O machismo não é um valor, é um fato. Isso quer dizer que os machos não dominam porque são melhores, mas simplesmente porque dominam. E o macho dominante é o que tem mais fêmeas. Tente modificar isso e o máximo que você consegue é entregar todo o poder ao macho que obtiver o maio…
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O machismo não é um valor, é um fato. Isso quer dizer que os machos não dominam porque são melhores, mas simplesmente porque dominam. E o macho dominante é o que tem mais fêmeas. Tente modificar isso e o máximo que você consegue é entregar todo o poder ao macho que obtiver o maior apoio da platéia feminina. A sociedade feminista não elimina o machismo: apenas modifica os meios pelos quais ele se afirma. O homem que comanda apóia-se nas mulheres que se sentem protegidas por ele. A mulher que comanda, nos homens que a protegem. [Alexander] Kerenski, quando subiu ao poder, tentou inverter essa ordem, fazendo-se proteger por uma tropa de mulheres. O inimigo estuprou todas e o botou para correr. O igualitarismo é o mais belo truque que já se inventou para aumentar a desigualdade.

Ninguém é menos dotado do instinto da igualdade jurídica do que os apóstolos da igualdade econômica [isto é, os 'intelectuais de esquerda']. Só resta saber a causa profunda dessa deficiência. Segundo Joseph Gabel, é um tipo de doença mental, de esquizofrenia. Segundo Eric Voegeli…
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Ninguém é menos dotado do instinto da igualdade jurídica do que os apóstolos da igualdade econômica [isto é, os 'intelectuais de esquerda']. Só resta saber a causa profunda dessa deficiência. Segundo Joseph Gabel, é um tipo de doença mental, de esquizofrenia. Segundo Eric Voegelin, é uma sociopatia, uma enfermidade da esfera moral que não afeta a superfície do eu. Mas às vezes essa discussão se torna puramente acadêmica: na URSS, os esquizofrênicos e sociopatas tomaram de assalto o hospital e trancafiaram nele quem pretendesse diagnosticá-los. E é preciso ser ainda mais doido que eles para não perceber que estão querendo fazer a mesma coisa aqui.

Impor situações por meio do dinheiro, da intimidação e da propaganda, e depois apresentá-las como inevitabilidades históricas espontâneas, condenando como inimigos do progresso todos os refratários e recalcitrantes, é um truque tão velho que já começa a funcionar às avessas. Quem…
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Impor situações por meio do dinheiro, da intimidação e da propaganda, e depois apresentá-las como inevitabilidades históricas espontâneas, condenando como inimigos do progresso todos os refratários e recalcitrantes, é um truque tão velho que já começa a funcionar às avessas. Quem vem com essa conversa é como se ostentasse na testa o rótulo de vigarista.

A compreensão de todo simbolismo mitológico ou religioso depende de um certo senso das inversões. Um símbolo, por definição, não tem sentido unívoco, podendo sempre transfigurar-se em seu contrário, conforme a esfera de ser a que se aplique num contexto dado. Por isto e só por is…
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A compreensão de todo simbolismo mitológico ou religioso depende de um certo senso das inversões. Um símbolo, por definição, não tem sentido unívoco, podendo sempre transfigurar-se em seu contrário, conforme a esfera de ser a que se aplique num contexto dado. Por isto e só por isto tem força evocativa e geradora, não cabendo aprisionar na moldura de um conceito fixo aquilo que é antes, na feliz expressão de Susanne K. Langer, uma 'matriz de intelecções possíveis'.

Excluídos o heroísmo e a santidade, ser um escritor -- um escritor de verdade -- é a mais alta glória humana. Dar voz a quem não tem, dizer em palavras claras o que todos sentem no fundo obscuro de uma consciência muda, e assim devolver a cada um o domínio do seu próprio destino,…
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Excluídos o heroísmo e a santidade, ser um escritor -- um escritor de verdade -- é a mais alta glória humana. Dar voz a quem não tem, dizer em palavras claras o que todos sentem no fundo obscuro de uma consciência muda, e assim devolver a cada um o domínio do seu próprio destino, é o mais belo serviço que alguém pode prestar aos seus semelhantes. Que cargo público pode significar alguma coisa em comparação com isso?