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Frases de Olavo de Carvalho

1.382 frases

Muitos não entendem esta coisa tão simples: Colaboro com uma política que está moralmente certa sem presumir que ela seja estrategicamente sábia.
A razão é, eminentemente, senso das proporções. Quando ele falta, a incerteza resultante busca um alívio postiço imitando símbolos convencionais de equilíbrio, moderação, justiça e até bondade. Aí o fosso entre o sentimento subjetivo e a realidade objetiva pode aprofundar-se até…
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A razão é, eminentemente, senso das proporções. Quando ele falta, a incerteza resultante busca um alívio postiço imitando símbolos convencionais de equilíbrio, moderação, justiça e até bondade. Aí o fosso entre o sentimento subjetivo e a realidade objetiva pode aprofundar-se até dimensões abissais, tornando-se tanto mais intransponível quanto mais a alma se sente segura de poder atravessá-lo com a ajuda das muletas simbólicas que lhe dão a impressão enganosa de estar de acordo com o senso comum da humanidade.

O que genuinamente desejamos da vida, o nosso sonho mais profundo e verdadeiro, é um segredo que Deus só nos revela aos poucos. Enquanto não o vislumbramos, vamos confundindo-o com toda sorte de desejos copiados – os desejos miméticos como os chamava René Girard, coisas, sensaçõe…
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O que genuinamente desejamos da vida, o nosso sonho mais profundo e verdadeiro, é um segredo que Deus só nos revela aos poucos. Enquanto não o vislumbramos, vamos confundindo-o com toda sorte de desejos copiados – os desejos miméticos como os chamava René Girard, coisas, sensações e situações que mal conhecemos, das quais em geral não sabemos é nada, e que só nos parecem desejáveis porque vimos que outras pessoas as desejavam e, desprezando-nos a nós mesmos no fundo obscuro do nosso coração, imaginamos que nos sentiríamos um pouco menos miseráveis se nos tornássemos iguais a essas pessoas. Não há nada mais triste do que uma vida consagrada inteiramente à busca dessas miragens, que, quanto mais as adoramos, mais nos decepcionam.

Uma constante na minha vida foi a falta completa de estímulos intelectuais no ambiente em torno, exceto no breve período que, já cinquentão, morei no Rio e pude conviver com os últimos remanescentes da mais brilhante geração de escritores que o Brasil já teve. Na maior parte do…
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Uma constante na minha vida foi a falta completa de estímulos intelectuais no ambiente em torno, exceto no breve período que, já cinquentão, morei no Rio e pude conviver com os últimos remanescentes da mais brilhante geração de escritores que o Brasil já teve. Na maior parte do tempo, tive de tirar proveito tático dos estímulos negativos -- a estupidez circundante excita ao menos a parte feroz da inteligência. Mas hoje em dia a estupidez média de acadêmicos e jornalistas já perdeu até essa espécie de força inversa, regredindo ao estágio pré-verbal em que não se pode nem fazer dela objeto de piada, porque o nada não é satirizável. Cada vez tenho menos vontade de escrever sobre a atualidade mental brasileira. Tudo o que me interessa é dar uma redação final aos meus cursos gravados.

Leibniz, o homem mais inteligente da Europa depois de Aristóteles, ensinava que a melhor maneira de desenvolver a inteligência não era estudar ciência, filosofia ou matemática: era ver muitas figuras e ouvir (ou ler) muitas histórias. O homem cuja imaginação está presa à realidad…
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Leibniz, o homem mais inteligente da Europa depois de Aristóteles, ensinava que a melhor maneira de desenvolver a inteligência não era estudar ciência, filosofia ou matemática: era ver muitas figuras e ouvir (ou ler) muitas histórias. O homem cuja imaginação está presa à realidade imediata e não voa entre os possíveis é um escravo da mesmidade – um idiota no pleno sentido da palavra.

Se não há nada de novo a dizer sobre um filosofo de antigamente, escrever sobre ele é só uma frescura acadêmica, uma exibição de cultura para fazer currículo. Nunca escrevi sobre Platão porque Paul Friedländer, Eric Voegelin e Giovanni Reale descobriram mais coisas sobre ele do q…
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Se não há nada de novo a dizer sobre um filosofo de antigamente, escrever sobre ele é só uma frescura acadêmica, uma exibição de cultura para fazer currículo. Nunca escrevi sobre Platão porque Paul Friedländer, Eric Voegelin e Giovanni Reale descobriram mais coisas sobre ele do que o meu pobre cérebro conseguiu processar até agora. Mas creio ter descoberto umas coisinhas sobre Aristóteles, Descartes, Maquiavel e Karl Marx.

Grandes homens como Romano Galeffi, Miguel Reale, Paulo Francis e Ives Gandra da Silva Martins foram humildes o bastante para consentir em aprender comigo. Empombadinhos preferem antes permanecer burros para sempre do que admitir, por um minuto que seja, que eu sei algo que eles…
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Grandes homens como Romano Galeffi, Miguel Reale, Paulo Francis e Ives Gandra da Silva Martins foram humildes o bastante para consentir em aprender comigo. Empombadinhos preferem antes permanecer burros para sempre do que admitir, por um minuto que seja, que eu sei algo que eles não sabem. É um espetáculo patético, e eles nem se vexam de repeti-lo de tempos em tempos, com iguais e nulos resultados.

Na lista das minhas obras inéditas, nem incluí, para evitar discussões extemporâneas, os seis volumes do 'Tratado de Astrocaracterologia', que, ao contrário do que imaginam os palpiteiros ignorantes, não é uma obra 'de' astrologia (nunca escrevi uma) e sim 'sobre' astrologia, uma…
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Na lista das minhas obras inéditas, nem incluí, para evitar discussões extemporâneas, os seis volumes do 'Tratado de Astrocaracterologia', que, ao contrário do que imaginam os palpiteiros ignorantes, não é uma obra 'de' astrologia (nunca escrevi uma) e sim 'sobre' astrologia, uma obra de filósofo e não de astrólogo.

"As épocas luminosas da História são aquelas em que um mesmo corpo de crenças é compartilhado pelo povo e pelos sábios, diferindo apenas no grau de compreensão refletida com que apreendem substancialmente as mesmas verdades. Nas épocas de obscuridade, ao contrário, aquilo que os…
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"As épocas luminosas da História são aquelas em que um mesmo corpo de crenças é compartilhado pelo povo e pelos sábios, diferindo apenas no grau de compreensão refletida com que apreendem substancialmente as mesmas verdades. Nas épocas de obscuridade, ao contrário, aquilo que os estudiosos sabem se torna dificilmente comunicável à população em geral, não por um mero descompasso de vocabulário técnico, mas por um abismo de diferença entre duas concepções do mundo mutuamente incompatíveis e intraduzíveis. É numa dessas épocas que vivemos. Os 'meios de difusão' tornaram-se 'meios de ocultação' numa escala tal que já não há nenhum exagero em dizer que a mídia popular tem hoje por missão principal ou única tornar a verdade inverossímil ou inalcançável. Qualquer pessoa que tenha os jornais e a TV como sua fonte principal de informações está excluída, in limine, da possibilidade de julgar razoavelmente a veracidade e a importância relativa das notícias. A política tornou-se um assunto esotérico, em que somente um reduzido círculo de estudiosos pode atinar com o que está acontecendo." (Diário do Comércio, 6 de dez. de 2012)

Se conhecer a verdade na sua fórmula universal e genérica bastasse, seja para a sabedoria na vida, seja para a salvação da alma, Jesus não teria se encarnado na forma de um indivíduo humano singular, concreto e vivo. Bastaria que enviasse um livro, como no Islam. E nesse caso Ele…
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Se conhecer a verdade na sua fórmula universal e genérica bastasse, seja para a sabedoria na vida, seja para a salvação da alma, Jesus não teria se encarnado na forma de um indivíduo humano singular, concreto e vivo. Bastaria que enviasse um livro, como no Islam. E nesse caso Ele não teria dito: 'EU sou a Verdade'. Ele diria, como no Islam: 'A Verdade é o Livro.' A verdade só existe na intuição da realidade concreta e viva por um ser humano concreto e vivo, no momento em que essa intuição acontece. Tudo o que está escrito é apenas o registro de atos de intuição já acontecidos, que têm de ser REVIVIDOS para tornar-se verdades de novo. A verdade é uma PRESENÇA, não uma proposição, uma coisa dita ou escrita. Isto mesmo que estou escrevendo, expressando uma intuição que tenho, e que no momento é verdade na minha consciência, só será verdade de novo quando você, depois de ler o que escrevi, intuir a mesma coisa que intui, com a mesma evidência gritante que tem para mim agora. O reconhecimento da identidade de duas proposições — base de todo o raciocínio lógico — é um ato intuitivo, não um mero 'pensamento'. Apenas a sua MATÉRIA se constitui de pensamentos. Embora as proposições tenham de ser pensadas, a identidade delas não existe só no pensamento. Se não fosse assim, a própria distinção de intuição e pensamento seria impossível. A mente produz, cria, constrói os pensamentos, mas INTUI as relações entre eles. Intuir é o mesmo que perceber, com a ressalva de que este último verbo se usa mais com relação às percepções de objetos sensíveis. Basta meditar um minuto na sentença de Jesus, 'EU sou a Verdade', para entender que a Verdade é uma Pessoa, uma Presença, não uma proposição ou seqüência de proposições. Mas, para esse minuto chegar, às vezes é preciso esperar uma vida inteira.

A democratização da cultura é sempre uma política autocastradora. Num primeiro momento ela consiste em distribuir entre as massas os bens culturais mais altos antes desfrutados só por uma elite, mas logo em seguida as massas não aceitam mais os bens culturais escolhidos pela elit…
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A democratização da cultura é sempre uma política autocastradora. Num primeiro momento ela consiste em distribuir entre as massas os bens culturais mais altos antes desfrutados só por uma elite, mas logo em seguida as massas não aceitam mais os bens culturais escolhidos pela elite e passam elas próprias a escolher os bens que desejam. O resultado é que voltam a consumir os mesmos bens inferiores que recebiam antes da democratização, ou outros ainda piores. Os bens mais altos voltam a ser privilégio de uma elite, não porque sejam sonegados às massas, mas porque as massas não os desejam. Isso é universal e inevitável.

Tenho usado bastante a distinção entre 'hegemonia intelectual' e 'hegemonia cultural'. A primeira é a posse monopolística do repertório de idéias em circulação. A segunda é o domínio dos meios materiais de transmissão da cultura (publicações, instituições, hierarquias funcionais,…
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Tenho usado bastante a distinção entre 'hegemonia intelectual' e 'hegemonia cultural'. A primeira é a posse monopolística do repertório de idéias em circulação. A segunda é o domínio dos meios materiais de transmissão da cultura (publicações, instituições, hierarquias funcionais, verbas etc.). A hegemonia intelectual da esquerda está destruída e não pode ser refeita. A hegemonia cultural, no entanto, embora corroída aqui e ali, ainda se conserva ativa e influente. Em parte, a tempestade de maledicência furiosa que se viu nas últimas semanas já é o efeito de uma hegemonia cultural desprovida de hegemonia intelectual: a força bruta do aparato simulando com esgares e rosnados uma superioridade intelectual perdida para sempre.