Pular para o conteúdo

Frase de Olavo de Carvalho

Se conhecer a verdade na sua fórmula universal e genérica bastasse, seja para a sabedoria na vida, seja para a salvação da alma, Jesus não teria se encarnado na forma de um indivíduo humano singular, concreto e vivo. Bastaria que enviasse um livro, como no Islam. E nesse caso Ele não teria dito: 'EU sou a Verdade'. Ele diria, como no Islam: 'A Verdade é o Livro.' A verdade só existe na intuição da realidade concreta e viva por um ser humano concreto e vivo, no momento em que essa intuição acontece. Tudo o que está escrito é apenas o registro de atos de intuição já acontecidos, que têm de ser REVIVIDOS para tornar-se verdades de novo. A verdade é uma PRESENÇA, não uma proposição, uma coisa dita ou escrita. Isto mesmo que estou escrevendo, expressando uma intuição que tenho, e que no momento é verdade na minha consciência, só será verdade de novo quando você, depois de ler o que escrevi, intuir a mesma coisa que intui, com a mesma evidência gritante que tem para mim agora. O reconhecimento da identidade de duas proposições — base de todo o raciocínio lógico — é um ato intuitivo, não um mero 'pensamento'. Apenas a sua MATÉRIA se constitui de pensamentos. Embora as proposições tenham de ser pensadas, a identidade delas não existe só no pensamento. Se não fosse assim, a própria distinção de intuição e pensamento seria impossível. A mente produz, cria, constrói os pensamentos, mas INTUI as relações entre eles. Intuir é o mesmo que perceber, com a ressalva de que este último verbo se usa mais com relação às percepções de objetos sensíveis. Basta meditar um minuto na sentença de Jesus, 'EU sou a Verdade', para entender que a Verdade é uma Pessoa, uma Presença, não uma proposição ou seqüência de proposições. Mas, para esse minuto chegar, às vezes é preciso esperar uma vida inteira.

Olavo de Carvalho

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Olavo de Carvalho

Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre.
O sentimento segue aquilo que amamos. Se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou con…
Continuar lendo

O sentimento segue aquilo que amamos. Se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer um dos dois, é preciso aprender a escolher os objetos de amor – e o critério dessa escolha é: Quais são as coisas que, se dependessem de mim, deveriam durar para sempre? Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre.