Por ai ando eu, o velho guerreiro que nada conquistou Atravessou dunas, fortes e fronteiras e nada amealhou Por demérito ou não só sei que nada alcancei
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Por ai ando eu, o velho guerreiro que nada conquistou Atravessou dunas, fortes e fronteiras e nada amealhou Por demérito ou não só sei que nada alcancei Por mais que tentasse, por mais que me esforçasse Já a vida se esgotava, já o nosso amor se gelara Por estas ruas vagueio Com as mãos cheias de nada Nem cicatrizes de guerra marcadas na minha face Nem feridas fechadas outrora infetadas Infelizmente liberto da prisão do teu olhar que tanto me acomodei Por esses teus olhos que tanto sofri e chorei Por dunas arenosas caminhei E em altas montanhas guerrilhei Como é possível um soldado tenaz, bravo e provocador Tenha acabado sendo apenas mais uma notícia de rodapé na nossa História? Alguém que por quem tudo lutou? Acabou aqui no fundo deste antro Desta vala comum onde sou apenas mais um cadáver sem alma Que nunca voltará a renascer das cinzas Nunca verá um amanhecer Embora voltará a amanhecer Pois sou apenas um velho conquistador No apogeu da minha insignificância Voltará a amanhecer Um novo amor irá florescer Um sorriso no teu rosto irá reaparecer E eu? E eu serei só uma árvore podre e velha Que já possuiu um verde exuberante Mas, o Inverno chegou impiedoso E limpou todas as folhas de esperança que permaneciam fortes E o verde de vida ceifou A vida que em mim habitava, cegou e sufocou E fiquei esta apática e triste arvore Despida de sentimentos, de cor, de sorrisos e de amor