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Frases de Noémia de Sousa

7 frases

Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos quiseram cantar teus encantos para elas só de mistérios profundos,
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Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos quiseram cantar teus encantos para elas só de mistérios profundos, de delírios e feitiçarias... Teus encantos profundos de Africa. Mas não puderam. Em seus formais e rendilhados cantos, ausentes de emoção e sinceridade, quedas-te longínqua, inatingível, virgem de contactos mais fundos. E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual, jarra etrusca, exotismo tropical, demência, atracção, crueldade, animalidade, magia... e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias. Em seus formais cantos rendilhados foste tudo, negra... menos tu. E ainda bem. Ainda bem que nos deixaram a nós, do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma, sofrimento, a glória única e sentida de te cantar com emoção verdadeira e radical, a glória comovida de te cantar, toda amassada, moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE

Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço. Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines, viemos do outro lado da cidade
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Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço. Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines, viemos do outro lado da cidade com nossos olhos espantados, nossas almas trançadas, nossos corpos submissos e escancarados. De mãos ávidas e vazias, de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo, de corações amarrados de repulsa, descemos atraídas pelas luzes da cidade, acenando convites aliciantes como sinais luminosos na noite. Viemos ... Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba, do sem sabor do caril de amendoim quotidiano, do doer espáduas todo o dia vergadas sobre sedas que outras exibirão, dos vestidos desbotados de chita, da certeza terrível do dia de amanhã retrato fiel do que passou, sem uma pincelada verde forte falando de esperança.

Súplica Tirem-nos tudo, mas deixem-nos a música!
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Súplica Tirem-nos tudo, mas deixem-nos a música! Tirem-nos a terra em que nascemos, onde crescemos e onde descobrimos pela primeira vez que o mundo é assim: um labirinto de xadrez… Tirem-nos a luz do sol que nos aquece, a tua lírica de xingombela nas noites mulatas da selva moçambicana (essa lua que nos semeou no coração a poesia que encontramos na vida) tirem-nos a palhota ̶ humilde cubata onde vivemos e amamos, tirem-nos a machamba que nos dá o pão, tirem-nos o calor de lume (que nos é quase tudo) ̶ mas não nos tirem a música!

Lição Ensinaram-lhe na missão, Quando era pequenino:
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Lição Ensinaram-lhe na missão, Quando era pequenino: “Somos todos filhos de Deus; cada Homem é irmão doutro Homem!” Disseram-lhe isto na missão, quando era pequenino. Naturalmente, ele não ficou sempre menino: cresceu, aprendeu a contar e a ler e começou a conhecer melhor essa mulher vendida ̶ que é a vida de todos os desgraçados. E então, uma vez, inocentemente, olhou para um Homem e disse “Irmão…” Mas o Homem pálido fulminou-o duramente com seus olhos cheios de ódio e respondeu-lhe: “Negro”.

⁠Canção Fraterna Irmão negro de voz quente o olhar magoado,
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⁠Canção Fraterna Irmão negro de voz quente o olhar magoado, diz‑me: Que séculos de escravidão geraram tua voz dolente? Quem pôs o mistério e a dor em cada palavra tua? E a humilde resignação na tua triste canção? Foi ávida? o desespero? o medo? Diz‑me aqui, em segredo, irmão negro. Porque a tua canção é sofrimento e a tua voz sentimento e magia. Há nela a nostalgia da liberdade perdida, a morte das emoções proibidas, e a saudade de tudo que foi teu e já não é. Diz‑me, irmão negro, Quem fez a vida assim… Foi a vida? o desespero? o medo? Mas mesmo encadeado, irmão, que estranho feitiço o teu! A tua voz dolente chorou de dor e saudade, gritou de escravidão e veio murmurar à minha em alma ferida que a tua triste canção dorida não é só tua, irmão de voz de veludo e olhos de luar. Veio, de manso murmurar que a tua canção é minha