Pular para o conteúdo

Frase de Noémia de Sousa

⁠PORQUÊ Por que é que as acácias de repente floriram flores de sangue? Por que é que as noites já não são calmas e doces, por que são agora carregadas de electricidade e longas, longas? Ah, por que é que os negros já não gemem, noite fora, Por que é que os negros gritam, gritam à luz do dia?

Noémia de Sousa

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Sangue negro: poesia (2011). | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Noémia de Sousa

A minha dor Dói a mesmíssima angústia
Continuar lendo

A minha dor Dói a mesmíssima angústia nas almas dos nossos corpos perto e à distância. E o preto que gritou é a dor que se não vendeu nem na hora do sol perdido nos muros da cadeia.

Lição Ensinaram-lhe na missão, Quando era pequenino:
Continuar lendo

Lição Ensinaram-lhe na missão, Quando era pequenino: “Somos todos filhos de Deus; cada Homem é irmão doutro Homem!” Disseram-lhe isto na missão, quando era pequenino. Naturalmente, ele não ficou sempre menino: cresceu, aprendeu a contar e a ler e começou a conhecer melhor essa mulher vendida ̶ que é a vida de todos os desgraçados. E então, uma vez, inocentemente, olhou para um Homem e disse “Irmão…” Mas o Homem pálido fulminou-o duramente com seus olhos cheios de ódio e respondeu-lhe: “Negro”.

Súplica Tirem-nos tudo, mas deixem-nos a música!
Continuar lendo

Súplica Tirem-nos tudo, mas deixem-nos a música! Tirem-nos a terra em que nascemos, onde crescemos e onde descobrimos pela primeira vez que o mundo é assim: um labirinto de xadrez… Tirem-nos a luz do sol que nos aquece, a tua lírica de xingombela nas noites mulatas da selva moçambicana (essa lua que nos semeou no coração a poesia que encontramos na vida) tirem-nos a palhota ̶ humilde cubata onde vivemos e amamos, tirem-nos a machamba que nos dá o pão, tirem-nos o calor de lume (que nos é quase tudo) ̶ mas não nos tirem a música!

Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço. Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines, viemos do outro lado da cidade
Continuar lendo

Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço. Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines, viemos do outro lado da cidade com nossos olhos espantados, nossas almas trançadas, nossos corpos submissos e escancarados. De mãos ávidas e vazias, de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo, de corações amarrados de repulsa, descemos atraídas pelas luzes da cidade, acenando convites aliciantes como sinais luminosos na noite. Viemos ... Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba, do sem sabor do caril de amendoim quotidiano, do doer espáduas todo o dia vergadas sobre sedas que outras exibirão, dos vestidos desbotados de chita, da certeza terrível do dia de amanhã retrato fiel do que passou, sem uma pincelada verde forte falando de esperança.