A mulher astuta não é uma questão de ser
É a que domina as humanas e exatas em um simples olhar
É frígida quando tem que ser
Plena quando em si, permite-se exceder.
Amo pessoas de olhar bonito
Que movem os seus pés
Sorriem com riso de alma
Cumprimentam sereno e tão somente
Os que mantém a cultura
Fortalecem a voz do outro com o silêncio
Propõem diálogos saudáveis
Recordam os valores
Trazem consigo saberes, intenções
Sustentam reflexões
Vão além dos credos, das classes
Dançam e fazem dançar
Estão presentes mesmo sem ser para ficar
Que têm que partir sem saber para onde ir
São sós, estão sós
Choram, flutuam, voam
E inocentemente tristes
Me fazem sorrir
Numa boa.
Eles foram os primeiros
Habitaram, trabalharam, cuidaram
Fizeram renascer
A flora, a fauna
Moveram, cresceram, prosperaram
Os seus filhos são luz
O seu suor sagrado
Andam juntos
E até hoje vivem e sonham
Nos quatro cantos desse Brasil
Todos os dias é o seu dia
Eles não são diferentes
São iguais
Hoje é apenas mais um
A comemorar rio, canoa
Peixes, raízes
E por que não?
Evolução, sabedoria
Realidade, inclusão
Formação, globalização.
Quem te descobriu?
Oh terra vista
Tão linda tu és
Transbordas beleza
Com toda a sua natureza
Homens, rios, luz
Sol, selva, mar
Nação guerreira, gente que faz
Felizes são os seus filhos
Que mesmo em plena escuridão
Levantam cedo e vão à luta
Alimentam-se também de sonhos
Clamam por justiça
Zelam por punição
E que esta não seja apenas para os desfavorecidos
Mas alcance a autarquia
Os plenários e as bancadas
E quem sabe um dia os culpados sejam condenados
Para assim fazer valer cada folha que cai
Cada nascente que vai
Todo sol, todo o luar
Que nasce, inebria
Fazendo quem chega às cinco regiões do Brasil
Comemorar em cada chegada
E prorrogar cada partida
Sem fazer dela jamais uma despedida.
Nunca mais ouvi o sino daquela igreja bater. Era 07:00, chovia. A rua estava em silêncio. No céu cinzento não havia pássaros, apenas um imenso cobertor sem cor que cobria as árvores.
Aquele momento fez tudo parar, me permitindo lembrar que o que encanta é o toque, depois o silêncio. Dois extremos: um desperta, o outro faz sonhar.
Baby
É você quem reflete no meu espelho
Meigo menino
Fazendo o melhor lugar
Ser onde você está
Mesmo apressado
Sem tempo para ouvir
O jazz da Wine
O piano do John
O blues da Nina
A guitarra do Pink
Sentes quem sou eu
Quando a canção que toca
Deixa o nosso mundo em paz
Chega em nós
Maciez do caju
Jabuticaba sabor
Tangerina em flor.
As Várias Performances do Homem
Ora alegre, outrora triste
Aterrorizado, maltratado pelo próprio estímulo
Venturoso, glorioso com a vida
Segue o fluxo no tão corrido trilho
Muitos sem rumo seguem
Tentando achar seu destino
Viram o mundo de ponta a cabeça
Trazem consigo peso, fardo, tempo perdido
Deitam, dormem, levantam
E já abertos os seus olhos
Apenas enxergam aquele sonho nascido
De dentro de cada personagem vivido
José, Roberto, João
Carlos, Luiz, Genésio, Falcão
Janaína, Maria, Sofia
Marta, Bruna, Cássia, Luzia.
Alcançar e ver do alto os seus sonhos
Mesmo andando a trepidar
Nada é capaz de retirar a ponte
Dos pés do andarilho perseverante
Do homem que voa
E reconhece o seu lugar.
Ser Diferente é a Arma do Combatente
Nem sempre espinhos cravados ferem a pele
Às vezes são respeito, recanto, proteção
É tornar o ser peculiar
Vitorioso, reconhecido, destemido
Cada um carrega suas marcas
Cabe ao visionário percebê-las
Identificá-las como tamanha fortaleza
A grande diferença
A estranheza da beleza singular.
Nem adianta falar mais de uma vez
Quando o contrário se quer
E se o querer é tanto
Quanto um campo com bolas de neve
Ao insistir você se torna um sapato branco
Sapateando na lama escura da rua 7
Eu te disse não quero
Assim, você por mim passa
Procurando então me achar
Volta pelo mesmo caminho
Observando o chão
Como quem quer encontrar a moeda da sorte
Que nunca esteve na sua mão.
O Machucado Que Ofende o Sabonete
A justa razão de alguém nascer já justifica o esperar por acontecimentos, por isso muitas vezes não devemos dar tanto valor ao caos inevitável.
Nascer, crescer, viver. Fatores que contribuem para o "mal necessário" existir, estar alí.
Mas o que é mesmo necessário para que não xinguemos o sabonete que cai das nossas mãos? Penso o quanto é irracional culpar o outro pelos nossos desmazelos, pois se esquecemos de orar, enfiamos o pé na lama e permitimos as escoriações nos sabonetes da vida, a culpa é exclusivamente nossa.
Dominando os meus sonhos, ele vem
Com seu toque suave
Firma seus largos ombros
Pega em minha mão
Esse amor é discreto
Maquiagem suave
Cheirinho de talco
Alecrim, champignon
Não sei quem mais sabe
Que por trás da minha imagem
Ele vive a entoar
Aquele clássico Mozart
O ritmo mais inspirado do meu coração.
Amor em Lugares Submersos
Ao mesmo tempo inspira e assusta
Como um suave toque
Que de repente se torna forte
Necessário, preciso
Na determinante braçada final do competidor
Aquilo que não se conta
E ainda nem está escrito.
O Que Vem de Ti
Você, lindo menino
Botânico, tão natureza
Decorado ambiente
Fino, colorida estampa
Contigo segue o baile
Me convidas para uma dança
Mas não sei dançar
Aproveito pra te olhar
E me vejo em ti
Nessa íris caramelada
Mel, amêndoa, laranja adocicada.
As Duas Grandes Potências: O Amor e o Ódio
Sentimentos que lutam para sobreviver
Mesmo aos pedaços dentro de cada ser
Então nos resta saber
De qual deles se esquivar
Qual nutrir, alimentar
Ou como ir embora e disso tudo se livrar
Quando procurar a chave
Para enfim libertar
Essa coisa que pulsa, queima, entontece
Que por vezes os nossos nervos estremece.
Estar tão longe
Em outro lugar
Andando em asfalto
Ou estático no decolar do avião
Esse pedaço de ti em mim
Vestido, capa transparente
Enraizado, protegido
Insuprimível
Nos explica o bom da vida
Paz, amor, realização.
Lua nova, foi você
Que mesmo estando pela metade
Aquele caminho iluminou?
Disfarcei, nem quis te ouvir
Pois sei que brilhaste não para alumiar
Mas sim para tornar notável a sua presença
E fazer todo ser sensível te contemplar
Olhar pro céu e contigo sonhar.
Ele delirou sem ter febre
Quando olhou no espelho
E viu a imagem da sua fada
Era noite, quando ela iluminou a sala
O seu reflexo tinha pressa
Te trouxe uma frase escrita
Um beijo, descrevia um certo cuidado
Flash de coração envolvido
Marcas de pneu, gritos incontidos
Anos, viagem, passado
Luar, sessões, cinema
Batom, sorrisos
Sinceras lembranças, saudades
O minuto final chegou
Ela enfim, partiu
Cantando aquela canção
Deixando aquele vão, as coisas, o então...
As Chaves de Fendas Que Não Desapertam os "Nós"
É o dedo que aponta um deslize de quem se ama
A mágoa que insiste em permanecer após um pedido de perdão
O tapa na face do filho que chegou tarde e não avisou
O receio de novamente errar e o não querer mais tentar
A conspiração sobre o menino que ainda não aprendeu a ser "grande"
O descontrole ao traçar o próprio destino
A desculpa de não ter tempo para caminhar
O não querer dar, com medo de não receber
A insistência em lutar contra o que realmente se quer de verdade
A permissão dada à mesmice para que não seja necessário mudar o time perdedor.
Assim seguimos, levando nas costas uma caixa de ferramentas insalubres, alimentando o improvável sonho de consertarmos os desajustes da vida.
Voar ou andar?
Usar os olhos ou o faro?
Ter leves penas ou ser encoberto por pelos?
Não importa! O importante mesmo é ter coragem para enfrentar os desafios lançados pela vida.
É ter um voo lúcido e firme diante de um mar de impurezas alheias
Andar com os pés descalços e não sentir ardor ao pisar nos pedregulhos do desamor
É ver transparência ao olhar pela janela nublada a chuva incessante da ingratidão
Farejar as melhores essências nos maus-gostos da vida
É ter a suavidade ao tocar o "nu" dos desalmados
Usar o céu como cobertor para acalmar assim o desconforto e o peso da dor.
Contemplar e Viver ou Desesperar-se?
A paisagem é a mesma faça chuva ou faça sol, mas o que vale a pena mesmo nessa vida é aproveitar o que há de melhor nos "riscos eminentes". E eu prefiro mesmo é contemplar, sabe? Às vezes, viver desafiando os medos, as fragilidades e os possíveis desmoronamentos nos torna bem mais atentos e dispostos a não mudarmos de lugar, mesmo quando o anúncio das tempestades sobrevêm.
A Garota do Inverno
Ela não é triste
Apenas introspectiva
Percebe a vida como um passaporte, lenta
Segue sem ser notada
Timidamente passa
Seu olhar sério, disfarça
Intuitiva
Ela aguça o pensamento
Do menino que se ofereceu
A vir te encontrar
Junto ao frio tempo
Por ela se fazer encantar
Mas tijolo não revida
E ele tolo
Tão mal pensou
Achou que ela
Por ti se interessou
O seu desejo congelado
Em água se transformou
Acordou, não era o "tal"...
Por si só se convenceu
Que nem sempre tentar
É a melhor forma de conquistar
Mas quem sabe se deixar o inverno passar...
Um foco. Dois caminhos
A mesma entrada
O mesmo ponto de partida
E assim para um seguir
Precisa com o outro estar em sintonia
Início, chegada
Se na frente um lado parte
De imediato o outro atrasado
Corrompe, entorta, amassa
Desanda, estraga
Fere a arte.