Hoje te vi nascer
Junto com os pinguinhos da chuva
Era manhã, cedinho
Na companhia do mar
Maresia
E em meu percurso
Com a frieza batendo na face
Você me contou
Te trouxe sorrisos
Detalhes do meu mundo
Onde muitos por mim passam despercebidos
Você chegou
Estive a esperar por esse dia
Com a pontinha do meu indicador
Desenhei o seu nome no espelho
Já nublado
Não permiti que o tempo apagasse
Te protegi do descontrole do vento
E enfim te gravei em mim
Passaram as estações
Você pairou por outros hemisférios
E hoje retornou
Cedo me acordou
Trouxe chuva, preguiça
Uma sensação de "você"
Ergueu a grandiosa nave
Se convidou a me proteger
De junho a setembro
E depois, novamente voltar
Trazendo flores, primavera
Um buquê de tulipas amarelas.
Desafio Inóspito
Quem te plantou, oh semente
Te percebi andando por aí
Parei e não pude deixar de observar
A sua força, a sua intrepidez
Os desafios que a vida te fez enfrentar
Tentando a sua timidez aguçar
Nascida, crescida, hoje você é vida
Desafiando as percepções
Contradizendo as razões
De quem em ti não acreditava
Achando que jamais seria notada.
O Shampoo Sempre Termina Antes
Justamente! Primeiro é preciso lavar, massagear, eliminar a sujeira, aliviar o peso da moleira, para só depois condicionar e confortar os poros, pois para respirar o ar benéfico precisamos estar de coração limpo e com a alma leve.
Ninguém jamais conseguirá adentrar no mundo dos sonhos sem antes conseguir eliminar as crostas da alma. É imprescindível passar por uma limpeza caprichada. O contrário é antiestético, séptico.
Então, vamos deixar escorrer pelo ralo tudo o que nos causa esqualidez, ardência e pruridos, para que assim tenhamos mil razões para prosseguir em busca dos nossos objetivos.
Eu te Levei Comigo Amor Amigo
Quando você foi visitar o Japão
Me senti tão frio
Uma folha caindo
Sopro do vento
Levando o barro
Vivi um tormento
Aquele pingo de tinta que cai
E não se vê parte da pintura
Um navio a beira mar
Viajante acenando pra quem lá não está
Só fui alí
Iluminar o oriente
E comigo te levei
Bem, grande bem
Desde a temporada das flores
Até a grande geada
Lá na imensidão do monte.
Qual o Desafio do Século?
Para muitos é controlar um vulcão em plena erupção, diminuir o desejo das lobas fêmeas em pleno cio, tornar retornar à torneira os pingos d'agua desperdiçados.
Já para outros, seria ter um dia de aconchego em seu lar, acalentar os seus filhos e pô-los para dormir, tomar uma xícara de chá com um amigo no final da tarde, sentar-se no sofá e uma fileira de chocolate degustar.
Assim, temos feito os nossos dias improváveis, não querendo calçar sapatos para não ser necessário justificar os calos nos pés, evitando sorrir para não fazer esforço em vão, afinal devemos viver para ganhar dinheiro e não permitir "perdas de tempo".
Diante de tanto caos, estamos eliminando de nós o racional, desfalecendo o "pensar" e desesperançando o se perceber como ser humano: cabeça, corpo e membros.
Assim ele surge
Mesmo seguindo um destino congelado
Mantém-se firme em sua jornada
Sobre os trilhos encobertos
Sem medo de trepidar
E por fim descarrilar
Preparado não desiste
Segue radiante
Deixando para trás paisagens Passagens dos que perderam a hora Saudades dos que ficaram
E acenaram pra ti antes da aurora.
O Viver Pelo Olhar
Em meio ao imenso vazio dos altos montes
Ela alí está
Divinamente se faz presente
Mesmo opaca, reflete
Faz o andarilho imaginar
Com quem viveu
A quem protegeu
Quando teve fim o seu apogeu
E nessa estrada
Chão, barro
Cheiro de mato
Quem dera
A sua porta não aberta adentrar
Chegar, cumprimentar
Fazer sorrir
Dizer sim, ficar
Quando anoitecer
O céu azul contemplar
E se chover
Correr
Embaixo dela me proteger
Esperar amanhecer e reconhecer
Que toda a sua beleza existe Independente do sol nascer.
Pois sei que nunca foste o "acaso"
E sim aquela grande fase
Que traz consigo recados
Contos, linhas à parte
Logo que abri o passaporte
Havia um convite seu
Assim parei, sorri
Senti você intrigado por mim
Não sabias que já te percebia
Preferiste continuar sem acreditar
Respostas, propostas, apostas
Aquele filme Hollywood
Lançamento
Repleto de fundamentos
Grande clássico
Digno de aplausos
Foi o tão esperado lançamento
E é assim o final de cada etapa
Cada vida segue seu passo
Quem sabe o solene dia virá
Para relembrar a abertura das bilheterias
A emoção do seu fiel público
A gloriosa estreia do seu grande elenco
Sem palco, poltronas, cortinas
Apenas duas vidas recordando o que não lhes foram apagados pelo tempo.
A verdadeira arte não agrada, eleva.
Assim como o amor é uma arte
Desvendando os mistérios da vida
O ser humano capaz de amar
Elevado está
Músculos, vértebras
Corpo, alma
Por isso, não ame para agradar
E sim para reconstruir-se
Enaltecer-se
Se perceber como uma semente
Que cai, morre, é absorvida
E quando menos se espera
Desenvolve, germina
Novamente recriando o seu percurso de vida.
O domingo passou
Segunda, a chuva presenteou
Com ela mais uma chance
De limpar os vidros da janela
Do lugar onde mora o coração
Que a correnteza desobstrua os trilhos da alma
Firme a brancura dos risos amarelos
Enrugue a pele dos intolerantes
Expulse a sujeira dos tratantes
Que nesse dia que começa
Os gritos sejam tempestuosos
Os passos triunfantes
Brilhem os olhos "coloridos"
Vejam em breve o fim glorioso
De todo esse esforço acometer
Os tolos que no poder
Insistem permanecer.
Nessa foto colorida
Sem camisa, me revelas
Tão menina, tão donzela
Mais intensa, mais mulher
Me conserto
Desconserto
Com os teus botões
Já não sossego
Quando vejo o que por trás
E esse pelo tão voraz
Desse homem nada frágil
Vento leva, vida vai
Viva a via
Que me leva
Sua magia
Me atrai
Esse cheiro que irradia
Docemente me refaz
Você é quem traz
Uma sensação de paz
Jardim, pomar
Cavaleiro em seu movimento
E o cabelo da moça
Esvoaçando ao vento
Oh brisa suave
Por mim se abale
Chega mais perto
Me convide para um "acalme"
Ao cair da noite
Na companhia do cais
Por ti os barquinhos balançaram
Nublou mas não descoloriu
O dia escuro surgiu
Sem "colos", sólidos, frios
Pardais se encontraram
Enfeitaram a paisagem
Mas dali, logo se ausentaram
Voaram ao norte
Trouxeram o cinza
Caiu a tempestade
Mudou todo o clima.
Cores...
As flores de maio
Já tingiu
Realçou o branco
Deu vida ao preto
Passou a dor do luto
O amor por si só, vai superar
Já já te farei o meu bem
Conversas, risos, casos
Besteiras, delongas
Cumpra a pena da altivez
Resgate o seu sorriso
A ele diga: Sim!
Torne a vida fácil, não frágil.
Ainda hoje andando pela rua me deparei com um motor homes antiquíssimo.
Apesar de ser um objeto deteriorado pelo tempo, ele ocupava um espaço naquele lugar. Mesmo não iluminando mais, os seus faróis eram originais e estavam alí.
A placa apesar de ilegível, ainda o identificava e permanecia no seu lugar específico.
Suas janelas por osmose viviam abertas. Através delas corria o vento, a corrosão do tempo.
Os pneus apesar de desgastados, ainda o sustentavam.
Conquanto "ele" chamou-me a atenção por seu detalhe singular, por seus cortes únicos, pela segunda capa que o protegia: A poeira.
Assim devemos seguir...
Apesar do descontrole dos dias e da mudança do tempo, ora produtivos, outrora temíveis devemos estar observando, sendo observados e deslumbrar a quem nos olha.
E mesmo que para muitos estejamos passados de fase, ultrapassados no ciclo de vida, digamos:
Muito prazer! Eu existo!
Vou com você
Não tenha medo
Segure minha mão
Acalme seu coração
Pode sorrir
Você vai ver
Tudo vai florir
É só ir lá
Entrar, ficar
E o amanhã?
Ele já está
Chegou para ficar
Me deixou perceber
Que será muito bom contigo estar
Por isso levante
Apresse o passo
Se perca, se encontre
Se enrole nos laços
Se veja diante
Do meu abraços
Você é frágil, mas não é um brinquedo
Canta para encantar
Dorme cedo, contigo me faz sonhar
E de manhã sorri pra mim
Visita meu jardim
Constrói meu camarim
Simplesmente me faz dançar
Nas belas tardes
Oh tardes eternas
Cheia de tulipas amarelas
Perto de ti já não me sinto tão donzela
Te olho, em ti me decalco
Sua expressão é minha emoção
O seu colorido, mexe comigo
E em cada linha, cada passo
Por ti perco o passo
E feliz em ti, me embaraço.
Um girassol para as camaradagens desarticuladas.
Quem sabe um dia
A vida nos permita
Entre essas idas e vindas
Trocarmos nossos telefones
E amanhã então
Estejamos juntos alí
Andando...depois descansando
E se cansarmos
Em algum lugar
Sentar para descansar
Depois novamente caminhar
Dar nós em paralelas
Sem ter hora pra voltar...
O amor que sinto é cobiçado
Livre, ele segue independente
Firme, às vezes enfrenta seu próprio inconsciente
Tem luz própria
Assim ilumina a ingratidão que lhe condena
Caminha sem trepidar
Desafia o seu desandar
Sobe, desce vales sombrios
Onde constantemente é surpreendido
Pelos desafios
Perdendo o olhar que um dia lhe sorriu
Desacredita, desabona
Mas se consola
No que restou talvez
Da insensatez dos desejos incontidos
Das loucuras dos "querês" proibidos.
Seu olhar é pleno
Mesmo em dia nublado
As gotas d'agua lubrificam
Tornando límpido o que estava "barro"
Decoras o mundo
Com esse rosto céreo
Seus cristais...
Intensamente fúlgidos
Me olham
Se veem
De dia invadem o nosso lugar
À noite tingem a lua
Ditam frases ao novilúnio
Dobram as nuvens
E por mim flutuam.
Quando você entornar as suas águas
O que ainda não nasceu
existirá.
O que estiver repousado
vai jornadear.
O que ainda não floresceu
brotará.
O que estiver sem início
vai surgir.
O que ainda nem formou
vai se apresentar.
Num belo palco
com plateia e holofotes
Dando o melhor só para te ver passar.
Bares Cheios, Lares Vazios
O homem já desconhece
Família, aconchego, valor
Rodeado de vagas amizades
Em casa se sente preso
Prefere as rodinhas da discussão
Futebol, política, religião
Farrinha, babinha
Banquinhos, copinhos
Que retirou o domingo feliz
Do filhinho que o esperava
Pra com ele ir ao parquinho
Já era noite quando voltou
Cansado e depressivo entrou
Nenhuma palavra mencionou
A quem por ele o dia inteiro esperou.
Saia do casulo
Se torne acessível
Como uma linda rosa
No jardim da prosa
Empreste seu acervo original
A quem por ti procura
Seja a arte do escritor
Mesmo que os espetos lhe causem dor
A vida é joia em forma de espinhos
Às vezes fere
Corta a alma
As vezes reluz, encarece
Quem a ela dá o dom da palavra.