Que Seja por Respeito...
(Múcio Bruck)
Tento, na caminhada da vida
Usar as passadas para passar
Momentos, desvios... me aventurar
Para aprender, quiçá, até ensinar
Quantas intransigências incontidas
Observei, na ação impensável
Brotada da intolerância implacável
Cultura arraigada, prava e cruel
Não é doença, não é diferença
Bulluing é engano inconsequente
È uma filosofia vã, inútil, dolente
Fere de morte a alma de quem sente
Quem tenta inferiorizar seu igual
Seja por maldade ou prazer nesse intento
Nada sabe do amar, afronta o jurídico direito
E, se não sabe amar, se cale, tenha respeito
Achados na Lembrança...
Num relógio apressado, ponteiros sem freio
Dependurado por sobre o umbral de acesso
Onde vivente, me havia generoso exemplo
Inda infrene, desde tenra juventude o visitava
A puerícia se perdeu entre uma conversa e outra
E nesse mundo nosso, nele, descortinei um amigo
Um mestre que bem conheci... e me apaixonei
Vezes, envesso à sua visão de perdão e aceitação
Admirava-me com a facilidade e simplicidade
De traduzir-se em suas palavras que fluíam
Fáceis, viajantes, disparadas amenas
Com imenso poder de entrega e sabedorias
Aprendi que perdoar é mais que um verbo
Que o amor é mutável, mas jamais se finda
Que quem fere, é quem mais necessita de cura
Que bom sentimento é dádiva, eternamente pura
E lá se vai...
Trago no peito muitos desejos
Tristeza sem fim, de alegria, um tiquin
Trago pouca esperança e muita cegueira
Sentimentos cimentados sem eira nem beira
Trago no peito um mundo inteiro
De dores que já não suporto em mim
Um caís vazio, um deserto sem vento
Um dia que se inicia e nunca tem fim
Trago em mim uma viagem de ida
Sem destino incerto, sem carraspana
Onde aos poucos, me evapora a lucidez
Convencido de que é chegada minha vez
O medo não me tomava, nem me domava
Vigorava em meus olhos um mar sem movimento
Sem lágrimas... sequer um fio de luz a refletir
Como num voo cego, a vida seguiu sem me seguir
Após a lida...
Supero com a força de minha raça
Cicatrizes e feridas que trago nas mãos
Restadas da lida diária em incerto destino
Ais ecoam reiterados nos dias inglórios
Mas, meu sustento vem do canavial
A paga é parca, mas é a que resta
Só e exausto, a noite corre a me socorrer
Me entregando a lua sobre o fruto que semeei
Viajo livre e solto em minha imaginação
Onde não cabem limites: corro e brinco
Reparo uma estrelinha saliente a piscar
Retribuo silente, como a brincar de amar
Só sei que é assim...
A matemática da compreensão da ordem
Era simples, não dava espaço para dúvidas
Dezenas de equipes eram convocadas
Para receberem designações ordenadas
A finalidade de tudo era clara
Envelopes lacrados eram entregues
Cada chefe de equipe recebia um
E a saída em comboio, tudo se revelava
Já a caminho de um destino incerto
Transitando em meio às ruas e avenidas
Era dada a ordem de se abrir incontinente
Os envelopes distribuídos aleatoriamente
Se tratavam de Mandatos Judiciais a cumprir
Eram duas as enfáticas determinações
Celulares desligados e armas municiadas
A madrugada trazia o olor da emboscada
Já no destino alcançado
Os temores, são fatos consumados
Mas não são empecilhos, nem valorizados
O êxito de cada ação trás em seu bojo a tradição
Eternamente...
Ela soube a razão do atraso
Não fui porque havia na praça
Mais que sangue derramado
Um corpo sem vida, sem amparo
Sob meu pés, o solo rachado
À minha volta, curiosos atentos
Nada mais há de se fazer
Chama apagada, sem vela, sem nada
E a me esperar, estava minha amada
Que ao meu lado, me faz inteiro
Me torna único, seu menino
Que brinca de amar, amando
Olho em teus olhos e vejo a primavera
Num canto o outono, noutro, o verão
E a primavera a passear alada, sem direção
No céu de seu olhar, no amor de meu amar
Meu refúgio se esconde em seu abraço
Pra onde corro, faminto de carinho
Sussurrando em mim, um grito de quem ama
Bem baixinho, bem profundo, explícito
Estremeço, vou da terra ao inimaginável
Sentido da certeza de que mesmo frágil
Com a alma arrebatada, num sem limites
Alço voo, pousando certeiro, em beijo faceiro
Desses que tocam os lábios e se atam
Saboroso e sem pressa... flecha de querubim
Sutilmente certeira, nascente a me saciar
Estava selado: eras para mim início e fim
Na melhor idade...
Envelheci
Mas minha mente floresceu
Trago viva a adolescência em mim
Meus pensamentos, frutos em meu jardim
Envelheci
Aprendi do muito que posso
O pouco que sei... e me decorei
Me fiz simples, digno em meu eu
Envelheci
Mas minha mente engrandeceu
Meu corpo não acompanhou os anos idos
Nem alcancei a fruta no pé que me apeteceu
Envelheci
Muitos limites perdi nessa estrada
E, me dou a fazer o que não devo
Quiçá, porque o cérebro trai meus desejo
Envelheci
Ficou no passado, mais que minha força
Menos o instinto, inda jovem e aguçado
Esquecido que meu corpo se fez cansado
Raposa Albina
Se somavam em doze os filhotes
Que tinha o casal de raposas
Nascidos iguais, nus, aventurados
Todos, sem exceção, muito amados
Se somavam em doze onde cabiam seis
Até ganharem experiência de vida
E deixarem de ser caça e alimento
Para predadores que a fome era tormento
Nos primeiros meses, dependentes eram
Viviam vida inocente e pouco farta
Mas, os pais, por natureza e amor
Jamais deixou faltar aconchego e amor
Eram doze as pequenas raposas
Que, num piscar de estrela, cresciam
Evoluirão rápidos, espertos, cautelosos
E logo veio a maturidade e o ninho deixaram
Aconteceu naturalmente, um após o outro
Partiram para viver a sobrevivência aprendida
E, quando os pais se viram sós naquele efúgio
Tiveram a certeza do fadário findado... cumprido
E caçavam em bando e em bando viviam
Atentos, vorazes, alcateia impiedosamente edaz
Sofria mais entre eles o que nascera albino
E expulso do bando foi, sem clemência ou aviso
Eram agora somente um bando, menos um
E a raposa albina sem irmãos, já não caçava
Vivia o revés dos excluídos sem compaixão
Enfraquecido, feneceu na voracidade de um leão
Lado B...
Na frente de meu coração
Não há importantes escritos
Tatuados no passar do tempo
Mas há brisa, abraçada ao vento
Que leva e afasta a tristeza
E silente, em valentia rara
Versa pelo brilho dos olhos
Que saudade é um invento
Hora outra, um sentimento
Que se achega e nos atormenta
Se apossa covardemente
E não percebe que mata a gente
No avesso de meu coração
Tem um mapa de rima e canção
Vereda, odores sutis e folhas pelo chão
Ansiando-te chegar e cruzar minha paixão
Mulher...
(Múcio Bruck)
Quem sou?
Sou a graça que emana sensibilidade
A palavra certa, na presença sã e exata
Rio límpido que corre, pulsando felicidade
Me importo contigo e mais comigo
Não brinco com a vida, no engano de ser frágil
Meu melhor reside na força de ser generosa
Alma do bem que me habita, jardim de mim
Me dou tão bem comigo mesma
Quiçá, por me faltar quem mais me mereça
Dizem:-“És fraca!”. Não! Sou rara e mais eu!
Confiante demais, vezes, feliz de menos
Concordo com emoções sensatas
E sei exatamente como me construí:
Me amando, me acendendo em desejos
Prazer: sou flor, sou luz: um brilho de estrela!
Desejo e Querer...
Ainda que a poesia
Teime em não se completar
Ainda que uma breve canção
Se negue a se deixar findar
Ainda que a chuva demore chegar
Ou por mera teimosia, se negue a partir
Inda que a voz insista por perguntar
Por quais veredas deveria caminhar
Nas curtas passadas, para mais além
Vendo as horas seguindo a se repetirem
Na virada dos dias... nas noites insones
Não desistirei de reencontrá-la
Porque, estando eu, fraco ou forte
Jamais perderei meu norte
Inda que sobre o solo seco na vastidão
Desses de passar sertanejo em retidão
Em busca de um sonho, desejado em Fé
Seguirei valente, mais Quixote que Cervantes
E não haverá pedra, barreira nem muro
Que possam haver por meu caminho
Que sobrevivam ao valer de meu querer
Dar-te meu coração ao cruzar teu destino
Eternamente eterno...
Vives em mim, plena e completamente
Inteira, séria... sorridente
Compartilhando o ar que visita puro
Meus pulmões, minha face, cada poro
Vives em mim por me ensinar
Que tudo podemos quando juntos
Que temos a opção de caminhar
Em passadas gêmeas, sem penar
Vives em mim, tomas e doma meu peito
Amado, amante do seu a dominar-me
Sem temores, receios e nem pressa
Um amor em arte, união sem contrato
Vives em mim e de ti me alimento
Me sacio ainda nas frias noites
Do calor inda sentido de seu corpo
Do mel de seus lábios, de toda você, meu céu
A Esperança Jamais Abandona...
E se de repente a gente olhasse
Pela janela, à espera, à espreita
De ver chegar, suave e precipitado
O homem que o amor expressa?
Um cavaleiro, príncipe guerreiro
Culto, astuto, com ares de herói
Vestindo armadura e grande elmo
Cessando-me o sonho que mais me dói?
E se de repente, a esperança
Se tornasse quase palpável
Vista e ouvida, sem enganos
Naquela vinda, fim do aguardo cruel?
E se de repente a gente visse
Bem ao longe, a silhueta do esperado
Decorada, perenemente sonhada
A cavalgar, garbosamente compassado?
E no encontro chegado
Quais palavras seriam ditas?
Ou quiçá, silente e necessárias
Sobrestadas na pressa das carícias
Dói, viver a vida sem ter ao lado
Um companheiro, confidente
Um amigo leal, sorridente
Que torne nossa alma mais quente
Não vim a ti dizer algo desagradável
Antes, vim agradecer
No pouco tempo de nossa união
Aprendi que, não raro, viver só
É ter a certeza de que tudo muda
E sempre prá melhor
Então, não se preocupe
Sem você, a vida ficou mais leve
O bom de mim e a alegria
Se ataram em doce comunhão
Minha Pátria nasceu de um grito
Dado âs margens de um pequeno rio
Não havia mais volta... deixou de ser servil
Mesmo que derramando o sangue
De um povo heróico e varonil
Se libertou das amarras e nós
De um reino distante chamado Portugal
Sentinela...
"Era noite sem estrelas
Revezando o fuzil em vigia
Os infantes aguerridos
Atentos estavam
A guardar a fronteira
Para impedir
Que a "boa guerra"
Aniquilasse a má paz
Que lá havia...
O Maqueiro...
Maqueiro é muito, muito mais
Que aquele que conduz
Por rampas e corredores hospitalares
Macas, cadeiras de rodas, encubadoras
São atentos e ágeis profissionais
Que, por sua experiência
Consegue dimensionar sua importância
Dentro da cadeia salvadora da existência
Um maqueiro corre contra o tempo
Conhece a medida exata de sua função
Sabe que se não for ligeiro e capaz
Muitas vidas se perdem em suas mãos
Os valores de um maqueiro
Não se limitam ao seu ofício
Transcedem o que nele não se percebe
Em seus passos, fazer a vida chegar viva
Ser Mineiro...
Ser Mineiro é bão... bão dimais
Minas tem rios, parques, montanhas
Tem fogão a lenha, lenha pra fogueiras
Tem gente humilde, Fé e cachoeiras
Minas tem o canto das lavadeiras
Nas janelas do Vale, as namoradeiras
Tem as obras sacras de Aleijadinho
Tem o Barroco que dá vida às Catedrais
Ser Mineiro, é bão dimais
Tem galope de vento ao pé da serra
Tem broa quentinha, o queijo, o requeijão
O cafezinho, nascido do moído grão
Tem benzedeira, tem parteira
Tem viola, que desperta a emoção
Tem cachaça e confusão
Que termina em abraço de irmão
O que não falta em Minas
São estórias e férreas estações
Que trazem, navegando em vagões
Doutores, galos, mães e peões
A Ira...
Rezar, orar, fazer promessas
Nada disso tem valor a Cristo
Pois, Ele observa ações
Não valida como Fé as intenções
O Senhor observa atento
Tudo o que floresce do coração
E, por isso, não há valia em orações
Abençoando aquele que ama o irmão
Que reparte o pão e estende a mão
Diante da necessidade do outro
Pois, não se leva riquezas terrenas
Para o céu, somente a alma
E disse o Senhor:
“Não se preocupem em acumular Riquezas aqui na terra
Onde a traça e a ferrugem destroem
E, onde os ladrões arrombam"
Vi irmão ofender irmão
Vi irmã mentir, tomada da desonra
Vi conspirações que alegravam
A todos que desejavam malefícios
Olhei em cada olhar que exalava ódio
E com Deus, implorei pelo perdão
Aos que agiram com arrogância
E em sagrada ação, optei pela distância
Não havia alva áurea na alma
Dos que abandonaram
Crendo não haver retorno e dor
Vindo da ira do Divino Criador
Soneto: O Milagre
O milagre de Natal é vivo, respira e sente
Conhece seu lugar em cada coração
Daquele que o roga em oração e comhunhão
Milagres acontecem de repente, sem aviso
Chega como se estivesse a nos visitar
Em passos sutis, radiante, envolto em luz Santificada
E estando em nós, adorna nossa alma
E decidi ficar por sabedoria e nela faz seu ninho
Pois conhece sua valia e compromisso
E doa o bem e a cura, sem nada exigir
Entrega esperanças, envolto num amor miaor
Se achega, se acomoda, observa e se apresenta
Momento em que o sentimos e vivemos sua benção
E rogamos, seja por nós, para um amigo... um necessitado
O milagre opera magnânimo, gestando nobreza e encantos
Em estado de Graça, com a alegria de uma criança
Puro, iluminado, solenemente bem vindo!
Versos de Salvação
E em sonho, um Anjo avisou a José
"Levanta-te, toma o menino e a mãe dele
E foge para o Egito"
E José lá permaneceu até a morte de Herodes
A salvação do menino Jesus
Obedecia um plano maior
Que se concretizava
Com o passar dos anos
E em se de deu o primeiro Milagre
Em Caná da Galileia, durante as Bodas
Jesus transformou água em vinho
E seguiu curando endemoninhado e leprosos
Cegos e aleijados, ensinando sobre a Fé
Doze eram seus Apóstolos
Mas somente um o traiu
Sentados à mesa com seus discípulos
Disse Jesus:"Em verdade vos digo: um de vós irá me trair
E assim se cumpriu a professa
Por 30 moedas Judas Iscariótes
Entrega Jesus aos Sacerdotes e aos Fariseus
E mesmo inocente é condenado e crucificado
Como profetizado, Jesus retorna ressuscitado
E determina que os Apóstolos preguem.a palavra
Mundo afora, por terras distantes
Ensinando sobre o amor de um Deus vivo
E tudo se deu pelos Sagrados Planos
Pela obra traçada por um Deus amado
Que entregou seu primogênito ao mundo
Para fenecer por nossos pecados!
Fé e Ciência...
(Autor: Múcio Bruck)
A madrugada fria me afligia
Insone, vigiando o sofrer
De minha amada, acamada
Inquieta, delirante, febril
A vela queimava aos pés
Do Santo de minha Fé
Rogando por um milagre
Pela cura, fim de minha angústia
Leigo e só, diante das dores
Impotente, sofrendo pelo que via
Me veio à lembrança a frase:
"Faça a tua parte que farei a minha"
Peguei álcool e pequenos retalhos
Água morna e uma pequena bacia
Havia esquecido do antifebril
Há muito guardado no velho alforge
Misturei atitude, Fé e ciência
Desejos de agir pela comoção
Que em desespero despertava o pranto
A febre cedeu, a Fé e a ciência venceram