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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Se ainda posso homenagear a terra natal Na terra onde nasci, Os trilhos cortavam o pequeno lugarejo,
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Se ainda posso homenagear a terra natal Na terra onde nasci, Os trilhos cortavam o pequeno lugarejo, Como brilhantes luzindo a luz solar.

Barganha Eu sempre desejei que os abraços fossem apertados. Que os sorrisos fossem sinceros.
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Barganha Eu sempre desejei que os abraços fossem apertados. Que os sorrisos fossem sinceros. Que as despedidas fossem exterminadas. Que o tempo não fosse contado. Que a corrida não fosse só para a vitória. Que não se fizesse só pela história. Que coisas ruins saíssem da memória. Que todos merecessem a glória. Tudo o que eu mais quis. Que toda pessoa pudesse ser feliz. Que só existissem balas de anis. Que a fé não precisasse remover montanhas. Que as medalhas não fossem apenas para quem ganha. Que todos, na vida tivessem o poder de barganha.

Na próxima página Manuseio com o cuidado de quem ama. Folha por folha. Uma por vez.
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Na próxima página Manuseio com o cuidado de quem ama. Folha por folha. Uma por vez. A formiguinha do Quintana. Encontrarei logo ali, talvez. A próxima página tem um grito. Um risco. Um rabisco. Gerúndios. Olhos espiando, café esfriando. Um poeta aflito gestando. Tem a ilha querendo sair. O rio que entra no mar. A lua começando a surgir. E um beija-flor no pomar. Vinícius compondo sonetos. Olavo ouvindo uma estrela. Carlos e seus anjos tortos. Em Pasárgada, amando, Bandeira. Dias escutando o sabiá. Drummond consolando José, Nos versos íntimos Augusto. Na bola! Adivinha que é? Romeu acariciando Julieta, Titanic começando a afundar. A baderna do boi da cara preta. E um sofá pra Beethoven sentar. Mona Lisa sempre sorridente. Letras de poetas expoentes. Comédia divina de Dante. O Quixote Miguel de Cervantes. Não sei o lado certo onde esta. Com a mania que até hoje tenho, De traz pra frente venho Folhando de lá pra cá.

Pedinte Não. Não quero ver o dia amanhecer. O amanhã será como hoje.
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Pedinte Não. Não quero ver o dia amanhecer. O amanhã será como hoje. Talvez mude o clima, A chuva, O sol, Mas amanhã e outros amanhãs Serei o mesmo. Incontestavelmente o mesmo. Acho que é assim, Nem bom, Nem ruim, Risco do meio. Amanhã será escuro. O pão, Será seco, A mesa - o beco, A porta - a pedida. Meu amanhã será teu hoje, Pois vivo do que você sobra.

Observante Espio pela janela, Coberta pela cortina telada
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Observante Espio pela janela, Coberta pela cortina telada E vejo ao longe, pés enormes de figo. Por entre eles desce uma Pequena estrada em forma de meia lua. À direita segue uma tira de mato Como um satélite que se alonga. Ah, antes que eu esqueça. Acima. Muito acima. Está o céu, parcialmente nublado.

Suco de maçã Aquela noite não quis sair. Preferiu ficar no aconchego da casa. Na rua só fatos rotineiros, nuvens pesadas escondiam a lua, pela qual tinha grande atração.
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Suco de maçã Aquela noite não quis sair. Preferiu ficar no aconchego da casa. Na rua só fatos rotineiros, nuvens pesadas escondiam a lua, pela qual tinha grande atração. Nos bares em frente a sua casa, os amigos riam e bebiam em mesas colocadas sobre as calçadas. Cenas absolutamente rotineiras. Na sua solidão fitava a rua pela janela de vidro e mantinha-se atento ao telefone celular. Como não surgia a tão desejada ligação resolveu fazer um suco. De maçã. Se sua amada estivesse ali diria que era da fruta proibida. Sempre era assim. Esta insignificante lembrança deu-lhe certo alívio e conforto. Gargalhou da própria sorte. Fechou os olhos e deixou rodar na memória os mais belos momentos que junto passaram. A rememoração do perfume dela enchia a casa de certo cheiro de saudade. Mas o telefone permanecia mudo e aquilo o angustiava. E aquela voz que o faria feliz não era ouvida. Só uma ligação e bastava. Contudo o dia amanheceu. O telefone não tocou. Ficou aquela lacuna sem ser preenchida. Na noite seguinte quando ela chegou e perguntou se havia esperado muito pela ligação, orgulhoso, mentiu que tinha dormido cedo. Assim teve uma noite perfeita. Dessas que valem por uma vida.

Sou eu Sou eu cansado Vagando no eterno.
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Sou eu Sou eu cansado Vagando no eterno. Expondo o interno. O avesso. A paixão. Tira de mim O que já está fora O que extravasa, Esta brasa. A paixão. Tira de mim Esta dor Estreita. Que extravasa. O avesso. Esta brasa. A paixão.

PORTAS DE RUA Adoro portas espelhadas Do centro da cidade,
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PORTAS DE RUA Adoro portas espelhadas Do centro da cidade, Nas ruas mortas dos fins de semana, E, passo na rua, sua, Onde o trem dorme sossegado E o pipoqueiro nem existe. Adoro estas portas espelhadas Onde acomodo os cabelos E a camisa Nas Calças. E vaio o vento Que balança a chaminé. Desperto o meu medo, De faro aguçado. Acordo um telefone Mudo, Surdo, Numa sala trancada. Esperança, Num desses espelhos, Estarás amada, Retocando o batom, Pela janela oposta.

Lados Sou um pouco mais do que fórmulas prontas, Divido-me muito mais,
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Lados Sou um pouco mais do que fórmulas prontas, Divido-me muito mais, Minhas metades visíveis São menores que às escondidas. Sou mais talhado que minha fisionomia, Meu interior é mais belo. Minha introspecção não tem limites. Mais do que isso, muito além de ser sincero. Sou bem mais belo do que este desenho, Que de mim fizeram quando nasci. Sou descendente de um espírito empolgado Que Deus reservou pra mim. Sou bem maior do que meu tamanho, Muito além do que você crê. Aurora boreal da minha alma É para quem consegue ver. Sou bem mais ousado Do que aquilo que dou a ver, Meu pensamento decola fácil E a noite, sonho encontrar você. Sou bem mais frágil que as demonstrações E do que deixo transparecer, Minha emoção transborda o universo, E em versos não sei dizer.

Estradas As estradas me encantam em qualquer lugar que eu ande. Tem suas próprias características. Seu ruído. Nada se compara ao barulho das rodovias.
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Estradas As estradas me encantam em qualquer lugar que eu ande. Tem suas próprias características. Seu ruído. Nada se compara ao barulho das rodovias. Carros que vão, vão... Carros que vem , vem... Quantos sonhos passam nas suas faixas. Gente levando sonhos e trazendo lembranças. Trazendo sonhos e levando lembranças. Mudando e levando mudanças. Construindo a sua história e seus álbuns. Quantos amores, por elas, vão e vem. Casais amando em suas extensões. Pais buscando nelas, o sustento da família. Valores que transitam em proporções gigantescas. A alegria e a euforia da chegada, o abraço da acolhida, o adeus da partida. Sempre alguém diz: vá com Deus. E as paisagens. Quantas ficam registradas em nossa mente e lá permanecem para sempre. As serras serpenteando morros e montanhas. Beleza indizível. A passagem sobre pontes, viadutos e ferrovias me dá uma sensação de romper barreiras quase intransponíveis da vida. A gastronomia, com seus cafés coloniais deliciosos. Os artesanatos e fruteiras. A água que desce entre matos refrescando o ar. O cheiro da natureza, nestes pontos, é tão próprio. Os longos trechos em subidas e descidas. E tem as buzinadas de advertências e de agradecimentos pela gentileza na ultrapassagem. À noite, as luzes, dão aquele efeito de cidades móveis. Quer maior lindeza? Os trevos que, como à vida, nos deixam em dúvida sobre o caminho a seguir. Os locais não conhecidos sempre desafiando nossa imaginação. A música rodando e a cabeça, em outras viagens. A frenagem dos caminhões que assustam e emocionam. Eu sei que tem buracos, acidentes, assaltos, pardais e pedágios, mas, sinceramente, não vivo sem viagens. Nem falo das curvas, pois estas me encantam como me encantam as mais belas mulheres que por elas transitam.

O sol e a lua Com o escuro da noite A paisagem enegrece,
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O sol e a lua Com o escuro da noite A paisagem enegrece, Mas seus raios cristalinos Aos poucos aparecem. O manto negro se desmancha O astro rei vem à tona, Enche o dia de relíquia Seus raios de ouro ele aplica. A lua, rainha da noite, Pelo rei sol se apaixonou, Deste amor brilhante Muita estrela resultou. Neste casal liberal Os dois têm seus direitos. E para dividirem o trabalho Não tinha outro jeito. Combinaram de acordo Que o sol iluminaria o dia. E a noite, sem compromisso, A lua apareceria.

Ruído Ao ouvir o ruído lacrimoso Da desalegre chuva que chora
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Ruído Ao ouvir o ruído lacrimoso Da desalegre chuva que chora Senti-me beijado por todo o lodo Da angústia que me invade agora. Não sei como explico, Só pra mim isso importa, Neste momento solitário fico E a chuva traz-me a vida morta. Cada pingo é uma lágrima, Cada lágrima uma lembrança, Há, pudera outra vez criança.

Desocupados Ocupam-se das noites, Vagando vaga-lumes.
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Desocupados Ocupam-se das noites, Vagando vaga-lumes. Tocando campainhas. Quebrando lâmpadas. Chutando papel. Ocupam-se das noites, Pichando muros. Murando morais. Ocupam-se das noites, Nas praças periféricas e Centrais. Traficando, consumindo. Rindo sem sorrir. Ocupam-se das noites, Na sarjeta fétida Cheirando caviar. Ocupam-se das noites No presídio deserto Que os torna mais incertos, Que os torna mais desonestos.

Hemisférios Meus hemisférios diferem entre si com muita clareza. O norte é durão.
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Hemisférios Meus hemisférios diferem entre si com muita clareza. O norte é durão. Odeia as convenções sociais, os bons modos e gentilezas. Adora destruir o inimigo. Golpeia com força para danificar o mais que pode. O sul é doçura, é ingenuidade é amável em qualquer situação. Tem bons modos é gentil. É prestativo, está sempre disponível. É de uma ternura invejável. O sul ama as pessoas. O norte é possessivo, grosseiro. É egocêntrico ao extremo. É cheio de paranoias. Estressado, violento e nublado. O sul é humilde, Relax, límpido e ensolarado. Ah... O sul. O sul é um amado.

O POETA DE PASSO FUNDO O poeta de Passo Fundo Faz versos para todo mundo
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O POETA DE PASSO FUNDO O poeta de Passo Fundo Faz versos para todo mundo É o orgulho do Brasil De Carazinho*, num segundo Lançou um olhar bem profundo. Para o céu azul anil. Traz os versos na alma Sua poesia acalma, Amigo bom e gentil. Traz a pena na palma, É simples, fisionomia calma. Esperança primaveril. São versos de esperança, Numa alma de criança, Brincando com letras mil. Para o futuro avança, Em sua eterna andança, Com o seu lápis servil. (Regina Madeira) Poema recebido da amiga poetisa Regina Madeira.

Cena A noite colou folhas na árvore Um riozinho límpido também fez,
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Cena A noite colou folhas na árvore Um riozinho límpido também fez, A lua cheia não ficou fora da paisagem, Tudo perfeito e com grande nitidez. Rabiscou um poema de amor Decolou pensamentos sem limites Sentiu-se livre para voar Feito ave sem pressa de pousar. Subitamente voltou para onde estava Assim mesmo não desanimou. Ainda que não fosse a vida que sonhava Mantinha esperança já que nada desmoronou

Caneta Deixas no papel estampas do meu pensamento, Acaba-se dignamente em matemática e versos.
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Caneta Deixas no papel estampas do meu pensamento, Acaba-se dignamente em matemática e versos. Tens alma viva em sentenças proferidas e registradas. Na força extrema ainda dá fé, E ao morrer num poema, A tinta trêmula busca a reticência... Esforço final pra dizer que O show sempre vai ter sequência.