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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Aprendiz Discutimos Aristóteles. Platão, existencialismo.
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Aprendiz Discutimos Aristóteles. Platão, existencialismo. Discutimos O estado. Atenas, Esparta. Discutimos Classes, Sociedade, Competição. Discutimos Como bestas. Como bostas. E o que importa se Deus existe?

ÉBRIO Um uísque. Duplo, por favor.
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ÉBRIO Um uísque. Duplo, por favor. Preciso desentalar da garganta, Este nó, esta dor. Só não me sirva com desdém, Sou humano como você, meu bem. Não faço isso todos os dias, Só bebo quando me convém. Anos de vida me fizeram mole, Saudade é o que sinto agora, Por mais que eu me enrole Talvez eu fique ou vá embora. Este copo aqui, ó, vazio. Avermelhou-me o rosto, Desequilibrou-me o corpo. Atingiu-me a voz.

Trem Trem. Trem. Trem.
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Trem Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Woooh! Woooh! Woooh! Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Trem. Fshhhhh! Fshhhhh! Fshhhhh!

O pequeno criador Quando a fêmea ficou sozinha devido à morte do macho, passou a esconder-se na mata perto de um pequeno rio de águas mansas. Todo final de tarde chegava ela.
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O pequeno criador Quando a fêmea ficou sozinha devido à morte do macho, passou a esconder-se na mata perto de um pequeno rio de águas mansas. Todo final de tarde chegava ela. Com gestos desconfiados comia seu trato e ia lentamente desaparecendo pelo costado da cerca. O menino que lhe servia comida, muitas vezes a seguia. No entanto, nunca descobrirá onde era seu esconderijo. Tinha medo de adentrar a mata fechada e ser notado por algum animal selvagem, que segundo ouvia, seria perigoso. De manhã ninguém via a ave. O menino despertava e corria. Percorria o caminho da casa até o rio na esperança de encontrar, ao menos alguns ovos, num ninho, que pensava ele, seria bem ornamentado com folhas e palhas. Um dia a ave não apareceu para a alimentação habitual. O menino ficou preocupado. Acreditou que ela deveria ter ficado no mato devido ao cansaço que era subir a ladeira que levava à casa da família. Porém, no segundo dia ele pensou que estivesse acontecido algo de grave. Mal amanheceu o dia se pôs a procurar. Jurou que não voltaria sem descobrir o que estava acontecendo. Ouviu um barulho. Em seus olhos brilhou a esperança. Parou. Baixou a cabeça e viu por entre a mata pequenas aves. Aproximou-se. Sentiu-se muito feliz. Tentou apanhar uma, mas foi barrado pela mãe ave. Deixou todos ali e saiu em disparada. Entrando em casa abraçou a mãe. Entusiasmado pediu comida. A mãe disse que o café estava servido. -Não, comida para os patinhos. Já com o alimento para seus pequenos amiguinhos, sumiu na mata cantando e pulando. Pura felicidade. Quando chegou às margens do rio, mal pode ver aquela unida família que descia pelas águas lentas. Chorando largou a comida na água e abanou para os nadadores.

Música da vitória O melhor do jogo é ganhar. O vencedor é aplaudido.
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Música da vitória O melhor do jogo é ganhar. O vencedor é aplaudido. Sobe ao pódio, é premiado. O perdedor nem será lembrado. A vitória faz amigos Bajuladores em profusão. Perder faz ser esquecido. Ninguém pra te dar a mão. Triunfar vale a taça. E uma princesa pra valsa. Fracassar não tem valor. Apenas mais um sonhador. Sem o primeiro lugar Nunca farás história. Não terás par pra dançar A música da vitória.

Olhos machucados Vi que olhos arregalados me fitavam. Deles demandava uma frieza nunca vista.
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Olhos machucados Vi que olhos arregalados me fitavam. Deles demandava uma frieza nunca vista. Fixei meu olhar por um instante, Vi que estavam distantes. Olhavam-me ao léu. Olhar triste de partida. Portas opacas do inferno. Em nada lembravam o céu. Olhos malvados. Machucados. Desesperados. Olhos apaixonados? Olhos d’água. Com olhar de águia. Olhos com água. Com olhar de mágoa. Um olhar de tantos olhos, De histórias não contadas. Tristes olhos sem brilho Na despedida brotaram em lágrimas.

Bolsas nos olhos Meus olhos tentam guiar meus pensamentos. Quando não querem me mostrar
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Bolsas nos olhos Meus olhos tentam guiar meus pensamentos. Quando não querem me mostrar Desviam o olhar num rápido movimento. Porém se não vejo posso imaginar. As bolsas que trago neles As causas não são do tempo. São depósitos daqueles Que de amor alimento. As pálpebras fecham com rapidez Para evitar o pó da estrada Tentam esconder de vez Os tropeços da caminhada. Quando estão fechados Não sei por onde seguir. Vou para o lado errado Precisando me redimir. Portanto, olhos meus, Estejam sempre alerta. Se rondarem os teus, Façam a escolha certa.

Faça de sua vida. III Faça de sua vida um pequeno labirinto, Com acessos e saídas fáceis.
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Faça de sua vida. III Faça de sua vida um pequeno labirinto, Com acessos e saídas fáceis. Com bancos em sombras abundantes Onde possas sentar-se e descansar o bastante. Faça de sua vida um meditar, Ore, sirva, agradeça e faça orações. Evite a fanatismo Por qualquer que seja a religião. Faça de sua vida um romance narrável. Uma novela com final feliz. Um roteiro irrecusável Um enredo de aprendiz. Quando a vida fechar a cortina. Não tem como recorrer. É seu ciclo que termina. Deixe a alma ainda mais linda Para os últimos aplausos receber.

Ternura Aos poucos vou percebendo que o mundo, a cada dia, distancia-se de mim. Eu que sou meio a moda antiga. Não badalo adereços. Abro mão de usar brincos. Não acho graça nenhuma em piercing. Não penso em fazer nenhuma tatuagem.
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Ternura Aos poucos vou percebendo que o mundo, a cada dia, distancia-se de mim. Eu que sou meio a moda antiga. Não badalo adereços. Abro mão de usar brincos. Não acho graça nenhuma em piercing. Não penso em fazer nenhuma tatuagem. Não falo: “tipo assim,” e nem uso outras gírias da moda. Não mostro as cuecas ao me vestir. Não dirijo bêbado, não brigo em festas ou baladas, pra quem prefere assim. Eu que beijo o rosto dos meus filhos homens, que abraço meus amigos. Que ainda cumprimento as pessoas na rua, me preocupo e gosto delas. Eu que valorizo mais o ser humano em detrimento de outros valores. Escrevo louco com “uc” e não com “k”. Costumo pedir licença para entrar e dizer obrigado pelas gentilezas e favores. Ouço músicas antigas pra por a saudade em dia. Vejo fotos três por quatro de pessoas que, de alguma forma, passaram pela minha vida. Na memória e em meus álbuns, já amarelados, guardo vastas lembranças. Eu que brigo com esta máquina chamada computador. Estranho falar com este interlocutor sem reações, sem rosto, sem gestos, sem sorriso, sem cara fechada. Todas as fotos de redes sociais são de pessoas sorridentes. Sinto uma ânsia de mostrar ternura, de olhar nos olhos, de ver o semblante das pessoas, de ficar mais doce e agradável com a conversação. De demonstrar simpatia. Mas me adapto e gosto de novidades. Eu que tenho esta alma dominada e doentia em devaneios. Que romantizo as relações. Vejo presságios de amor em todas as direções. Eu que costumo pedir perdão quando erro. Admito sentir saudades, pergunto se queres contar seus problemas. Eu que quero saber onde está seu sorriso e, se preciso, faço palhaçada para que ele volte ao seu rosto. Vou à igreja, creio em Deus. Amo a natureza e convivo bem com animais. Mesmo assim, relaciono-me bem com diferentes gerações, com iguais e com desiguais, pois não é isso que uso como parâmetro para gostar de alguém. Não furo filas. Não quero vantagens pessoais. Fico fascinado com um sorriso sincero de uma criança. Emociono-me com aquele “abracinho” infantil tão terno e verdadeiro. Adoro escutar pessoas mais velhas e aprender com suas experiências de vida. Eu que envelheci junto com este mundo que, hoje parece não ser o mesmo. Quanta pressa. Quanta falta de educação no trânsito. Quanto desamor. Em fim, quanta dureza nos corações humanos. No fundo, no fundo acho que se manteve o mundo eu é que amoleci.

Eu sei, mas não gostaria Sei que quando nos afastarmos Voltarei ao ostracismo malfadado.
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Eu sei, mas não gostaria Sei que quando nos afastarmos Voltarei ao ostracismo malfadado. A ele serei relegado. Não tem como ser presente Se o alimento é só do passado. Eu sei que etapas terminam. Que gelo derrete-se em água, Que as flores efêmeras duram só um dia. Que amores mal acabados viram agonias. Eu sei que se for falso não brilha. Que azurita nem sempre trará alegria. Que nenhum ser humano é uma ilha. Que o sonho é irmão da fantasia. Ao começar eu não queria Que fosse finito um dia. Contudo prevalece o que é real E não o que eu gostaria.

Inquietações Das minhas inquietações Tem umas que nunca entendi,
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Inquietações Das minhas inquietações Tem umas que nunca entendi, Haverá mesmo um amor Impossível de substituir? Que dizer destes encontros, Ainda que acabe sem prantos Amantes de amor doridos, Saiam saciados sem ter fingido? É possível deliciar-se uma só vez Com alguém, quando convém, Se amanhã nem mais palavras Cada qual um amor tem?

Porta-malas Primeiro eu bebia minhas tristezas. Hoje sou abstêmio.
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Porta-malas Primeiro eu bebia minhas tristezas. Hoje sou abstêmio. Depois eu as fumava. Sou ex-fumante. Então passei a comê-las. Fui pra dieta. Jogava. Parei. Agora as absorvo. Não tenho mais fuga. Coloco-as no porta-malas da memória Em pequenos pacotes assim Atrapalham menos e Fica mais fácil levá-las comigo Sem que sejam notadas.

Beija-me "Da vez primeira em que me assassinaram perdi um jeito de sorrir que eu tinha..."
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Beija-me "Da vez primeira em que me assassinaram perdi um jeito de sorrir que eu tinha..." Mario Quintana Debruço nos joelhos a dor da perda. Na pedra fria faço orações. Beijei-te no último adeus. Chorei a perda Do colo amigo, do meu abrigo. Da proteção. Mãe, Deus te levou. Fiquei aqui Pensando em ti, Reunindo forças para seguir. O segundo domingo de maio, É o mais triste do calendário. À noite, Vou adormecer pra Sonhar com você. Quem sabe assim, Encontrarei de novo, O sentido de viver. Talvez eu ganhe teu beijo Como na vida, Que era inteira De qualquer maneira, EU AMO VOCÊ.

Horas paradas Não é falta de vontade Se as horas estão paradas.
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Horas paradas Não é falta de vontade Se as horas estão paradas. Isso se chama saudade De cenas na mente conservadas. Esta música que te põe em agonia, Não foi feita pra te fazer sofrer. É pra trazer alegria E irrigar um bem querer. Vista de vez a vontade de ficar, Umedeça este jardim em flor. Teu corpo pede pra deitar. Permaneça morando neste amor.

A SAUDADE Seguro tua cabeça entre as mãos. Olho fundo em seus olhos,
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A SAUDADE Seguro tua cabeça entre as mãos. Olho fundo em seus olhos, De infinitas verdades. De inúmeras realidades, E sinto tremer O seu corpo. Aquecer o sangue. Encaixa-se em mim E respira fundo. Seu mundo Nosso desejo. E na mágica O beijo. Afago seus cabelos. Afogo as palavras. No chão silêncio de felicidade. E no beijo de adeus A saudade.

O poeta O poeta chega à tardinha sem dizer nada. Traz nos olhos uma panaceia em elixir.
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O poeta O poeta chega à tardinha sem dizer nada. Traz nos olhos uma panaceia em elixir. Fica comigo pela madrugada. Ao amanhecer tem que partir. Em outdoors na minha mente Espalha ideias e vontades. Consegue entender o que meu amar sente. Sabe como ninguém aguçar minha saudade. Com ele vem só a folha em branco. Quer sorver minha inspiração. Sentamos eu e ele em algum banco. E viajamos na nossa imaginação. O poeta é meu leal confidente. Por vezes soluçamos abraçados. Sabe o que sinto e se cala sabiamente Sofremos juntos, vivemos entrelaçados.

Chuva Caminhos, Cheios de gente.
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Chuva Caminhos, Cheios de gente. Indo e vindo. E o menino dormindo. A mosca zunindo. O cão latindo. O redemoinho fazendo zoeira. Você evitando a poeira. O mato tremendo. Janelas batendo. ...A nuvem rompeu. Em Pouco Tempo Muita Chuva Desceu. Chuá Chuá Chuáááá...

Que bom seria Que bom seria se as segundas chances fossem reais. Se os amores fossem imortais.
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Que bom seria Que bom seria se as segundas chances fossem reais. Se os amores fossem imortais. Se os pecados não se tornassem imorais. Se os reencontros não fossem banais. Que bom seria se a vida fosse de paz. Se não quiséssemos deixar os outros pra trás. Se de perdoar todos fossem capaz. Se a fraternidade prosperasse cada vez mais. Que bom seria se só tivéssemos alegrias. Se o sofrer fosse abortado em cirurgias. Se a felicidade viesse numa magia. Que bom seria se o mundo fosse de igualdade. Se o respeito existisse em qualquer idade. Se o ser humano se despisse de falsidades.