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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Falar de você Falar de você Gonçalves, Faz pensar no canto do sabiá.
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Falar de você Falar de você Gonçalves, Faz pensar no canto do sabiá. Em estrelas, palmeiras e flores. Da frustração nos amores. Do viver lá como cá. Homenagear você Gonçalves, Faz pensar no amor que não viveu. Em todos teus sonhos iludidos E no crime que não cometeu, Mesmo quando a amada perdeu. Saudar você Gonçalves, Faz lembrar oceano. Um romântico leito de morte. Mesmo com seus poucos anos Selou a tua sorte. Na presença da morte foste forte, Um guerreiro lutador Nacionalista e sonhador Enalteço com alegria Magnânimo... GONÇALVES DIAS

Uvas, beijos e chocolates Sem pensar joguei-me em ti. Sem licença fiz castelo.
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Uvas, beijos e chocolates Sem pensar joguei-me em ti. Sem licença fiz castelo. Sem habite-se me instalei. Sem base me apaixonei. Sem receio se ausentou. A construção embargou. Pediu que eu saísse, Até a estrutura desabou. Cabisbaixo, fui andando. Comigo somente meu corpo. Nem precisei de mochila. Na mão só um litro de tequila. Lento os dias foram passando, Meu sorriso encurtando. Nossos caminhos descruzando, Eu de você sempre lembrando. Se me vir neste universo Num improvável desempate, Estarei compondo versos De uvas, beijos e chocolates.

Felicidade Definir felicidade. Só em doses individuais.
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Felicidade Definir felicidade. Só em doses individuais. Não a deseje de forma permanente Aí é querer demais. Oscila em antagonismos inesperados. Vidros abertos ou ar condicionado. Grade ou liberdade. Café ou suco gelado. Cabelos longos ou raspados. Faculdade ou não estudar. Fidelidade ou aventura. Humilhar ou afagar. Bronzear-se ao sol ou refrescar-se na chuva. Tênis novo ou amaciado. Perder peso ou comer o que tem vontade. Pintar os cabelos ou não esconder a idade. Correr descalço ou uniformizado. Ser discreto ou se fazer notado. Cartão sem limites ou Dinheiro contado. Bem vindo ou Boa viagem. Dê o fora ou Entre e fique a vontade. Amar de verdade ou A imensa saudade.

O FUMANTISMO Admiro incansável o escritor. Este colega do dia-a-dia. Conta suas produções com tal entusiasmo que me excita a escrever algo. Qualquer coisa. Se sair em linhas subtraídas chamo poesia, se extenso, conto.
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O FUMANTISMO Admiro incansável o escritor. Este colega do dia-a-dia. Conta suas produções com tal entusiasmo que me excita a escrever algo. Qualquer coisa. Se sair em linhas subtraídas chamo poesia, se extenso, conto. Tarefa guerreira é escrever. Às vezes uma palavra atira-se em outra e quebra a muralha destruindo a frase. Não a recomponho. Se esta, por ventura, vier a ser tombada pelo patrimônio histórico literário, os historiadores que a reelaborem. Pior mesmo, e isto é o mais provável, se não tiver nenhum valor. É enrolar o papel o lotar o balde de lixo. Para mim há uma saída quando faltam palavras. Ascendo um cigarro e elas emergem em meio a fumaça. Mas os escritores (ou não) que não fumam? Deve ser terrível. Talvez consumam "chicletes" ou sei lá o que fazem. Agora, uma coisa é certa: nada melhor que a fumaça do cigarro para trazer ideias brilhantes. Não importa se o pulmão está cancerígeno. Se a garganta incha, se o coração dispara. Afinal, o escritor não precisa destes em pleno funcionamento, sua tarefa é apenas escrever. Portanto o escritor pode ser fumante. Se morrer jovem ótimo. Se for vítima do cigarro, excelente. Não e mais fácil à obra fazer sucesso após a morte de seu criador? Então, fumemos colegas "escritorinhos". Fumemo-nos mutuamente, até o dia em que os críticos cedam e reconheçam este novo movimento literário: O FUMANTISMO."

Perdeu A casa caiu! Era o grito que mais temia ouvir. Contudo, agora era real. Ali estava. Algemado e com o rosto colado ao chão. Perto das humilhações que enfrentaria dali pra frente, capitão Nascimento se tornara humilde e doce em sua imaginação.
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Perdeu A casa caiu! Era o grito que mais temia ouvir. Contudo, agora era real. Ali estava. Algemado e com o rosto colado ao chão. Perto das humilhações que enfrentaria dali pra frente, capitão Nascimento se tornara humilde e doce em sua imaginação. Na cela 35 do presídio central viu-se em Dois Rios escrevendo “Memórias de um Cárcere”. Via alguns companheiros tomados por moléstias graves morrendo dolorosamente numa cela nojenta e fedorentamente úmida. A sorte estava definida. Antes tivesse conseguido se exilar em outro país da América bela e generosa. Febril e dolorido passava horas detido, literalmente, em pensamentos amenos que lhe aliviavam os dias. Dos tempos da roça trouxera tão somente cicatrizes de tocos, vara de pesca e uma antiga dívida do financiamento do primeiro e único utensilio agrícola que comprou. Com o nome registrado em órgãos de proteção ao crédito e uma vontade louca de vencer tentou de todas as formas emprego digno. Com o passar dos dias via estreitar os caminhos que julgava seriam largos naquela cidade. Escola não frequentou. Mal conheceu o MOBRAL cuja única lembrança era da professora linda e delicadamente perfumada. Por dias a fio teve a mais honesta das vontades de buscar um trabalho condizente com a sua capacidade e formação. Que formação? Dura realidade. Meses depois a bebedeira passou a ser sua segunda casa e as amizades o mais influente dos mandamentos seguidos. Pouco tempo e o grupo se formou. Queria ser Al Capone no mundo criminoso. Haveria de, junto com os companheiros, criar um plano espetacular de ações geniais, lucrativas e bem sucedidas. Contudo a panela ficou sem tampa. Agora ali preso e recrutado pelo comando vermelho, garimpava um caminho de volta a liberdade. Sonhava. Contudo não foi assim. Condenado cumpriu a pena até ser liberado para a condicional. Ao sair durante o dia entendeu que as portas que antes estavam fechadas agora passaram, também a serem vigiadas por guardas armados. A liberdade virou castigo. Nada comparada a um prêmio. Trêmulo, embriagado assassinou a história. Hoje não busca mais nada. A estrada chamada vida se tornou rua sem saída.

Cafeteria Percebo, a esta altura, que devo dar novo foco a minha vida. O tempo me fez ter outra visão do mundo.
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Cafeteria Percebo, a esta altura, que devo dar novo foco a minha vida. O tempo me fez ter outra visão do mundo. Não quero aquilo que não sou. Não me interessa viver de aparências. Busco, neste momento, ser eu mesmo. Simplesmente eu. Vou olhar a vida por todos os lados. Não só de frente. Viver cada dia como único sem culpas internas e sem espaço para o pessimismo. Minha força interior vai me erguer quando for preciso e, a paz que tenho comigo vai me conduzir sem sustos. Saberei lidar com pessoas negativas de energia baixa e,P manterei minha mente distante das maldades deste planeta, pois, só assim, serei feliz com minha consciência. Meu coração, clinicamente, sofre, mas vou controlar as emoções que lhe repasso para que suporte só o fundamental. Até hoje busquei a excelência em tudo. Isso, como não opcional. Agora chegou o momento de mandar pros ares manuais, cartilhas, regras, metas e objetivos que não servem pra nada. Não vou mais chegar na hora. Propositalmente sairei sem explicar só para ir até à cafeteria. Quero cantar parabéns. Abraçar os chatos. Beijar os feios. Almoçar com mendigos. Comprar de ciganos. Dormir em hotéis baratos. Rodar em estradas de chão. Quero banho de riachos, fogo de chão, camisa suada, fogueira de São João, restaurante e motel beira de estrada. Quero os amigos de fé, baladas em cabarés e, com sorte, carinho de mulher. Dizer que gosto só para quem, de fato, gosto. Degustar muito lentamente cada fração do amor e da sobremesa. Andar a pé em meio à natureza. Curtir a alegria e conviver com as tristezas. Na memória manterei só as fases boas da vida. A lembrança dos bons amigos e amores. Estes nem o tempo nem à distância apagará. Emoções inigualáveis, registradas as demais não são essenciais. Quero brindar, não aos melhores nem aos piores. Todos, neste mundo, somos bons e ruins. Brindar sem motivo, sem data especial sem nenhuma razão. Brindar o reencontro. As chegadas. As partidas. Brindar apenas por brindar. Brindar aquilo que de mais importante temos: Um brinde à vida. Um brinde, MINHA VIDA.

Novidade Quando nasci foi tudo tão normal. Até o parto.
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Novidade Quando nasci foi tudo tão normal. Até o parto. Não houve um grande temporal. Foi apenas mais um ato. Não aconteceu nenhuma comoção social. Ninguém considerou a data como um evento. Cumprimentos só alguns, Eventuais. Nem houve um grande sopro de vento. Só minha mãe se emocionou Naquele momento. Tudo monótono na cidade. Eu A única novidade.

Vazio Andando sem destino, Pela rua a vagar.
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Vazio Andando sem destino, Pela rua a vagar. Sentindo os raios da noite Começando a declinar. Correndo passa um menino, Sorridente a passear, Tentando encontrar a menina Que o fez apaixonar. Eu ando... Sem rumo. Nem sei onde quero chegar. Mais feliz é o menino Que tem a quem buscar.

Amor e só Simplesmente ame. Sem justificar.
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Amor e só Simplesmente ame. Sem justificar. Amar é que vai te iluminar. Que sentir pode ir além? Amar faz luz brilhar, E sino badalar. Traz graça no que se faz, E a certeza de alegrar mais. Faz musicar os ruídos, Revelar desejos escondidos. Faz do quietinho cantor, E do analfabeto escritor. Faz sensível o durão, E dá um basta pra solidão. Faz rosas mais coloridas, E dá outro sabor pra vida. Ame sem saber por que. Um amor sem entender Nunca vai desaparecer.

Não pergunte Não pergunte se estou feliz. Faça-me.
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Não pergunte Não pergunte se estou feliz. Faça-me. Não pergunte se estou triste. Alegre-me. Não pergunte se esta doendo. Cura-me. Não pergunte se estou com saudade. Mate-a. Não pergunte se eu quero. Beija-me. Não pergunte se te amo. Entregue-se. Não pergunte se vou sofrer. Fique.

Naquele dia Naquele dia... Um friozinho se fazia.
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Naquele dia Naquele dia... Um friozinho se fazia. Uma brisa levezinha. Um vento. Pequena ventania. Naquele dia. Naquele dia... Era só você que existia. Eu fugia. Tu me seduzias. O eu que não era meu Em você aparecia. Naquele dia. Naquele dia... Encostei-me lentamente. A pulsação tremia. Foi o beijo que eu queria Naquele dia. Naquele dia... A lua se escondia Nada nos continha Agente se entendia. Naquele dia. Naquele dia... Todas as rosas tu mereceria. Amei-te tudo o que podia. Naquele dia. Aquele dia...

Faça de sua vida. II Faça de sua vida uma cereja. Com um bolo de pano de fundo,
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Faça de sua vida. II Faça de sua vida uma cereja. Com um bolo de pano de fundo, Em que a felicidade não seja Contada em segundos. Faça de sua vida um balão, Suba, voe pelos ares. E quando a terra retornares Não prenda seus pés ao chão. Faça de sua vida uma floricultura encantada. Com vários perfumes e cores, Rosas vermelhas para amada E outras pra servir aos beija flores. Faça de sua vida uma floresta, Com notas de sabiá, Com colibris a brincar, Com ipês, borboletas e maracujás. Com gotas de sereno denso, E sol adentrando a mata Com barulho de cachoeiras, E murmúrios de cascatas. Faça de sua vida uma estação. Que tem retornos e partidas, Que tem abraços e emoções. Que tem chegadas e saídas. Faça de sua vida um mar azul. De ondas vibrantes, De águas límpidas de norte a sul, De navegadas emocionantes. Faça de sua vida uma edificação. De arquitetura ultra leve, Lembre-se que tempo é em fração, E que a passagem é bastante breve.

Frio Estas pessoas que vivem Em locais de extremo frio,
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Frio Estas pessoas que vivem Em locais de extremo frio, Não são como os tropicais. Não devem ter alma. São agasalhos movediços. Que graça terá ficar nu Numa terra tão gelada. Como ficar pelos bares Até alta madrugada. Devem ter partes atrofiadas. Vivem muito fechados. No máximo, São Joaquim, E tá bom pra mim. Como vivem sem sorvetes. No frio extremo não se consome. Andam tão vestidos que tanto faz Se for mulher ou se for homem.

Um minuto de loucura Perdi a conta De quantos sou.
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Um minuto de loucura Perdi a conta De quantos sou. Sem ter verdades Os olhos cegam. Carrego este tormento Este esquecimento Psique avançada. Não sei das horas Não sei das datas Nem das tristezas E das alegrias. Perdi-me tudo. Fiquei sem lar. Caí no mar. Naufraguei Flutuando encontrei O que nem sei O que não sou. Aviões dourados Trens zunidores Mosca atrevida O sapo na lata Pirâmide branca Não vou tomar este comprimido.

Sombras As nossas andam separadas. Em outros tempos eram vistas de mãos dadas.
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Sombras As nossas andam separadas. Em outros tempos eram vistas de mãos dadas. Eram enormes ao final do dia, Agora já não são mais nada. A companhia boa é aquela que não se precisa. Tu eras a sombra que a mim encantava. A minha hoje, anda sem camisa. A tua era a proteção onde eu me sentava. Talvez sejam vistas De outras acompanhadas. Não uma, Mas duas imagens sombreadas.

O SEQUESTRO Após o sequestro fui roubado. Levaram-me a vontade de escrever.
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O SEQUESTRO Após o sequestro fui roubado. Levaram-me a vontade de escrever. As rimas. Os versos. O poema da poesia. Dureza foi ver a inspiração Sendo carregada sem dó. Eu que a preservava tanto. Mas eles, pra meu espanto. Consumiram-lhe em uma vez só. Meu último poema Foi arrastado ainda inconcluso. Puxaram-no pela perna. Ainda estava tão frágil, Tinha versos pela metade. Sem título definitivo. Não entendo tal maldade. Um bebê em gestação. Rodando pela cidade. Que ato de crueldade! Não existia motivo. A maior atrocidade. Nunca saberei a razão. Despi-me de vaidades Pra fazer o pedido de prisão. Por favor, prendam estes bandidos. Eles foram muito ousados. Levaram um poema inacabado. E mantiveram o poeta silenciado. Pensando por outro lado, Talvez nem sejam tão culpados. Eu tenho sido descuidado, Ando muito distraído Melhor perdoar estes indivíduos.

Apego-me. A simplicidade é a leveza do meu corpo, E a essência do meu espírito.
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Apego-me. A simplicidade é a leveza do meu corpo, E a essência do meu espírito. Prefiro as fórmulas simples. Não gosto de enrolação. Se eu faço é de bom gosto Não costumo esconder o rosto. Máscara não me acompanha. Sou assim e não tenho oposto. Apego-me e sinto falta. Humildade facilmente me ganha. Fujo do centro para ver a ribalta. Coloco os amigos na posição mais alta. A distância me maltrata. A presença me faz falta.

ANOS DE MIM Aprendi a cantarolar Pra deixar o tempo passar.
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ANOS DE MIM Aprendi a cantarolar Pra deixar o tempo passar. Aprendi a contra balançar. Anos de mim tento administrar. Aprendi a interiorizar Tudo que quero analisar. Anos de todos que conheci Deram-me vontade de partir. Aprendi a viver bem comigo, A me aceitar resignado. Aprendi a não ficar desanimado Quando foge um carinho anunciado. Aprendi a falar baixinho Pra não me acordar assustado. A caminhar bem devagarinho Pra não despertar meu eu menininho. Aprendi acordar bem cedo. Para escutar os passarinhos A abrir a porta das minhas mágoas E deixá-las repousadas num pergaminho. Aprendi a conviver com as picadas. Admirar de tudo um pouquinho. Não fazer terra arrasada. Buscar só o bom caminho.

Como vai você? Madrugada lenta, Onde escondeste o dia que não chega?
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Como vai você? Madrugada lenta, Onde escondeste o dia que não chega? Morto neste colchão, Abraço o silêncio e a solidão. Atrasado chega o dia, bocejante, E pede que me levante. O hotel se torna borbulhante. Já sei que a rotina será maçante. Sem escolhas vou adiante. Bom dia. Como vai? Olá. Tudo bem? As pessoas bem dormidas, Não sabem da minha vida. Das esquinas descabidas. Das péssimas investidas. À tarde os importunos se multiplicam, Ficam ainda mais pedantes. Sem escolhas vou adiante. Tentando não parecer arrogante. Boa tarde. Como vai? Olá. Tudo bem? A noite outra vez me escolta, Sábia e cheia de contra indicações. Sigo cabisbaixo conduzindo minha revolta. Ainda encontro uma multidão Chata e sem emoção. Boa noite. Como vai? Olá. Tudo bem? Em fim fico só comigo, Empalideço a fisionomia. Deito em meu jazido. Meu corpo parece Embalsamado pra aula de anatomia. Entre paredes melancólicas deste mausoléu. Refaço minhas angústias. Minha consciência atrevida, Pra infernizar ainda mais minha vida, Pergunta destemida: Olá. Tudo bem? Como vai tua vida?

Mulher Quero uma mulher Linda ou não.
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Mulher Quero uma mulher Linda ou não. Que me ame de montão. Que me receba Enrolada de banho. Que corra ou fique, Tudo depende. E que me entende Quando a noite Chego atrasado. Que de manhã, Cabelos molhados Manda-me embora E depois chora. Que seja assim: Metade dela Metade de mim.