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Frases de Marly de Oliveira

7 frases

Não conheci o desterro, mas sei a quanto obriga. Vivo na minha terra,
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Não conheci o desterro, mas sei a quanto obriga. Vivo na minha terra, embora desencontrada. Quem sabe de mim, quem me ouve o que não digo, quem segura a rédea de meu sonho, permitindo o risco da vertigem, o perigo de conhecer o abismo?

De algum forma todos nos queimamos algum dia; de alguma forma mesmo sem fogo sob o frio sob a chuva que não passa o calor é terrível
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De algum forma todos nos queimamos algum dia; de alguma forma mesmo sem fogo sob o frio sob a chuva que não passa o calor é terrível no Rio de Janeiro, quem diria, quando morei aqui na tua idade não era assim, agora todos sofrem, todos dizem que calor infernal que calor dizem todos e é tudo muito estranho tudo... Sou um canteiro onde floresces e nem sabes, sou o caule indeciso do teu intenso modo de querer, a linha reta que jamais se alcança, a hipotenusa de um triângulo qualquer, o bule sobre a mesa, a música de Bach, o pássaro pousada no videira do fundo de um quintal ou de um jardim onde ninguém sabe, ninguém jamais ficou sabendo, que este canteiro existe, que este canteiro não obstante existe.

Minha felicidade vem de quando estou só e ninguém me interrompe no poema, essa espécie de transfusão
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Minha felicidade vem de quando estou só e ninguém me interrompe no poema, essa espécie de transfusão do sangue para a palavra, sem qualquer estratagema. A palavra é meu rito, minha forma de celebrar, investir, reivindicar: a palavra é a minha verdade, minha pena exposta sem humilhação à leitura do outro, hypocrite lecteur, mon semblable.

Em Amsterdam na Diezestraat 6 alguém me espera alguém me quer alguém dá vida e brilho à minha vida
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Em Amsterdam na Diezestraat 6 alguém me espera alguém me quer alguém dá vida e brilho à minha vida tão dividida que mal se define entre aquilo e o que. Alguém me espera entre tulipas alguém me espera entre folhas tombadas sob o sol sob a chuva sob o frio alguém me espera espera espera. Alguém constrói a sua casa como artesã-abelha delicada; sobre o sofá um quadro, uma explosão, que cada dia mais entendo, cada ano mais, e outros móveis, cortina, cozinha, um banheiro todo branco. E para mim um quarto, uma cama, um edredom azul, uma escova, papéis e muitos outros objetos, telas tintas um pedaço de ferro, outro de ouro, outro de aço. Alguém de longe me acena com uma lareira acesa.

Perdi a capacidade de assombro mas continuo perplexa: esta cidade é minha, este espaço
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Perdi a capacidade de assombro mas continuo perplexa: esta cidade é minha, este espaço que nunca se retrai, mas onde o ardor da antiga chama, que me movia no mínimo gesto? Esperei tanto, no entanto, esvaem-se na relva, ao sol, no vento, os sonhos desorbitados, parte da minha natureza sempre em luta com o fado. Perdi também no contato com o mundo, pérola radiosa, vão pecúlio, uma certa inocência; ficou a nostalgia de uma antiga união com o que existe, triste alfaia.