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Frase de Marly de Oliveira

Epigrama Bom é ser árvore, vento: sua grandeza inconsciente. E não pensar, não temer. Ser, apenas. Altamente. Permanecer uno e sempre só e alheio à própria sorte. Com o mesmo rosto tranquilo diante da vida ou da morte.

Marly de Oliveira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 2025. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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Perdi a capacidade de assombro mas continuo perplexa: esta cidade é minha, este espaço que nunca se retrai, mas onde o ardor da antiga chama, que me movia no mínimo gesto? Esperei tanto, no entanto, esvaem-se na relva, ao sol, no vento, os sonhos desorbitados, parte da minha natureza sempre em luta com o fado. Perdi também no contato com o mundo, pérola radiosa, vão pecúlio, uma certa inocência; ficou a nostalgia de uma antiga união com o que existe, triste alfaia.

Em Amsterdam na Diezestraat 6 alguém me espera alguém me quer alguém dá vida e brilho à minha vida
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Em Amsterdam na Diezestraat 6 alguém me espera alguém me quer alguém dá vida e brilho à minha vida tão dividida que mal se define entre aquilo e o que. Alguém me espera entre tulipas alguém me espera entre folhas tombadas sob o sol sob a chuva sob o frio alguém me espera espera espera. Alguém constrói a sua casa como artesã-abelha delicada; sobre o sofá um quadro, uma explosão, que cada dia mais entendo, cada ano mais, e outros móveis, cortina, cozinha, um banheiro todo branco. E para mim um quarto, uma cama, um edredom azul, uma escova, papéis e muitos outros objetos, telas tintas um pedaço de ferro, outro de ouro, outro de aço. Alguém de longe me acena com uma lareira acesa.

Minha felicidade vem de quando estou só e ninguém me interrompe no poema, essa espécie de transfusão
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Minha felicidade vem de quando estou só e ninguém me interrompe no poema, essa espécie de transfusão do sangue para a palavra, sem qualquer estratagema. A palavra é meu rito, minha forma de celebrar, investir, reivindicar: a palavra é a minha verdade, minha pena exposta sem humilhação à leitura do outro, hypocrite lecteur, mon semblable.