Pular para o conteúdo

Frases de Marian Keyes - livro melancia

33 frases

Meu Deus! Eu detestava aquela história de ser adulta. Detestava tomar decisões quando não sabia o que haveria escondido por trás da situação. Desejava um mundo onde as coisas boas e más tivessem rótulos claros. Onde música sinistra começasse a tocar no instante em que o vilão apa…
Continuar lendo

Meu Deus! Eu detestava aquela história de ser adulta. Detestava tomar decisões quando não sabia o que haveria escondido por trás da situação. Desejava um mundo onde as coisas boas e más tivessem rótulos claros. Onde música sinistra começasse a tocar no instante em que o vilão aparece na tela, de modo a não se poder confundi-lo com o mocinho. Onde o que lhe pedem é para escolher entre brincar com a linda princesa, no jardim perfumado, ou ser devorado pelo monstro horroroso, no fosso fedorento. Nada de muito difícil, entende? Nada que force a pessoa a se angustiar a respeito nem que lhe tire o sono a noite inteira. Ser uma vítima não é uma coisa lá muito boa, mas, que diabo, tira um bocado da confusão das coisas. Pelo menos você sabe que está certa.

Quinze de fevereiro é um dia muito especial para mim. É o dia em que dei à luz meu primeiro filho. E também o dia em que meu marido me deixou. Como ele esteve presente ao parto, só posso supor que os dois acontecimentos tiveram alguma relação entre si. Eu sabia que deveria ter se…
Continuar lendo

Quinze de fevereiro é um dia muito especial para mim. É o dia em que dei à luz meu primeiro filho. E também o dia em que meu marido me deixou. Como ele esteve presente ao parto, só posso supor que os dois acontecimentos tiveram alguma relação entre si. Eu sabia que deveria ter seguido meus instintos. Era a favor do papel clássico, ou, digamos, tradicional, que o pai desempenha no nascimento dos seus filhos. Que é o seguinte: tranque-o num corredor do lado de fora da sala de parto. Não deixe que entre, em momento algum. Dê-lhe quarenta cigarros e um isqueiro. Instrua-o a caminhar até o fim do corredor. Quando chegar a essa feliz posição, instrua-o a dar a volta e retornar ao local de onde veio. Repita, se necessário.

Mas não era nenhum consolo. Porque eu me sentia como se estivesse no inferno. E compará-lo com o inferno de outra pessoa não diminui em nada a dor do meu. Desculpe a metáfora sanguinolenta, mas, se estão serrando a perna de uma pessoa com uma serra de arco enferrujada, ela não se…
Continuar lendo

Mas não era nenhum consolo. Porque eu me sentia como se estivesse no inferno. E compará-lo com o inferno de outra pessoa não diminui em nada a dor do meu. Desculpe a metáfora sanguinolenta, mas, se estão serrando a perna de uma pessoa com uma serra de arco enferrujada, ela não se consola com o fato de que a pessoa na cela ao lado está sendo pregada numa mesa a marteladas.

Ele era parte de mim. Se meu braço caísse do meu corpo, eu não diria: “Deixe que fique assim, no momento certo ele voltará, se for esse o caso. Não adianta forçar as coisas. Talvez você só consiga afastá-lo.” Afinal, era meu braço, e ele fazia muito mais parte de mim do que qualq…
Continuar lendo

Ele era parte de mim. Se meu braço caísse do meu corpo, eu não diria: “Deixe que fique assim, no momento certo ele voltará, se for esse o caso. Não adianta forçar as coisas. Talvez você só consiga afastá-lo.” Afinal, era meu braço, e ele fazia muito mais parte de mim do que qualquer braço velho. Eu precisava muito mais dele. Amava-o muito mais. Simplesmente não podia viver sem ele.

Eu não ouvira a expressão “Ato Antinatural”, com a idade de doze anos, mas, se tivesse ouvido, eu a abraçaria como a uma irmã que não se vê há muito tempo. Senti vontade de chorar pela criança inocente que eu era, pela idealista menina de doze anos que eu fora um dia. Mas, ao mes…
Continuar lendo

Eu não ouvira a expressão “Ato Antinatural”, com a idade de doze anos, mas, se tivesse ouvido, eu a abraçaria como a uma irmã que não se vê há muito tempo. Senti vontade de chorar pela criança inocente que eu era, pela idealista menina de doze anos que eu fora um dia. Mas, ao mesmo tempo, não sabia o que estava perdendo

Minha cabeça estava cheia de Adam, Adam, Adam. Da mesma maneira como os camareiros do Titanic estavam mais preocupados com os cinzeiros não esvaziados do bar do que com o enorme buraco do lado do navio, que deixava entrar milhões de litros de água, eu também estava preocupada ape…
Continuar lendo

Minha cabeça estava cheia de Adam, Adam, Adam. Da mesma maneira como os camareiros do Titanic estavam mais preocupados com os cinzeiros não esvaziados do bar do que com o enorme buraco do lado do navio, que deixava entrar milhões de litros de água, eu também estava preocupada apenas com o que não tinha importância, e ignorava, assim, o que era vital. Algumas vezes, é mais fácil dessa maneira. Porque, embora eu não pudesse fazer droga nenhuma com relação ao enorme rombo, ainda estava ao meu alcance esvaziar um cinzeiro. Bela analogia.

Provavelmente, ainda choraria todas as noites, antes de dormir, durante o próximo século inteiro. Mas não estava mais aleijada pela minha perda. Meus tornozelos tinham sido quebrados pelo bastão de cricket da infidelidade e traição. Isso me jogara no chão, arrebentada, e me deixa…
Continuar lendo

Provavelmente, ainda choraria todas as noites, antes de dormir, durante o próximo século inteiro. Mas não estava mais aleijada pela minha perda. Meus tornozelos tinham sido quebrados pelo bastão de cricket da infidelidade e traição. Isso me jogara no chão, arrebentada, e me deixara ali deitada, arquejando de dor, incapaz de me levantar. Mas estava apenas machucada. Muito, na verdade. Mas, ao contrário das primeiras impressões, nada estava quebrado. Agora, eu tentava dolorosamente ficar de pé, vendo se ainda podia caminhar. E, embora mancasse muito, descobri, para minha alegria, que podia.

Sabia que fizera a coisa certa. Pelo menos pensava ter feito. Mas acontece que aquilo era a vida real, e nenhuma decisão era inteiramente clara. Não é como virar no lugar certo e conseguir a felicidade para sempre ou virar no lugar errado e sua vida se transformar num desastre. N…
Continuar lendo

Sabia que fizera a coisa certa. Pelo menos pensava ter feito. Mas acontece que aquilo era a vida real, e nenhuma decisão era inteiramente clara. Não é como virar no lugar certo e conseguir a felicidade para sempre ou virar no lugar errado e sua vida se transformar num desastre. Na vida real, muitas vezes é quase impossível dizer qual a decisão que se deve tomar, porque o que se ganha e o que se perde muitas vezes são equivalentes.

Mas, de qualquer maneira, era tudo tão esquisito que, para ser inteiramente franca com você, eu já não distinguia meu bumbum do meu cotovelo. E não é o tipo de erro que normalmente cometo. Não seria comum me acharem colocando pomada para hemorróidas em meu cotovelo. Ou encharcand…
Continuar lendo

Mas, de qualquer maneira, era tudo tão esquisito que, para ser inteiramente franca com você, eu já não distinguia meu bumbum do meu cotovelo. E não é o tipo de erro que normalmente cometo. Não seria comum me acharem colocando pomada para hemorróidas em meu cotovelo. Ou encharcando meu bumbum com suco de limão, por exemplo. Mas, como eu já disse, eram tempos difíceis.

Vocês conhecem aquele instante, bem no final de um relacionamento, quando todos os nossos amigos se reúnem em torno de nós e dizem uma porção de coisas aborrecidas, como “Tem muito homem por aí” e “Ele jamais a faria feliz”. Bem, quando eles chegam ao trecho sobre “Com o tempo tu…
Continuar lendo

Vocês conhecem aquele instante, bem no final de um relacionamento, quando todos os nossos amigos se reúnem em torno de nós e dizem uma porção de coisas aborrecidas, como “Tem muito homem por aí” e “Ele jamais a faria feliz”. Bem, quando eles chegam ao trecho sobre “Com o tempo tudo isso passa”, tente lutar contra seu impulso inicial de dar um soco no olho de cada um. Não faça isso, porque é realmente verdade. Eu era uma prova viva disso

De uma maneira perversa, eu ficaria satisfeita se o tivesse surpreendido fazendo alguma coisa ruim. Talvez numa trama sadomasoquista com uma menina de 14 anos. Ou, ainda melhor, com um menino de 14 anos. Ou, ainda melhor, com uma ovelha de 14 anos. Ou, o melhor de tudo, espiando…
Continuar lendo

De uma maneira perversa, eu ficaria satisfeita se o tivesse surpreendido fazendo alguma coisa ruim. Talvez numa trama sadomasoquista com uma menina de 14 anos. Ou, ainda melhor, com um menino de 14 anos. Ou, ainda melhor, com uma ovelha de 14 anos. Ou, o melhor de tudo, espiando o programa “Cada Segundo Conta” (isso sim é abominável e imperdoável).