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Frases de Maria da Penha Boina

276 frases

Visitou um corpo como quem mergulha num mar revolto Sobe até o espelho d'água, inspira e desce
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Visitou um corpo como quem mergulha num mar revolto Sobe até o espelho d'água, inspira e desce com a sensação de afogamento Permanece por algum tempo no recursivo procedimento Sentindo-se satisfeito, já esgotado abandona o corpo nu.

Descaminho Quando decidi estar com você Aprendi além daquilo que imaginei um dia aprender
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Descaminho Quando decidi estar com você Aprendi além daquilo que imaginei um dia aprender Aprendi o que é a mentira, o que é o errado o olhar e o sorriso, falsos e que não existe intervalo entre o amor e o ódio entre o bem e o mal Aprendi quando devo ceder para obter Aprendi que sou capaz de aprender o que é a mentira , o que é o errado, o que é o ódio e o que é o mal autoflagelo para suportar o inóspito Aprendi com a retórica do sofista Aprendi que um desatinado pode me ensinar contudo, aprendi a perder o juízo para surpreender aprendi tantas banalidades tresloucada, olho-me ao espelho e o reflexo é você.

Profecia Há uma garoa no outono que umedece Velha e frágil folha que o pomar conserva.
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Profecia Há uma garoa no outono que umedece Velha e frágil folha que o pomar conserva. Já distanciada a lembrança Da dança ao afável vento da primavera. Um inseto chamado esperança Sem escrúpulo, pousa e abraça a folha úmida A folha sem força cai no limo Junto a ela, morre a esperança. É ingrato um abraço tardio É mau agouro Esperança morta.

Conto da vida real - 1 Dalila deixou a sua vida segura para ir viver com Augusto. Partiu sem olhar para trás, fascinada em conhecer o que havia de interessante do outro lado do atlântico, culturas, novos lugares e estar com a sua paixão, o Augusto. Não se passou muito tempo e D…
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Conto da vida real - 1 Dalila deixou a sua vida segura para ir viver com Augusto. Partiu sem olhar para trás, fascinada em conhecer o que havia de interessante do outro lado do atlântico, culturas, novos lugares e estar com a sua paixão, o Augusto. Não se passou muito tempo e Dalila estava encantada com tudo que vivia. Mas, em uma ocasião, sem que ela tivesse astúcia para perceber, lá também tinham as suas coisas esquisitas. Depois de viver muitos anos por lá e desistir de tudo, Dalila começou a recordar de muitas dessas coisas, situações que a paixão não permitia que enxergasse. Foi então que Dalila me contou uma delas, dentre tantas outras que veio a contar mais tarde. Vou relatar a primeira, deixando as outras para adiante. Era uma noite fria, ela não se lembra bem se já era inverno, poderia ser uma noite de outono. Augusto ainda não se tinha deixado conhecer plenamente por Dalila, aliás, nunca se deixou conhecer, mas sempre a tratava com muito carinho e desvelo. Os dois saíram naquela noite e foram à Nazaré, um sítio de praias bonitas e turísticas, lugar que Augusto conhecida muito bem, pois passou a sua infância, adolescência e continuou a frequentar freneticamente na vida adulta, conhecia cada ruela de casas antigas e bem conservadas, muitas ruelas não se entrava com o carro. Dalila já não muito jovem, estava entrando na idade dos seus 40 anos, mas ainda tinha lá um charme que encantava e, em sua cegueira por Augusto, lhe confiava a sua proteção diante do novo. Tanto Augusto quanto Dalila gostavam da boêmia e bebiam uns copos para se divertirem. Naquela noite, depois de não beberem muito, estavam alegres e sorridentes, quando Augusto encontrou três pessoas, uma mulher e um senhor, ambos de meia idade, e um terceiro senhor mais jovem e de boa aparência, usava um sobretudo, talvez de cor preta ou cinza escuro, na luz da noite não se fazia possível perceber bem. Foi então que algo muito estranho aconteceu. Dalila não compreendeu o que Augusto conversou com eles, estava mais para sussurros do que para uma conversa descontraída. Augusto pega na mão de Dalila e a puxa, quanto ela pergunta para onde iriam, ele responde, vamos até um lugar com essas pessoas, pessoas mesmo, que ela nunca soube os seus nomes. Caminharam um pouco pelas ruas estranhas da Nazaré e o senhor mais velho abriu uma porta, vagamente Dalila se lembra que mais parecia estarem entrando em um porão. O ambiente era mesmo muito estranho com algumas mesas e bancos de madeira, e também algumas cadeiras, não havia muita coisa lá dentro, e com pouca iluminação, era como se estivessem num mausoléu de tamanho maior, tudo muito fúnebre. Dalila se lembra que serviram uma bebida que continha álcool, não sabe que tipo de bebida, também não sabe o que adicionaram na bebida, porque ela se sentiu diferente depois de ingerir alguns goles, e parou imediatamente de beber. Augusto ficou conversando com o senhor e senhora mais idosos e deixou Dalila sem muito ambiente e a solta. Dalila são sabe dizer se Augusto estava a fazer tudo com algum propósito, com certeza Dalila sabe que Augusto, homem da vida e bem vivido, de inocência não tinha nada. Passado alguns minutos, o senhor de sobretudo e mais bem aparentado, começou um diálogo com Dalila, conversa estranha de gente esquisita, ao ponto de dar uma cantada na Dalila como se ela fosse uma mulher da vida. Ela percebeu que tudo aquilo era extremamente novo para ela, era o submundo que nunca havia conhecido e, sutilmente se achegou a Augusto e disse para irem embora que a conversa não era agradável. Mais estranho foi a atitude de Augusto, sem titubear e nem pegar na mão dela, saiu muito furioso e a andar depressa sem esperar por Dalila, que saiu correndo atrás de Augusto que já se retirava do recinto. Caminhando apressadamente, Augusto na frente e Dalila atrás sem entender nada, foram até o carro e se dirigiram para casa e, nunca mais falaram sobre o ocorrido. Dalila e Augusto voltaram muitas vezes na Nazaré e, Dalila se lembra em ter visto o tal senhor do sobretudo, mais de uma vez, ele fingia que não a conhecia e ela também. Dalila nunca comentava nada com Augusto. Passaram-se alguns meses e Augusto falou para Dalila que o tal senhor mais velho havia falecido. Dalila pensou... estranho Augusto se interessar sobre a vida e a morte de uma pessoa tão esquisita... Teria Augusto mais conhecimento naquelas pessoas que ela não percebia? Seria Augusto tão estranho quando eles? Queria Augusto em conluio com aquelas pessoas testá-la, por não a conhecer bem e não ter certeza de quem ela realmente era? Queria Augusto que Dalila fosse uma mulher da vida para conseguir proveitos financeiros? Era Augusto um atravessador de prostitutas e se deu muito mal com Dalila? Hoje Dalila sabe o quanto foi míope durante alguns anos. Sim, o homem que ela prezava tem como resposta, para todas as perguntas mais negativas que ela se fez e faz sobre ele, positiva. Augusto é do submundo.

Felicidade insana Qualquer coisa pode trazer felicidade aquele sonho que foi mal realizado
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Felicidade insana Qualquer coisa pode trazer felicidade aquele sonho que foi mal realizado justifica-se na intriga armada que na pessoa mal amada no ato que deveria ser volúpia não passa de fúria no pensamento necessita mostrar ao mundo a sua performance fria, desenhada É a estupidez que reina quando a solidão desatina diante do caos nos sentimentos esta felicidade é uma penicilina. Mesmo com a alma ferida imagina-se fortalecida seduzindo-se pelas tentações alimentando o ego e vaidade fingindo a própria vida iludindo-se com o reconhecimento mentindo à sociedade Na morte também é assim o apodrecimento é sempre de dentro para fora e não de fora para dentro.

Liberdade 2019 Não estava escrito no céu Não estava escrito nas estrelas
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Liberdade 2019 Não estava escrito no céu Não estava escrito nas estrelas Estava escrito no muro Já escurecido pelo tempo Arruinado pelo pó e pela chuva Era o limo que escondia a palavra Ela se fazia resistente as intempéries A LIBERDADE em estrangulamento, fato Muita gente passa é já não mais a observa É só um muro sujo que precisa ser demolido Mas, para os meus olhos, ela salta em 3D Tenta se desgarrar como a alma de um corpo morto que não quer deixá-la ir A LIBERDADE é persistente Ela sabe que um dia o muro irá cair Ela se desprenderá Levará a vida ao arrepio da Lei Que perdeu a sua essência Lei que levanta muros Lei dos incultos Lei da unicidade Lei de atos inseguros Lei da obstinação Por melhor que seja A LIBERDADE não irá se fixar nem no céu Nem nas estrelas Não, LIBERDADE não é presa LIBERDADE é excelência Expurga a comedida paciência.

À Rosa A Rosa mulher quer ser bela Toda rosa é única e bela
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À Rosa A Rosa mulher quer ser bela Toda rosa é única e bela Sustentada por um caule espinhoso E é isso que deseja a Rosa? Desejar é um direito ao encanto da beleza Então Rosa mulher, que se cumpram os seus caprichos Cuide bem dos seus olhos claros Eles são as suas rosas Que é a essência única da sua beleza Produzindo uma viva impressão de deleite e admiração Sustentados por um caule que, mesmo adubado com esmero O tempo não perdoa

Ah! Esse calor que se sente É às vezes um arrepio demente Que faz o olhar infinito.
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Ah! Esse calor que se sente É às vezes um arrepio demente Que faz o olhar infinito. Sem pressa na ocasião Aprazível sensação Absolutamente perdido Nos jardins esquecidos. Não existem os astros As cores e o espaço Doa-se totalmente À ação do desconhecido Apêndice do desejo. Amor é o orgulho sem censura E tão somente Amamos a nós mesmos.

⁠A Vida A vida não é assim Com beleza maquiada
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⁠A Vida A vida não é assim Com beleza maquiada Para demonstrar felicidade Muito além do normal, Viver de trocas Inventar novos passeios A tentar preencher o vazio do peito Ilusão afoita do esperançado perfeito No desencontro do próprio eu, Os olhos passam a carregar um olhar cansado O corpo a ficar esquálido E o sorrir constante e aberto Sem alegria, Bonito talvez fosse Abstrair-se do imaginário E internalizar que a felicidade Pode vir de uma vida minimalista, serena Mais real e plena.

⁠"Ismos" Até quando seremos submissos? Aos “ismos” do clientelismo, coronelismo e mandonismo?
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⁠"Ismos" Até quando seremos submissos? Aos “ismos” do clientelismo, coronelismo e mandonismo? Até quando seremos capazes de suportar a verborragia para o domínio? - Até quando? Até que superemos a nossa posição de resignados, que sobrepujemos a nossa ignorância do medo Até entendermos que a elegância estética do comportamento é para os “ismos”, como as pseudoteorias do autoconhecimento para o nosso equilíbrio emocional Os “ismonalistas” irão nos reverenciar por sermos equilibrados, educados, não contestadores Quando cairmos na realidade de que nada é orientado para uma sociedade mais igualitária, o tempo se foi Já não seremos quem somos, por ter perdido a própria identidade, a criatividade e a liberdade de pensar - Até quando? Até o momento de compreendermos que poderemos ser alforriados e que, conseguiremos sobreviver sem as amarras dos “ismos” Uma nova moral ressurgirá e os “ismos” não serão para o elitismo. Alcançaremos, pois, uma sociedade para o altruísmo, hedonismo, criticismo, interacionismo e o libertarismo. Dando adeus aos velhos “ismos”. Quando?