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Frases de Maria Beserra

41 frases

⁠Eu fui faxineira uma vez. Todo emprego que eu arrumei depois só foi faxina ou serviços domésticos. Que ironia, não é? Fiquei a vida toda fadada a faxina. Se meu primeiro serviço fosse em loja, estaria fadada a vida toda em loja. Se fosse telefonista, seria o resto da vida...
⁠QUEM SÃO? Há muitos e muitos anos, um poeta revoltado Escreveu Navio Negreiro, pois estava indignado
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⁠QUEM SÃO? Há muitos e muitos anos, um poeta revoltado Escreveu Navio Negreiro, pois estava indignado Com o povo que emprestava a bandeira para cobrir A infâmia e a covardia que se viam por aqui! E no palco da cidade, ao som do toque do tambor Ouvia-se o poeta clamando ao Nosso Senhor: “Senhor Deus dos desgraçados! dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura...ou se é verdade, tanto horror perante os céus?!” Quem são estes miseráveis sem acesso a habitação? Nas praças, sob as marquises Buscam no lixo seu pão Quem são? E de onde vieram? Quem são? E por que miseram? Quem são? E o que fizeram Para tal condenação? Quem são estes que, transportados, piores do que gados, vão? Subempregados, suburbanos, exaustos na condução Sem ter moradia digna, nem acesso à educação Sem saneamento básico, com parca alimentação Quem são estes cidadãos? Quem são? Quem são? Quem são? Tantos anos se passaram, mas tão pouca evolução Ainda se usa a bandeira para encobrir a inação! E no centro da cidade, ao som do toque do tambor Ressoa a voz do poeta, clamando ao Nosso Senhor: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se eu deliro...ou se é verdade, tanto horror perante os céus?!”

⁠CIDADE DE CIMENTO Cidade de cimento cimentou meu coração! O que me comovia, hoje me dá medo;
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⁠CIDADE DE CIMENTO Cidade de cimento cimentou meu coração! O que me comovia, hoje me dá medo; No que eu repudiava, me tornei então! Cidade de cimento Bagunçou o meu discernimento; Dissipou os meus bons sentimentos; E me tornou num bloco de cimento... Cidade de cimento cimentou a minha esperança! Vejo tudo com desconfiança... Aprendi a viver com a violência cotidiana E me acostumei com a insegurança... Já não me assusta a corrupção, Já me adaptei com a miséria da população, Já não me comove, só vou dizendo não, não, hoje não... Já me acostumei a dizer não! Já me acostumei a negar o pão! Vou seguindo a ordem de não dar esmolas no trem, na estação... Cidade de cimento cimentou o meu coração; Cimentou a minha humanidade; Cimentou a minha emoção! Cidade de cimento transformou seus cidadãos Em blocos de cimento, sem calor, sem paixão! O que restou de sentimento foi a triste sensação De estar em 1800, na Industrial Revolução, Onde tudo era cimento, fome, dor e desalento... E o operário que, sem tempo para o próprio pensamento, Se tornou num bloco de cimento. Cidade de cimento cimentou!

⁠Minha timidez me impedia de interagir com os colegas da repartição. Parecia que todos já estavam inseridos em grupos ou tinham amizades sólidas formadas. Como eu não sabia me aproximar e quebrar essa barreira, me isolava ficando na praça com um livro como se estivesse em uma lei…
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⁠Minha timidez me impedia de interagir com os colegas da repartição. Parecia que todos já estavam inseridos em grupos ou tinham amizades sólidas formadas. Como eu não sabia me aproximar e quebrar essa barreira, me isolava ficando na praça com um livro como se estivesse em uma leitura envolvente, o que nem sempre era real.

⁠PARA CANTAR NO ESPELHO Um dia você não vai estar aqui, Não vai chorar, nem vai sorrir
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⁠PARA CANTAR NO ESPELHO Um dia você não vai estar aqui, Não vai chorar, nem vai sorrir Nem vai sentir tudo o que sente. Um dia você não mais se ocupará Com coisas bobas, nem com as inquietações da sua mente. Um dia você não mais acordará Para trabalhar ou estudar, Tomar café ou conversar... Porque um dia você não mais existirá E será só uma lembrança Isso... se alguém lembrar! Um dia você vai desaparecer! Serás só uma lembrança até deixares de ser! Um dia, suas ideias e seus feitos, Seus amores, seus defeitos Serão todos esquecidos! Um dia o mundo vai seguir em frente Sem você estar presente como se nunca existido! Já dizia o velho Salomão: - Tudo aqui é passageiro; Faça o que vier-te à mão! Porque um dia você não mais existirá E será só uma lembrança Isso, se alguém lembrar! Um dia você vai desaparecer! Serás só uma lembrança até deixares de ser! E, se acaso, em outra vida for viver Podes disso ter certeza: Que já não mais serás Você!

⁠Às vezes é bom ser o primeiro... Às vezes é péssimo... O primeiro lugar ganha a medalha, mas depois...
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⁠Às vezes é bom ser o primeiro... Às vezes é péssimo... O primeiro lugar ganha a medalha, mas depois... Não tem nada mais para superar... Só retroceder... O primeiro não é o mais importante... O primeiro serve para abrir portas e caminhos, Preparar as pessoas, abrir o show, Levar a bandeira, tocar a corneta... É... tem seu valor! E eu? Eu fui o primeiro...

⁠Imaginava que as pessoas me veriam nas ruas e comentariam umas com as outras, me apontando: “É ela!” “Será?” “Sim, é ela!” “Vamos nos aproximar?”. E se aproximariam e me veriam esplêndida. E quando eu ficasse mais velha, com minha beleza mais ofuscada, ainda me reconheceriam pel…
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⁠Imaginava que as pessoas me veriam nas ruas e comentariam umas com as outras, me apontando: “É ela!” “Será?” “Sim, é ela!” “Vamos nos aproximar?”. E se aproximariam e me veriam esplêndida. E quando eu ficasse mais velha, com minha beleza mais ofuscada, ainda me reconheceriam pelo brilho nos olhos, pela postura elegante e pelo sorriso na face. E quando eu morresse, eu não morreria, permaneceria viva, aplaudida e admirada em toda minha beleza.

⁠Eu a amei muito antes de ter consciência do que era o amor. Eu a quis muito antes de saber o que era querer. Eu a admirei ainda infante. Na minha ingenuidade infantil talvez eu já tivesse reconhecido nela o meu grande amor, a minha mestra, a minha amiga, a minha doce companhia,…
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⁠Eu a amei muito antes de ter consciência do que era o amor. Eu a quis muito antes de saber o que era querer. Eu a admirei ainda infante. Na minha ingenuidade infantil talvez eu já tivesse reconhecido nela o meu grande amor, a minha mestra, a minha amiga, a minha doce companhia, a minha musa, a minha obra de arte favorita.