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Frase de Maria Beserra

⁠CIDADE DE CIMENTO Cidade de cimento cimentou meu coração! O que me comovia, hoje me dá medo; No que eu repudiava, me tornei então! Cidade de cimento Bagunçou o meu discernimento; Dissipou os meus bons sentimentos; E me tornou num bloco de cimento... Cidade de cimento cimentou a minha esperança! Vejo tudo com desconfiança... Aprendi a viver com a violência cotidiana E me acostumei com a insegurança... Já não me assusta a corrupção, Já me adaptei com a miséria da população, Já não me comove, só vou dizendo não, não, hoje não... Já me acostumei a dizer não! Já me acostumei a negar o pão! Vou seguindo a ordem de não dar esmolas no trem, na estação... Cidade de cimento cimentou o meu coração; Cimentou a minha humanidade; Cimentou a minha emoção! Cidade de cimento transformou seus cidadãos Em blocos de cimento, sem calor, sem paixão! O que restou de sentimento foi a triste sensação De estar em 1800, na Industrial Revolução, Onde tudo era cimento, fome, dor e desalento... E o operário que, sem tempo para o próprio pensamento, Se tornou num bloco de cimento. Cidade de cimento cimentou!

Maria Beserra

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Pensador.com

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⁠Eu a amei muito antes de ter consciência do que era o amor. Eu a quis muito antes de saber o que era querer. Eu a admirei ainda infante. Na minha ingenuidade infantil talvez eu já tivesse reconhecido nela o meu grande amor, a minha mestra, a minha amiga, a minha doce companhia,…
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⁠Eu a amei muito antes de ter consciência do que era o amor. Eu a quis muito antes de saber o que era querer. Eu a admirei ainda infante. Na minha ingenuidade infantil talvez eu já tivesse reconhecido nela o meu grande amor, a minha mestra, a minha amiga, a minha doce companhia, a minha musa, a minha obra de arte favorita.

⁠Imaginava que as pessoas me veriam nas ruas e comentariam umas com as outras, me apontando: “É ela!” “Será?” “Sim, é ela!” “Vamos nos aproximar?”. E se aproximariam e me veriam esplêndida. E quando eu ficasse mais velha, com minha beleza mais ofuscada, ainda me reconheceriam pel…
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⁠Imaginava que as pessoas me veriam nas ruas e comentariam umas com as outras, me apontando: “É ela!” “Será?” “Sim, é ela!” “Vamos nos aproximar?”. E se aproximariam e me veriam esplêndida. E quando eu ficasse mais velha, com minha beleza mais ofuscada, ainda me reconheceriam pelo brilho nos olhos, pela postura elegante e pelo sorriso na face. E quando eu morresse, eu não morreria, permaneceria viva, aplaudida e admirada em toda minha beleza.