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Frases de Marco Antonio Ribeiro Coura

52 frases

Pipa amarela Era uma vez um menino Que era muito sonhador
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Pipa amarela Era uma vez um menino Que era muito sonhador Trocaria a sua pipa Seu brinquedo favorito Por um cargo de doutor O menino então cresceu Teve o sonho realizado Tornou-se executivo Profissional respeitado Mas um dia aquele homem Sentiu no peito uma dor Ao abrir sua janela Viu pairando no horizonte Seu brinquedo favorito Era uma pipa amarela Era uma vez um homem Que era muito sonhador Trocaria seu destino Pelos tempos de menino

Serenidade Vi um casal caminhando Cá em solo brasileiro
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Serenidade Vi um casal caminhando Cá em solo brasileiro Pelo jeito e sotaque Era gente do estrangeiro No colo da mãe dormia Um bebê, despreocupado, Sem jamais imaginar O que se passava ao seu lado. O marido, cabisbaixo reclamava A esposa, entristecida murmurava… Nada estava dando certo Para aquela jovem família Pois no ar se percebia Desalento e agonia. Talvez longe de sua terra, Sem emprego ou sem dinheiro, O casal sentisse incerto Seu futuro e paradeiro Mas no colo de sua mãe No final daquele dia O bebê, bem sossegado, Serenamente dormia… E ao olhá-lo mais de perto Percebi que até sorria. Quem dera este nosso mundo Tão antigo e tão moderno Pudesse ser, tão somente, Um suave colo materno.

GAROA Pois há gente que labuta Por toda uma eternidade
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GAROA Pois há gente que labuta Por toda uma eternidade Sonhando, algum dia, Alcançar a felicidade. Confunde tal sentimento Com vitória ou com sucesso Sem perceber que ele é parte E não o fim de um processo Ser feliz é desfrutar Das gotinhas da garoa Ao invés de esperar Um temporal pra se encharcar Você é seu próprio juiz Então, decida ser feliz!

Divagação Devagar… Eu divago. E buscando respostas pra tudo
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Divagação Devagar… Eu divago. E buscando respostas pra tudo Eu encontro apenas o nada… E o nada é tudo o que eu desconheço… E tudo o que eu conheço é nada… Nada mais do que isso Divago buscando respostas concretas de um mundo abstrato… Divago buscando respostas abstratas de um mundo concreto… E em meio a tudo, só encontro o nada… E tudo é tão vago, tal como esta minha divagação. Devagar… Eu divago.

Benção “A sua benção, papai! A sua benção, mamãe!”
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Benção “A sua benção, papai! A sua benção, mamãe!” “Meu filho, Deus te abençoe!” É pena que hoje pensem Que esse tempo já se foi… Pois a benção de uma mãe… Pois a benção de um pai… É benção que não se esquece! É benção que sempre aquece! É benção que permanece! É benção que não se vai.

PENSAMENTO Não posso respirar Lá no fundo do mar...
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PENSAMENTO Não posso respirar Lá no fundo do mar... Mas meus pensamentos Mergulham por horas No oceano profundo Da minha existência Não posso ficar Flutuando no ar... Mas meus pensamentos Mergulham por horas No horizonte infinito Da minha existência Como é bom poder pensar! Pensando eu viajo ao fundo do mar Ao topo do céu A qualquer lugar! Sem saber quando parar Sem ter pressa pra voltar Nunca deixe alguém ceifar A tua liberdade de pensar E de se manifestar... O pensamento é um direito Que merece e exige respeito.

LIMONADA Era um azedo limão Que foi cortado e espremido...
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LIMONADA Era um azedo limão Que foi cortado e espremido... Mas após tal aflição Tornou-se doce limonada Deixando uma rica lição. Era uma pedra bruta Que após bem lapidada Transformou-se em escultura Com tamanha formosura Por todos admirada Assim ocorre com a gente. Após serem as dificuldades Superadas com paciência Surgem os bons resultados Esta é a chamada “resiliência”. Daí nasceu a expressão Por tantos utilizada: “Transforme o azedo limão Numa doce limonada”.

Seu doce colo Sonhei que voltei no tempo E realizei meu maior desejo…
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Seu doce colo Sonhei que voltei no tempo E realizei meu maior desejo… Deitei-me em teu doce colo E recebi um beijinho teu… E apenas sussurrei: “Minha mãe!” De repente, duas lágrimas de felicidade Escorreram de meus olhos… Acordei, voltando ao meu tempo… Não mais senti o teu doce colo, Não mais senti o beijinho teu… E apenas sussurrei: “Minha mãe!” De repente duas lágrimas de saudade Escorreram de meus olhos…

SABIÁ-LARANJEIRA Quão belas são as lembranças Lá dos tempos de criança...
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SABIÁ-LARANJEIRA Quão belas são as lembranças Lá dos tempos de criança... Sendo um bom homem do campo Meu pai tinha antigos pios. E tal como a brincar Ficávamos a imitar Dos pássaros, os assobios. Qual era a nossa emoção Quando os pássaros nos ouviam! E, então, retribuíam Com uma linda canção! E ontem, ao entardecer, Sem querer voltei no tempo... Ouvi um doce assobio Vindo de uma paineira. E mal pude acreditar Lá estava a cantarolar Um sabiá-laranjeira. Revivendo meu passado Eu ouvi, maravilhado, Seu impecável assobio. Desta vez fiquei calado E com os olhos marejados Eu não dei sequer um pio.

Barraca Naquela grande cidade Embaixo do viaduto
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Barraca Naquela grande cidade Embaixo do viaduto Havia uma barraca … Quem ali moraria? Teria tido alguma vez? Teria tido alguma voz? Qual seria o seu nome? Teria sede ou talvez fome? E quanto à sua família, Por onde é que ela andaria? Naquela grande cidade Embaixo do viaduto Havia tantas barracas… Naquela grande cidade Quantos viadutos havia?

NINHO VAZIO Dois bonitos passarinhos Que voavam por aí
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NINHO VAZIO Dois bonitos passarinhos Que voavam por aí Um dia se encontraram E logo se apaixonaram Construíram um belo ninho Simples, mas aconchegante Então vieram os filhotinhos Felizes e esfuziantes A família aumentou E a trabalheira também… Ter comida e segurança Não é fácil pra ninguém O casal de passarinhos Com integral dedicação Transmitiu aos seus filhinhos Respeito e educação E assim, dia após dia, Numa luta sem parar Os pequenos filhotinhos Aprenderam a voar Mas em uma tarde voaram E já não voltaram mais… Foram construir seus ninhos Seguindo os próprios caminhos Como um dia, lá atrás, Também o fizeram seus pais Então, assim de repente O ninho aconchegante Que era tão quente e seguro Ficou triste, escuro e frio Tornou-se um ninho vazio E o casal de passarinhos Lá na varanda do ninho Hoje fica a murmurar Esperando que numa tarde Os filhotes reapareçam... E que voltem pra ficar.

Fé Religião não se discute, Mas vou dizer no que eu creio:
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Fé Religião não se discute, Mas vou dizer no que eu creio: “Religião não é o fim, É tão somente um meio.” Várias são as religiões, E com tantas diferenças... Mas há algo em comum Em todas as grandes crenças. Independente do credo Os seus fiéis acreditam Que a vida tem uma sequência Após esta existência. A isso chamamos FÉ E sua força é fenomenal. Se há um Deus onipotente Basta seguirmos em frente. Desculpe o meu desajuste... Religião não se discute.

Renascer O sol nasce… Mas se põe O sol se põe… Mas renasce
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Renascer O sol nasce… Mas se põe O sol se põe… Mas renasce Ele sempre faz assim. Talvez seja o destino Deste ancião-menino… Este é o seu ciclo sem fim. A lua nasce e então cresce Vê-se plena e vai minguando… Mas depois rejuvenesce Ainda com mais vigor Ela sempre faz assim. Talvez esta seja a sina Desta anciã-menina… Este é o seu ciclo sem fim. Não tenho o fulgor do sol Nem o esplendor da lua Mas quem dera eu possa ter Esse dom de renascer.

Gaiola Fico só a imaginar Pássaros que vêm e vão…
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Gaiola Fico só a imaginar Pássaros que vêm e vão… Quanto a mim, aprisionado, Há anos nesta gaiola Não sei mais sequer voar E nem se um dia irei embora Sinto as asas já ceifadas Sem forças para mais nada Só me resta, no momento, Suportar tal punição Com os restos do coração E as sobras do pensamento Meu crime foi ser tão belo Além de ter suaves penas E ser tão bom cantador Enquanto cumpro a dura pena Eu entoo este poema Pra amenizar tamanha dor.