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Frases de Mara inez sbroggio

11 frases

⁠NAVEGAR... PRECISEI... - Começou a chover. Dia ainda.
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⁠NAVEGAR... PRECISEI... - Começou a chover. Dia ainda. De repente o despedaçado coração Sentiu vontade larga de navegar Navegar Na enxurrada lenta que Calava a voz da rua. Navegar bonito No raso dos olhos mais cinzentos De uma cidade sem poente. Vai daí, O coração se arranjou todinho Dentro de um pequeno barco de papel E lá se foi... Enquanto isso, O magro corpo se molhado Malemá conseguia se despejar inteiro No leito das velhas esperanças. (E, muito menos, na inutilidade do tempo)

⁠BARES DA VIDA Garçom! Por favor... Dois dedos de prosa
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⁠BARES DA VIDA Garçom! Por favor... Dois dedos de prosa um trago de cachaça e um pouco de atenção. Traga-me um pano e limpe essa dor espalhada no balcão. Garçom! Por favor... Mais duas cachaças, uma pra mim, outra pra minha alucinação. Deixe-me logo a garrafa, baixe o volume da saudade ou ao menos mude de estação. Garçom! Por favor... Cigarro, isqueiro e cinzeiro, papel e caneta tinteiro e bom bocado de inspiração. Um envelope sem remetente, e peça água de colônia ao barbeiro para disfarçar o cheiro desta assombração. Garçom! Por favor... Uma canção de Amor e um bocado de gelo pra anestesiar meu coração E traga logo a minha conta e um prego de pendurar alma tão maltratada pela paixão. Garçom! Por favor... E se eu não vier resgatá-la, é porque não preciso mais, use-a para limpar o chão!

⁠EXILIO Um dia, talvez, sentirei o amor. De forma única, ao anoitecer.
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⁠EXILIO Um dia, talvez, sentirei o amor. De forma única, ao anoitecer. De riso fácil, terei seu calor, Talvez, o seu eterno prazer. Mas, o que se faz é dor. Pranto que nasce às estrelas. Que escorre em atos de ardor, ... Deste exílio insano das profundezas. A vida acontece aqui, no nada, totalmente sem muitas flores. Brindam angústias inusitadas, como autênticos e maus desertores. Não sabem da vontade que tenho, num lugar de carinhos e união. Esquecem que me fiz em meio a doçuras enormes de paixão.

⁠Você pode ser abastecido de toda sorte de beleza. Você pode se vestir com charme, ser agradável com as pessoas, entrar no universo com toda generosidade. Você pode não fazer nenhuma bizarrice, ser bastante carinhosa, sonhar com absolutamente tudo que é extraordinário, inclusive…
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⁠Você pode ser abastecido de toda sorte de beleza. Você pode se vestir com charme, ser agradável com as pessoas, entrar no universo com toda generosidade. Você pode não fazer nenhuma bizarrice, ser bastante carinhosa, sonhar com absolutamente tudo que é extraordinário, inclusive realizar alguns sonhos. Você pode ser solidária, ter uma vida divertida, cheia de privilégios, contracenar com o que há de melhor nas paradas do momento. Você pode portar-se com dignidade e arregimentar muitos admiradores, mas nada disso cumpre o protocolo do amor, porque o amor é permanência de delicadeza. Amar é elegante

⁠CENA MUDA Escrevo poemas, invento cenários Pintados de tintas frescas, afago
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⁠CENA MUDA Escrevo poemas, invento cenários Pintados de tintas frescas, afago Teus pensamentos em signos fáticos, Sonhando com atos de amor. É que, o que penso, nunca falo, E falo, às vezes, o que não penso. O que sinto, de fato, tímido Bate a porta da garganta, Avisando-te da minha presença. Abre-me a porta da saudade E invade esse coração sem pena. Partistes, sem que nunca houvesse chegado... Saudades de um amor sonhado. E com a paciência de quem Vai tirando a forma do barro, Nós vamos compondo a nossa precária E vasta eternidade em cenários e atos Dessa vida que se faz teatro.

⁠ OS DIAS SE VÃO... Os dias se vão ou NÃO Perdem-se no tempo como balões no infinito.
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⁠ OS DIAS SE VÃO... Os dias se vão ou NÃO Perdem-se no tempo como balões no infinito. Tudo acontece. Próximos ou distantes Os seres vivem e eu nada sei sobre eles Em mim A vagas ideias apenas imagens irreais, Recursos naturais, incertos e humanos Os dias se vão, os meus os seus, os nossos... quem sabe... Talvez se aprendermos a soltar balões, Quem sabe... Os nossos... quem sabe...

⁠RASGANDO O AZUL Seu rosto carente dança nos meus olhos perdidos! No bailado das ninfas há a doce incógnita de uma tarde molhada.
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⁠RASGANDO O AZUL Seu rosto carente dança nos meus olhos perdidos! No bailado das ninfas há a doce incógnita de uma tarde molhada. Paira no ar o veneno do sulfato Das rosas esmagadas na calçada, suspiros! No seu olhar arde uma prece inflamada No meu, em ritmo alucinante, Dança uma deusa ferida Desenha caricias no seu corpo adormecido de gemidos! Faz-lhe voar como pássaro Ganhar o universo temido Num olhar toma-lhe os lábios E alcança o eterno Assim, livremente, ensina-o e aprende a amar E, deposita em suas mãos O brilho de uma estrela cadente, risos! Estamos livremente perdidos no azul infinito do céu!

⁠ESPERANÇA I No açude de hipocrisias
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⁠ESPERANÇA I No açude de hipocrisias Quero receber a mensagem De esperança das montanhas; Admirar a pureza das nuvens; Perceber a ingenuidade do Caboclo Ser surda ao vento furioso Causador do murmúrio das águas; Ignorar os acordes De uma brisa compassada... Para então partilhar Da alegria dos pássaros

⁠PORTO DAS ILUSÕES Ontem a menina aportou Para olhar fim de tarde velejante
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⁠PORTO DAS ILUSÕES Ontem a menina aportou Para olhar fim de tarde velejante Despejar seu jeito depois Jazer junto ao lajeado cais. (igualzinho a um poema) E por um momento A menina desconfiou Que a vida desmanchava-se ali. Logo depois Já em face a face da noite A menina descobriu seu coração em atalhos Porque os sonhos primeiros tinham partido Lépidos Numa estranha sombra de mar Todinha estampada de estrelas, Lua, brancas areias, azaleias (igualzinho a um poema) Em seguida A menina ensaiou um gesto qualquer de tristeza Ensaiou; mas saiu apenas Um gesto qualquer de alegria Simples sorriso de outono Bem mais tarde A manhã veio naufragar brejeira nos olhos da menina Naquelas poucas águas paradas De tanta partida e fantasia