O estranho no ninho observava pelas entrelinhas
da janela de seus olhos o mundo lá fora.
-O que aconteceu?
-Senhor para onde este trem esta indo?
perguntou o menino de sardas timidas.
O senhor de barba grizalha e chapéu de palha respondeu:
-Depende, quanto tens?
O menino com os olhos cheios de lágrimas exclamou:
-Senhor dinheiro ,eu só tenho essas duas velhas moedas que trago em meus bolsos, nada mais.
E o senhor respondeu novamente:
-Dinheiro? daqui nada vale, apenas seus sonhos.
-Não tens sonhos? Questionou o senhor ao menino.
-Sim, tenho muitos. Disse o menino ainda com um ar de assustado.
O velho senhor então deu um meio sorriso e disse:
-Então por que perguntas para onde este bendito trem esta indo,
se carregas tantos sonhos contigo?
-Não percebes que se tem tantos sonhos assim, podes ir para onde quizer...
-Os sonhos são a passagem ilimitada para qualquer lugar do mundo! Finalizou o velho senhor...
"Mercado das almas"
Mercado das almas
amigos de palha,
a fumaça que não cala.
Barulho dos carros,
as queimaduras de cigarro,
as cores do passado.
A beleza moderna exposta
em um quadro em branco,
de saltos alto como uma bailarina
num circo de aberrações no entanto.
Fogo sem cessar,
o chão que nos devora.
As luzes que se acendem,
as pessoas que se apagam.
A terra a abraçar nossos pecados.
Tristes caixa de madeira morta.
Mercado das almas, olhe a sua volta.
Mercado da alma, parece que nada disso importa.
"O Canto dos Canhões"
Homens de lata
que devoram o sol,
que regam a miséria, a dor.
Olhos de pedra
corações de gelo.
O coral a contemplar
sua própria derrota,
a cavar sua própria cova.
Vinho dos ricos,
sangue dos pobres.
Verdades duras,
comforto velho e frio.
Escondes dentro desta caixa,
todos os teus medos,
todos os teus crimes,
para que eles, não te traiam um dia.
Os rostos vázios,
as medalhas a brilhar
com o sangue derramado nas guerras.
O triste desfeche,
as faces infantis
que jamais voltarão a sorrir.
A esperança de um céu azul,
e a música funebre a se espandir.
Os estomagos a devorarem
seus corpos, suas almas.
As sombras a esmagarem
a luz que nos acalma.
As migalhas feitas de papel
que controlam mais mentes
do que a nobreza de um homem fiel.
O canto dos canhões.
As guerras a alimentarem a burguesia,
os miseráveis que venderam
suas almas ao diabo sem saber.
A covardia dos homens cegos,
as árvores a chorarem
ao pé de seus corpos decepados,
o silêncio do próprio luto.
Que drama a de responder?
"A Babilonia Moderna e o Novo Eden"
Tanques a marchar,
a paz devorada pelo som das bombas;
Lágrimas e sangue a se misturarem
nas mesmas dores, nas mesmas tristezas,
nos mesmos olhares, na mesma terra.
O vinho humano escreve a história,
mas os nomes sempre queimam
junto com a polvóra e as memórias.
Os rostos marcados,
os corações arrancados.
Sorrisos fabricados,
seguimos em frente de olhos vendados;
Estupidos e inocestes
rumo ao matadouro
como gados marcados.
Nas vitrines mentiras para todos os gostos,
de todos os tamanhos;
Pequenas, grandes,
a se procriarem,
conduzem o rebanho.
Falso sono inconveniente,
fecha a janela de tua casa derrepente
para a verdade não mais provar...
"Ceu em vermelho"
Ponteiros tortos;
Ó donzela sem rosto
que a morte tenha piedade destes homens;
Que está embriagues traga algum brilho a estes olhos.
O vermelho em contraste como o céu
é a unica coisa que há para adimirar;
Até mesmo a lagarta em seu casulo
se recusa a sair e se transformar.
Ela diz: não não
os homens maus iram devorar minhas cores,
minhas asas...
Não posso culpa-lá!
Meninos de amarelos e uniformes pálidos;
Somos todos tão inertes e covardes,
tão iguais com os nossos medos...
Vejam as cores sobre a carne fria,
sobre as mentes vázias;
Contemplamos as vitímas da nossa própria ignorância,
Não percebem?
é tudo uma quetão de marketing!
alimentamos os assassinos,
os estupradore e toda a corja de opressores...Por quê?
O nosso sangue mantém os vermes de pé;
noite vázia sem sal...
"Tributo aos Malditos"
Malditos sejam os artistas de alma,
os poetas rebeldes,
os gênios loucos
que aos quais até a morte
se recusa a abraçar.
Malditos sejam!
Seus segredos e até mesmo seus medos,
que em busca tantos outros homens
enloqueceram tentando desvendar.
Qual o terrivel pecado que cometeram
para tão tamanha maldição.
O assasinato de suas atormentadas almas?
"Labirinto de Vento"
Emburaca a tua dor
no cinza dos teus olhos,
logo ao fundo um precipício,
lágrimas e gritos
guardados em silêncio...
Os sonhos contra o tempo,
labirito de vento
sopras pra longe tal sofrimento,
que se abriga em tua voz, tua pele,
com ar de fogo e morte,
não espere contar com a sorte.
Nossa doença singular,
cantada em plural
com um insano desejo de arriscar,
parece loucura vôar contra o vento
esperando ele te ajudar...
Soldados de gelo
com seus coturnos a marchar,
esmagando a esperança
que ainda insiste em restar.
Esmagam o sangue
que se esconde por debaixo desta terra,
labirito de vento
levas consigo tal sofrimento,
pois não há mais lágrimas para derramar...
Ergam se oh chamas da loucura,
mostre nos toda a sua sabedoria.
Façam os reis tremerem e seus castelos de mentiras desabarem.
Deixe nos provar de teu vinho,
o tão esperado vinho, que a tanto tempo nos és prometido.
Deixe nos embriagarmos em teu útero,
em vossa insanidade até que o terceiro olho se ilumine
e possamos caminhar sobre o céus
e os nossos sonhos cavalgarem sobre essa triste realidade.
Deixe nos provar de teu veneno,
que a tanto tempo aterroriza esses pobres homens sem fé,
incrédulos, amaldiçoados por sua cegueira...
Oh chamas da loucura mostre nos o caminho,
ensine nos a caminhar sobre os espinhos.
Para que nossas palavras possam cortar um dia
o vento como as laminas de um moinho.
Palavras estas escritas em um velho papel manchado de vinho tinto,
sobre um escrivaninha que hora aqui outra ali
servia tanto de cama como de esconderijo...
Eu sonho com dias melhores
Onde o amor não exista só nos contos de fadas
E as guerras sejam apenas tristes histórias passadas
Onde ninguém seja dono de ninguém
E das trivialidades não existam reféns
Onde ninguém precise vender sua alma ao diabo
E nem se tornar um invisível na calçada implorando um trocado
Onde quem jurou o povo servir e proteger
Finalmente honre suas palavras e cumpra o seu dever
Onde a voz que grita por mudança por uma questão de consciência
Não seja mais atacada nem reprimida com violência
Onde a liberdade de expressão corra livre e solta
Onde só os beijos nos calem a boca
Amo formas, curvas
Sou apaixonado pelas artes
Apaixonado pela noite
Mas também pelo nascer do sol
Sou fascinado pelo cosmos
Pelo ocultismo
O sobrenatural
Tudo que parece estranho
Tudo que me parece misterioso
Sou apaixonado pela desordem
E até mesmo pela morte
Mas sem renegar a vida
Nem os sonhos...
Fiz do teu riso meu latíbulo, meu paraíso
Declamei aos ventos,
Silêncios, perfumes
Noites com ar de improviso
Naveguei por entre versos
Transbordei minha alma
Nas folhas de um caderno
Réu confesso
Tua carne treme
Tua alma geme
Meus lábios deitam sobre os teus
Seus olhos anoitecem junto aos meus
Desfio os versos para tua beleza contemplar
Entre tuas margens, teus rios
Me desfaço dos textos para poeta me tornar
Entre uma e outra cena
Um gole e uma tragada
Um deslizar de pernas
Um invadir de almas
Um sorriso libertino
Um olhar malicioso
O desprender de um gemido
Um prazer insonioso
Nas ruas de teu corpo,
Me enebriei entre as madrugadas
Fiz delas versos loucos
Poesias depravadas