O bico da caneta escreve,
O imbecil que tanto fala e nada acresce,
O bico da caneta escreve,
O doido desejo de enlouquecer pra entender o que endoidece,
O bico da caneta escreve,
O pé de amor que nunca floresce,
É agora que,
A realidade fica insuprível,
Muito mais doída,
Pela irônica e tão temida,
Possibilidade da falta não dissipar,
Diante dos pequenos instantes,
Que sua ausência grita,
A inexistência,
- Aceita um café?
- Hum, sim com muito prazer,
- Então, vou passar um agora,
- Mas é aquele?
- Sim, aquele dos grãos da Mantiqueira,
Que exala o doce perfume de um lar,
Que é intenso como um instante,
Que é forte como o ato de perdoar,
Que é puro como um inesquecível gesto elegante,
Num instante tudo para,
O que fica em movimento é a sensação,
De que a beleza está sempre de atalaia,
Para surpreender,
Como as estrelas numa noite destampada,
Continuava enrolado no quarto sem luz,
E o sono não tinha pressa de chegar,
E lá fora com a sua tocata apaixonada, como de alguém que seduz,
Era o rouxinol que cortejava a formosura do luar,
Se é pra ir,
O rio que leve,
Se é pra ficar,
A terra que devore,
Se é pra atravessar,
Levo comigo,
Mas qual?
Manjericão?
Pra cuidar da alma e coração?
Ou levo comigo,
Alecrim?
Pra fazer cócegas no pé do humor da consternação?
Vou deitar um casal de sementes no berço do meu jardim,
Quem sabe noutro dia levantará um pé de manjecrim?
Na afoiteza para o amanhã,
Sobram certezas que amenizam,
O furor de uma realidade indominável,
Que os bafejos de paz abrandam,
Com astros e abraços de noturna lã,
A casa de outrora,
Era mais que mágica,
Imobiliada de fragrância de vida e canções desprendidas,
Sem ponto, poucas vírgulas,
Mais eteceteras e reticências de toda sorte,
De inolvidáveis momentos,
Era lar dentro de uma casinhola,