Amor de esquina, Amor transbordante, Amor que tropeça,
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Amor de esquina, Amor transbordante, Amor que tropeça, Amor que está ao alcance, Amor de rua, Amor debaixo da árvore,
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Amor de esquina, Amor transbordante, Amor que tropeça,
Amor de esquina, Amor transbordante, Amor que tropeça, Amor que está ao alcance, Amor de rua, Amor debaixo da árvore,
Como a claridade, Expressa, Que assombra a escuridão,
Como a claridade, Expressa, Que assombra a escuridão, Tácita, É a convicção da ambiguidade, Fecunda, Que amua o coração, Tristura, Como a de agora que lateja saudade, Falta,
Quando não se tem um regaço, Pra encostar a cabeça cansada de desgosto, Um bom vinho é o melhor colo,
Quando não se tem um regaço, Pra encostar a cabeça cansada de desgosto, Um bom vinho é o melhor colo, Na hora bravia que falta um consolo,
Passarinho da megalópole, Acorda já no fio, Galho elétrico no poste,
Passarinho da megalópole, Acorda já no fio, Galho elétrico no poste, Canta bem cedo, E depois foge,
Passarinho no fio, Feito malabarista, Pipila seus amores,
Escher revela o que está e não está de nossa ilusão, Euclides e a pluralidade unida com precisão, Schrödinger e a caixa do instante exato da incerteza,
Escher revela o que está e não está de nossa ilusão, Euclides e a pluralidade unida com precisão, Schrödinger e a caixa do instante exato da incerteza, Bach e seu cravo temperado mastiga as mazelas do mundo de rudeza, Dante muito além da religião do verso, Claudel esculpe o cinzel do universo, Amor cientificamente artístico,
Nesse frio um banho quente a qualquer preço, (mereço), Aqui sem companhia e sozinho, (castigo), Um coração que não sonha, (vergonha),
Pus minha cabeça no travesseiro, Esperando o sono que teimosamente demorava, Entre uma piscadela e outra comecei a ouvir um melodioso companheiro,
Pus minha cabeça no travesseiro, Esperando o sono que teimosamente demorava, Entre uma piscadela e outra comecei a ouvir um melodioso companheiro, Era o rouxinol que cantava,
Vinho pra enaltecer a gratidão, Ouvido aberto pra não deixar de perceber o som das taças gargalharem,
Ainda que as luzes da ribalta se apaguem, Ainda acharemos graça, Na escureza do riso perdido,
Diante deste mundo maluco, Portanto, Sou mais um louco,
Diante deste mundo maluco, Portanto, Sou mais um louco, Que elogia, O Doido de Roterdã, E todos os possíveis insanos, Que pensam, Que suas mentes são, Eternamente sãs,
Quem és tu? Que machucas com tanta crueldade, Que corporalizas,
Quem és tu? Que machucas com tanta crueldade, Que corporalizas, Que personificas, E tomas forma própria e não pedes licença?
Quando acordei estava com uma afável sensação, Como de quem dormiu com a graça, Como de quem sonhou com a perfeição,
Quando acordei estava com uma afável sensação, Como de quem dormiu com a graça, Como de quem sonhou com a perfeição, Era o rouxinol que na noite passada me presenteava na janela de casa,
Sou a única fonte, Para matar a sede, Dessa terra que germina,
Sou a única fonte, Para matar a sede, Dessa terra que germina, Todas as belezas e mazelas, Eu sou essa própria terra, Uma vez adorada, Brasil,
Em momentos triviais, Precisamente como este, De um silêncio visceroso,
Em momentos triviais, Precisamente como este, De um silêncio visceroso, É que sinto plenamente materializado, A imensurável insuficiência que insiste, Em existir,
Enfim me rendi na quietude do momento, E com uma leveza no olhar, Dormi como uma criança no balanço,
Enfim me rendi na quietude do momento, E com uma leveza no olhar, Dormi como uma criança no balanço, Era o rouxinol que murmurava a cantiga de ninar,
Nas classes gramaticais, Todas as palavras são cruciais, De todos os verbos, escolho amar,
Nas classes gramaticais, Todas as palavras são cruciais, De todos os verbos, escolho amar, Pena que ele é sinônimo de simplificar, Gramática dramática de tanta classe, Da escolha e da complexidade,
Soluço afogado em águas ferventes, Sinto o choro gemer dentro de mim, Dor agonizante sem fim,
Soluço afogado em águas ferventes, Sinto o choro gemer dentro de mim, Dor agonizante sem fim, Inefável sentimento enfim, Morro sempre assim, Ouvindo o desespero do meu choro dizendo, Morri, Morri,
A casa inesperadamente, Muito depressa mudou, Sem alaridos,
A casa inesperadamente, Muito depressa mudou, Sem alaridos, Com dissimulada e tacanha obscuridade, Súbito perecimento inexplicável, Que estamos fadados, Execrados, amaldiçoados,
Escrevo só, Para problematizar, O problema que não tem solução,
Escrevo só, Para problematizar, O problema que não tem solução, A solução que está perto, Como o bico da caneta, Que agora beija e lambe, O papel imoral, Que aqui continua, Concordando com cada mentira, Cada verdade,
Momento de esquecer as perguntas, E ficar só com um olhar a esmo para o vazio, Que me pertence,
Quem és tu? Que bates diferentemente todos os dias, Incurável,
Quem és tu? Que bates diferentemente todos os dias, Incurável, Que nem o tempo abranda, Interminável, Que só o tempo suaviza?
Eu quero o teu canto, Tua asas devolutas, Tua casa de vento,
Eu quero o teu canto, Tua asas devolutas, Tua casa de vento, Teu repouso matinal, Teu banho de sol, Tua incólume elegância, Raios de uma simplicidade incobrável, De todas as manhãs outonais,
Luminoso, Único Anjo ungido pelos harmoniosos sons, Cantou descendo, não caiu, pousou,
Luminoso, Único Anjo ungido pelos harmoniosos sons, Cantou descendo, não caiu, pousou, Incendiou a casa, Fogo perpétuo que chora ardente, Etéreo e eterno, Radiante,