Alma do Poeta
Não habita todo o entendimento
Na dor da paixão fragmentada
Apenas parte do sofrimento
Escorre pela carne alvejada
Num complexo ato insano
A esperança vem em porção
Maquiando o olhar profano
Da ilusão cheia de traição
Enquanto aguarda o novo tempo
Reparte o momento em fração
Tentando reciclar o intento
Em alívio, suspiros e emoção
Na poesia não é muito diferente
É a arte manifestando sua meta
Em versos em elos de corrente
Das partículas da alma do poeta
Mais que agrado
Como é bom ter satisfação
Tornar a alegria na lembrança
Lembrar dia a dia a emoção
Emocionar com está aliança
Chorar de prazer e paixão
Estar apaixonado nesta usança
Usar como regra está recordação
Recordar no viver está dança
Dançar no ritmo do coração
Amar e ser amado com confiança
Como é bom ter está adição
Mais que agrado. Bonança.
Carência
Se fico sem afeição
O amor fica sem teto
As trilhas sem emoção
E a carência sem afeto
Os dias ficam nebulosos
A ilusão sem traço reto
Os pensamentos tortuosos
E o oco coração inquieto
Certo! Versos escabrosos
Louco
Na alegria escarno a tristeza
Incógnito fico a rir e a chorar
Esta é minha louca realeza
Doido, verso e reverso o poetar
Cada desatino de ser violador
Chora a minha total lucidez
De um insano no seu fingidor
Onde mascara a loucura de vez
Se existir é que é muito louco
Então existo mais que o viver
Ser louco ainda é muito pouco
Nos acertos do normal saber
Sem rumo, louco, afortunado
Desatinado e cheio de muafo
Da vida, vivo para ser amado
De amor, louco, sem parágrafo
(Quero da loucura ser inventado!)
Minha poesia
Cada verso da minha poesia
Rima choro rima alegria
E neste côncavo e convexo
A voz e o olhar estão anexo
Na ilusão que delira cada trova
Atadas ao afeto e posto em cova
O que prova toda a alquimia
Da paixão que tenho na poesia
A lágrima escrita com sorriso
Também escreve o improviso
Da vida, com sua diversidade
“Poemando” toda a fertilidade
Da inspiração, do amor, da emoção
Todas rimas vindas do coração
A minha poesia é caipira é do mar
Do cerrado, montanha, qualquer lugar
(São falas da alma que se põe a poetar)
Pedaço de Mim...
Em cada verso sangrado, deixo um pedaço de mim
Largado nas trilhas do desconhecido confim
Da alma, que almejou sempre a emoção
Florescendo nas margens do coração
E nesta arte de rimador
Se com alegrias, fantasias, realidades ou dor
Fui sempre fiel cavalheiro
Em cada estrofe, um aparente verdadeiro
Se por acaso omisso, pura necessidade
Pra não me machucar nos espinhos da rosa
Oferecidos em verso e prosa
A cada uma das lágrimas vertidas
Das chegadas e das partidas
Traduzidas na ofertada flor
Das necessidades de um amor...
PRESÉPIO FACTUAL
Na gruta de pedra fria
Sob o céu e a estrela guia
Nasce o Filho, da Mãe Maria...
Reiterada com tantas outras na favela
Entre os burros e os bois de todo o dia
Na casinha humilde de porta e janela
Os Josés e Marias de coragem e ousadia
Encenam seus presépios a luz de vela
Ornados de sonhos, ilusões e valentia
Rangendo no peito está endurecida tramela
Dos solavancos da labuta e da hipocrisia
É um povo simples, pastor, de puída lapela
No ontem, hoje a mesma analogia (Desigualdade)
O homem não sabe do amor ter tutela
Não quer na vida conviver com fraternidade.
Baú
Purgando a resenha de meus sonhos
Deparei com meus fados empoeirados
Num baú de olhares de risos tristonhos
E venturas soltas em escritos amassados
Cambaleei entre minhas fragilidades
Tentando ocultar as minhas fraquezas
Como se possível fosse rasgar verdades
De tantas alegrias e de tantas tristezas
São tempos passados e repassados
Agora relembrados num canto peculiar
Se esquecidos também guardados
No puro encanto de sempre amar
Já nem lembrava de alguma situação
Que faz vivar a alma em miragem
De afeto, de amor, fé e de emoção.
E que a esperança é que nos dá aragem...
(Renascidos neste baú de gratidão...
Pois aqui estamos só de passagem!)
Marias... Mães
Mulheres, Mães, Marias
Milenares, estrelas
Narradas nas poesias
Castas, donzelas
Prostitutas, mediomanias
Branca Maria
Preta Maria
Magra Maria
Gorda Maria
Simplesmente Marias
Amadas, amorosas
Abandonadas
Marias carinhosas
Enamoradas, casadas
Bravas
Solteiras, sorrateiras
Escora da cria
Fervorosas, nunca frias
Resadeiras, sempre Marias
Traz a vida, parteiras
Altas, baixas, metade, inteiras
Marias verdadeiras
Marias passadeiras
Faxineiras
Marias de fé
Marias de Nazaré
Marias mulheres
De afazeres
Marias de poderes
Cultas, analfabetas
Marias poetas
Marias... Marias...
Brindemos o champagne!
É seu dia, todo dia, dia a dia...
Todas as Marias numa só... Mãe
Navegar pela leitura é preciso
Traz emoção, sonho, destino
Nos aventurando no paraíso
Do fingidor, do sábio, do divino
Inspiradas no poder conciso
Da junção grifada no livro.
Tente! Experimente!
Assim, sem qualquer compromisso
Se deixando levar pela mente
Mergulhada na imaginação
E não mais que de repente
Vai estar apaixonado pela composição...
De corpo e alma ao ter o livro nas mãos.
Cordão da saudade
La vai um cordão puxado por confete e serpentina
La vai um cordão puxado por samba e marchinhas
La vai um cordão de índios, mascarados e colombinas
La vai um cordão de farra nos pés das cabrochinhas
Lá vai um cordão de ilusão de quatro dias de folia
La vai o cordão da minha saudade destes dias
Hoje sentado na janela vendo o que foi só alegria
Tornar-se sem inicio e sem final
No gosto de quero mais na nostalgia da quarta feira
Num emaranhado e desengraçado carnaval.
Perda do pai
Dezoito horas. Quem me acode?
Partiu no enigma da crença
Os dias se tornaram como pode
As noites lembranças como sentença
No mistério
Na aceitação
No cemitério
Oração
Eternidade
Saudade!