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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

⁠À SOMBRA DUM SONETO Penso no amor e fico, com receio De ser uma lembrança rejeitada
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⁠À SOMBRA DUM SONETO Penso no amor e fico, com receio De ser uma lembrança rejeitada Dessas que ao sentimento veio E que na estória foi descartada E nesta poética largado. Creio Ser emoção na poesia pousada E no haver o sentimento alheio Passa, nas pegadas de ser nada Choro, desejo, também há medo De o meu versar tornar obsoleto Ou me perceber vazio e quedo Porém, não tenho algum amuleto Confesso que nem algum segredo Só espero, à sombra dum soneto! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 26/10/2020, 05’46” – Triângulo Mineiro

⁠INDIGENTE POESIA Quando o vazio se ocupa do nosso peito E a solidão nos consome e nos invade
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⁠INDIGENTE POESIA Quando o vazio se ocupa do nosso peito E a solidão nos consome e nos invade O pranto não tem um qualquer direito De em seu nome nos dar uma saudade Ingratidão, suplício da dor sem respeito Que dorido dentro d’alma sem caridade Adentra o sentimento de um tal jeito Que não acalma e nós deixa na metade Estes silêncios são dívidas da sofrência Que na carência não tem uma alegria E no desamor o sonho é só impotência Então, quando o não o falto anuncia E no sim o amor perdeu a cadência Lágrimas causam indigente poesia... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 25/10/2020, 06’53” – Triângulo Mineiro

⁠CARREAR O silêncio, origem de um final Conhece o caminho do suposto
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⁠CARREAR O silêncio, origem de um final Conhece o caminho do suposto Lágrimas correndo com tal gosto Em uma sensação de dor visceral Que lacera a alma tão brutal Na fúria de qualquer desgosto Como sombras dum sol posto E uma avalanche descomunal Do desejo, ali sentidos e cego E nesta escuridão submerso A emoção é arrancada do ego Que maltrata, e deixa disperso Na ilusão, e então as carrego No olhar, no peito e no verso! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 25/10/2020, 10’33” – Triângulo Mineiro

⁠TRANSFIGURAÇÃO Prende na loa as rimas apaixonadas De tanto afeto, com tanto mistério
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⁠TRANSFIGURAÇÃO Prende na loa as rimas apaixonadas De tanto afeto, com tanto mistério Lotando-a de inspiração e critério As cantigas na fantasia realizadas Dar-lhe-á o gosto das madrugadas Enchendo com matiz o verso vazio Gentio, num valente terno arrepio De tantas, tantas doses consumadas E nestas trovas tão cheias de lampejo Vejo, o versar aquentar-se em brasas Do sentimento em emoção e ardor Então, depois da narrativa dum beijo O desejo, ó criação, se fada de asas E a poética em transfiguração de amor © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 24/10/2020, 10’28” – Triângulo Mineiro

⁠INQUIETO SONHO Quando n’alma do cerrado andei perdido Desencontros, os encontros e mudanças
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⁠INQUIETO SONHO Quando n’alma do cerrado andei perdido Desencontros, os encontros e mudanças A voz do querer sussurrava-me ao ouvido - O afeto só é bem se existem confianças Esperanças, e no muito esperar, cansas E, assim, só o alcanças, sem ser temido Onde a paixão lhe traz boas lembranças E o haver o vínculo não lhe é proibido Todavia, quando o olhar se faz perto Tornando o incerto em um algo certo Nessa vaga de encontro me desponho E, se me proponho a este doce carinho É porque no peito a afeição eu alinho E no ter, o amor, é um inquieto sonho © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 23/10/2020, 09’50” – Triângulo Mineiro

⁠INCERTEZA Este, o soneto de sensação inquieta Onde, ri e chora as horas de emoção
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⁠INCERTEZA Este, o soneto de sensação inquieta Onde, ri e chora as horas de emoção Chorado no papel, de um caro poeta A fiel lembrança de cada uma ilusão Este, canto de uma tenção completa Que soa no peito com uma pulsação De sofreguidão, de uma dor secreta Cravada no sentimento e no coração Este, que aqui versa o viver profundo Lamenta a sorte e no mesmo segundo De incerteza, rima o versejar tal amador É para ti ó alma de afeto pendente E a ti, ó paixão, se existe realmente Vacila, e nem sabe do meu amor! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 22/10/2020, 18’07” – Araguari, MG

⁠PÔR DO DIA Na hora silenciosa do sol poente Na fleuma do cessar em melodia
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⁠PÔR DO DIA Na hora silenciosa do sol poente Na fleuma do cessar em melodia Encenava a voz da prosa reluzente Que no ocaso do cerrado ali jazia No olhar, a divagação presente Na sensação, a imaginação ardia E a ilusão em um tom crescente Rezava no horizonte uma litania E o depois, sei lá do que o depois Pois, fiquei comovido, e nós dois Eu e a noite, admirados, bramia E na incitação maior do agreste Apenas sei que o que me deste Evidente, foi um belo pôr do dia © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21/10/2020, 09’29” – Araguari, MG

⁠A CRISTO NA CRUZ Os olhos meus pregados nessa cruz O vejo, nu, piedade deste que ti vê
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⁠A CRISTO NA CRUZ Os olhos meus pregados nessa cruz O vejo, nu, piedade deste que ti vê Tolerar, tolereis, meu Deus, por quê? Se ainda somos pecantes, ó Jesus! Que, pois, fui um dos que não fiz jus Ao amor Teu, e da piedade sem crê O pus na cruz, neste feito do sofre Cruelmente, fendendo a Vossa luz Quisesse Vós por nós estar sofrido E nós ó Pai, um indócil servo vosso Na dor Vossa, muito por nós sofreu! Que, pois, por nós estais revestido No pesar, e pagar-vos não posso Pois a morte Vós por nós venceu! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21/10/2020 – Triângulo Mineiro

O MAIOR REVÉS DO VIVER Cá dentro da alma de crer ser poeta Alma feita de paixão e de imaginação
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O MAIOR REVÉS DO VIVER Cá dentro da alma de crer ser poeta Alma feita de paixão e de imaginação Sedento de devaneio e de sensação Quanta coisa, quanta ilusão secreta Quão querer escrever em linha reta E, nas rimas aquela rima sem demão A certeza do canto certo na emoção A agnição que desejou ser completa Porque a dor aberta, o que mais dói E também que a tendência destrói Não é a saudade do outrora perdido Pois se foi, se suporta, é inevitável É bem mais vândalo o irreparável Do podido viver e não ter vivido! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21/10/2020, 09’27” – Triângulo Mineiro

⁠ANTES DO ÚLTIMO Que estros fugitivos me deixou aqui No silêncio... e a mim não mais veio
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⁠ANTES DO ÚLTIMO Que estros fugitivos me deixou aqui No silêncio... e a mim não mais veio Ilhando a trova sem frescor e asseio Que me falta, e que por ele me perdi Em que seda de lacuna me envolvi Se hoje parece um sonetar alheio Com palavras sem zelo, sem freio E, em qual da imaginação remordi Achei que fosse meu o teu prazer E que no versejar eu fosse te ter Eternamente, e você... de saída! Partiste, bem antes do último verso E o soneto na imensidão submerso E a emoção numa saudade perdida... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20/10/2020, 14’22” – Triângulo Mineiro

⁠[...]mais um pôr do sol... ...mais um dia que se vai e é a sombra que agora cai, trazendo a lua pra confortar, o cerrado, na Imensidão do escuro da noite... a vida em continuação! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado
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⁠[...]mais um pôr do sol... ...mais um dia que se vai e é a sombra que agora cai, trazendo a lua pra confortar, o cerrado, na Imensidão do escuro da noite... a vida em continuação! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Sertão da Farinha Podre

⁠A MESA A mesa tem seis ou mais cadeiras circundada dos lugares
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⁠A MESA A mesa tem seis ou mais cadeiras circundada dos lugares entre conversa e cafeteiras flores, alimentos e familiares De fazer parte, dares e tomares Também, conciliação e, nas beiras Discussão, brincadeiras, milhares Silêncio, espertezas e besteiras... De madeira, ouviu histórias sem fim louças de cor e brancas marfim Carregadas de emoções Enfim, entre o olhar pueril E a velhice, lá está ela, gentil Servindo a diferentes gerações © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19/10/2020 - Cerrado goiano

⁠O MEU PESAR Tenho pesar da solidão numa vida Da sensação que o carente sente
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⁠O MEU PESAR Tenho pesar da solidão numa vida Da sensação que o carente sente Dum amor que assim de repente Sai do querer, e vai de partida... Da ilusão que da alma é fugida Do olhar ingrato frente a frente Dos que ostentam toda a gente E os que não aquietam a ferida Tenho pesar do senso dividido De não estar sorrindo à revelia Contente de um dia ter nascido Pesar de mim, de quem sofreu De não ser mais e mais alegria E, de ter posposto o meu eu! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19/10/2020, 09’36” - Cerrado goiano

⁠ATANAZAR Viste-me abatido um dia no caminho em devaneios de que, nem eu o sei
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⁠ATANAZAR Viste-me abatido um dia no caminho em devaneios de que, nem eu o sei ó aperto no peito, assim, eu lhe falei: Cara poesia. Na jornada indo sozinho Trovei, e rimei, foi por entre espinho E em nenhuma postagem descansei Em cada uma loa que por ela passei Saudei! Umas até degustando vinho E neste poetar pedregoso, solitário Os pés deplorando em um calvário Imolado. Eu num canto, no entanto Ao chorar o prazer em um dejejum Tu e eu poesia. Em drama comum Versejamos com o mesmo pranto © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 18/10/2020, 14’13” – Triângulo Mineiro

⁠RIMAR DUMA SAUDADE Teve um tempo que mandava Nas poesias que eu escrevia
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⁠RIMAR DUMA SAUDADE Teve um tempo que mandava Nas poesias que eu escrevia Cada versar uma companhia E em cada linha festa bordava Com emoção, assim, andava Nas mãos a imaginação ia E em toda a obra que fazia A ventura, ao lado, ajudava Pobre a poesia, sem aquarela Sem fantasia, um dia tão bela E hoje, pedinte de qualidade E, no amor, sem substância Sobre o vazio da distância... Só o rimar duma saudade! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 18/10/2020, 09’29” – Triângulo Mineiro

⁠FAMINTO Vai, mísero sofrimento esfaimado pastar noutra sensação livremente
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⁠FAMINTO Vai, mísero sofrimento esfaimado pastar noutra sensação livremente deixai meu coração de te ausente faminto, carente, mas imaculado Não percas tempo, vá apressado pois se insiste em estar presente a paixão do teu olhar pendente despojo inútil, inútil o passado Deixai o vento levar, que o leve hei de me arrancar do teu nome e, assim, de ti isento, serei breve Aqui, piedoso a dor me consome nos soluços que o choro descreve e sem que ventura emoção tome © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 16/10/2020, 16’10” – Triângulo Mineiro

⁠GORJETA Eu sou aquele que no amor é perdido eu sou o que no fado me falta aporte
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⁠GORJETA Eu sou aquele que no amor é perdido eu sou o que no fado me falta aporte sou esse da desdita, e nesta tal sorte sou a contramão, a solidão desmedida A sombra no meio fio da cara vida e que no devaneio perdeu o norte que fica no vagar num choro forte rascunhando a chaga tão dolorida Sou aquele que no silêncio habita Sou pôr do sol sumido, desprovido Sou aquele que na ilusão orbita Sou talvez o ideal de alguma dita Quiçá a que o rumo me é devido Quem sabe uma gorjeta merecida © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 15/10/2020, 16’19” – Triângulo Mineiro

⁠PARALELO Incultos sentimentos ditos pela metade manifesto a vossa fiel leitura, ó leitores
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⁠PARALELO Incultos sentimentos ditos pela metade manifesto a vossa fiel leitura, ó leitores e em cada trova a vossos olhos, piedade lhes digo apenas piedade, não louvores E neste orgulho, este que é inanidade os suspiros, lamúrias e minhas dores lágrimas de amores e sua imensidade suportando por uns míseros favores Se entre minha sorte de nascimento encontrardes traços cujo o engano indique que divaguei com portento Crede, ledores, que foi do profano versado com a mão do fingimento em um paralelo ao o acaso insano © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Outubro, 14/2020, 16’54” – Triângulo Mineiro

⁠AO LONGO DA PROSA UMA TRISTE POESIA Ao longo da prosa uma triste poesia Já quando o entardecer deslustrava
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⁠AO LONGO DA PROSA UMA TRISTE POESIA Ao longo da prosa uma triste poesia Já quando o entardecer deslustrava no silêncio que o dia, assim, estava e o cerrado baforando melancolia A solidão pelo horizonte estendia um rubro vago no céu caminhava entre os suspiros e choro exalava saudades que a lembrança dizia E na rudeza que o sentido fingia a sofreguidão num só tormento levai, ligeiro vento, está agonia Oh se podeis ter dó do lamento meu, vos imploro, nessa avaria levai, levai do meu sentimento! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Outubro, 14 de 2020 – Triângulo Mineiro

⁠Ó SAUDADE QUE PASSAIS Ó saudade que passais, ao sol poente Pela estrada da lembrança, a suspirar
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⁠Ó SAUDADE QUE PASSAIS Ó saudade que passais, ao sol poente Pela estrada da lembrança, a suspirar E na solidão vais em uma vertente Sugerindo o aperto pra nos sufocar Deixai-me, aqui, assim, indiferente O sol que tomba, notando o pesar O mesmo que já declinou contente: - na graça, no vinho, no alvo luar... Deixai! Deixai ir com as cantigas Do entardecer, as dores sem fim E contigo todas as ilusões antigas Que eu quero dormir no descanso Com anso, calmo e que nada digas Adormecer num voo leve e manso © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 13/10/2020, 18’00” – Triângulo Mineiro

⁠TRAGÉDIA É a tragédia, bardo, desta vida neblina que na manhã embaça
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⁠TRAGÉDIA É a tragédia, bardo, desta vida neblina que na manhã embaça solidão com desleixo sem graça que na agonia sem dó é erguida É gemido que na dor favorecida por tristuras n’alma em carcaça um choro, um sonho de fumaça sulca ufana, e devora destemida É reza, enfim, que na pobreza da fé, numa carência generosa olha aos céus com certa frieza Mas ter desilusão, tão gulosa na alegria, é prosa sem defesa ao fado traz frustação furiosa © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 12/ outubro, 2020 – Triângulo Mineiro