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Frases de Luciana Maria Tico-tico

20 frases

microconto de fadas: Era uma vez, em uma terra onde os homens eram mais felizes, os urubus só rodeavam a carne podre....
Seus lábios encontravam meu rosto, meu pescoço, meu abraço e sorriso no céu mais azul de todos, meu vestido era o figurino de um filme sobre a mulher mais feliz do mundo, passarinhos cantavam como aqueles que nos acordam a manhã... O que estão fazendo os pássarinhos dos meus sonh…
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Seus lábios encontravam meu rosto, meu pescoço, meu abraço e sorriso no céu mais azul de todos, meu vestido era o figurino de um filme sobre a mulher mais feliz do mundo, passarinhos cantavam como aqueles que nos acordam a manhã... O que estão fazendo os pássarinhos dos meus sonhos na Barra Funda?

Poema inspirado no drama estático de Maeterlinck a mãe é muda o pai não pisca para não acordar a criança
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Poema inspirado no drama estático de Maeterlinck a mãe é muda o pai não pisca para não acordar a criança que dorme ou mama no peito da mãe com os pés sobre o pai a noite reclama garoa fina saudades de antes uma nuvem de medo distante se aproxima os olhos estáticos da menina no rio o corpo estendido no frio vem boiando na água até a porta da cabana de madeira de paredes tortas a noite é muda mas não é surda as gotas escorrem pela telha o sangue pelas veias de quem vive e quem não vive é paisagem todo mundo quer viver e não sabe como o inferno é o outro ou é a gente mesmo e os outros não ajudam não adianta… parece que melhora, mas cansa não há confiança que não se traia os olhos desviam da respiração intermitente do casal que não fala e que mente expirando o que sente e não traga tem um corpo boiando no rio a nuvem de medo distante é roxa e preta e azul da cor da noite o sangue vermelho no rio é da cor do sinal uma luz forte em sua fronte desce do carro respira o sereno tem uma mulher e uma criança em casa o inferno é o cheiro de gasolina do carro velho ou é viver sabendo que vamos todos morrer? a luz do farol é verde violentamente verde em sua paciência o corpo dói mas se aguenta a criança é muda e chora rasga o céu em um grito amargo tudo é dor e tudo é silêncio a sensação é de que não passa

O encontro do menino apaixonado com dona morte Caros colegas de classe Não sou do sertão nascida
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O encontro do menino apaixonado com dona morte Caros colegas de classe Não sou do sertão nascida Por isso peço licença aos mestres Para falar da cultura escolhida Vou lhes contar sobre uma arte Que também imita a vida Essa arte com o tempo Vem sofrendo mudanças O cordel da nossa lembrança Já está nos livros e no computador E até nas universidades, Na mesa do professor doutor! Mas muita gente ainda canta Muita gente ainda gosta de pendurar Suas histórias em um varal Pra o povo poder comprar E quem duvida pode ir buscar Na terra de painho que vai encontrar Em toda minha pesquisa Pra fazer essa lição, surgiu uma questão Se o sapo pula não é por boniteza E sim por precisão E se o povo ainda canta É porque não se cala o coração Se num mundo com tanta tristeza O sapo continua a pular, tenho algo a declarar Como diria um grande mestre Que também é grande artista Se não acreditássemos num futuro melhor Ninguém iria ao dentista. E foi pensando nisso que eu decidi contar A história de um menino Que botou dona morte pra correr Lhe contanto das maravilhas Que a vida pode ter Magro, franzinho, briguento e calado De cara fechada, sozinho e invocado Vivia no sertão e morava na estrada Brincava de bola com os meninos da vila E quando se machucava fingia que não doía. O menino era forte, corria em disparada Se a bola ia descendo os barrancos da chapada Era um menino sozinho, o menino do agreste Que conhecia todos os passarinhos Que cantavam nesse nordeste Ele se exibia dizendo: Quiriri, Sabiá azulão e maguari Jaçanã, Tuim, Beija flor e Saí Bico-chato-de-orelha-preta Biguá e bem-te-vi Talhamar , Xexéu, Sacua, Siriri Pica-pau , Mão da lua, Savacu e Sanhaçu . Tinha boa memoria, gostava de lembrar O nome das belezas da natureza do seu lugar Ele mesmo não tinha nome E por ser magro e nanico, Chamaram o menino De zézinho tico-tico Não tinha outro nome Então ficou assim mesmo Brincando na estrada, Andando a esmo Sonhar enquanto trabalhava a enxada Era seu jeito de espantar o medo Não tinha chinelo de dedo Mas ia pra escola sem ninguém mandar Achava ruim bronca de professora Sem saber o que o futuro iria guardar, Até que o menino sem pai nem mãe Foi de vez pra roça trabalhar Acabou-se a brincadeira nessa vida sofrida Ele trabalhava pra ganhar Um prato de comida E um teto pra dormir Com um buraco pra ver as estrelas Depois que a noite cair. Um dia sozinho, andando no mato Muito cansado pelo dia de trabalho O menino viu uma dona de preto E como menino, se viu sozinho e com medo A dona morte se aproximou E de espreita ao menino perguntou: “Ainda não está cansado da vida? Trabalha, trabalha e quase não tem comida! O que o mundo tem pra te dar Se é sozinho sem família e sem lar? Achei boa hora vir te buscar Anda, conhecer o lado de lá” O menino pensou bastante Não sabia por que vivia, Porque ir adiante? Se nada de bom acontecia? Mas então lembrou do céu de estrelas No buraco em cima da cama Tinha coisa mais bonita Do que o céu que a gente ama? “Dona morte eu não quero Tem alguém a me esperar As estrelas em cima da minha cama Que eu tenho que espiar E de dia tem os passarinhos e as belezura do sertão A gente pensa que tá ruim E depois que olha fica bão A vida eu vô levando Acho que tá meio cedo pra eu morre Quero ver mais um pouquinho As estrelas e o sol nascer Tudo tem sido ruim Mas eu sei que vai miora Até já me disse um conselheiro Que o sertão vai virar mar Parece que hoje em dia Tá mais pro mar virá sertão E eu nem sei como ajudar No meio dessa confusão Só lhe peço dona morte Não me leve agora não Eu ainda tenho que namorar As estrelas do sertão Te peço de coração pois minha vida tem valor Que ver eu lhe provar? Posso lhe dizer com amor As beleza desse lugar” E o menino pois se a falar Do pé de laranjeira boa de chupar Falou do buriti do caju e do sapoti Do pequi do bacuri do umbu e do oiti Falou da fruta pão, da manga, do cajá E também do caju, fruta boa pra amarra Falou da cana caiana e da mandioca que dá farinhada do milho do arroz e da fava Dos coqueiros e das palmeiras Onde a sabiá cantava Contou do babacá e da carnaúba Do tucum preto e da macaúba Do voo do bem-te-vi Que descansa e cantarola Na palha do miriti Ao som de sanfona e viola O menino explicou pra morte Que tinha muito pra aproveitar E que nessa terra tinha sim Uma família para cuidar E que estava ameaçada Precisando dele com certeza Pois sua mãe de verdade era mãe natureza Que muito tinha o ajudado Até a mostrar pra Dona Morte As belezas desse seu lado “Te peço não me leve embora Dona Morte Pois amanhã cedo tenho que estar acordado!” Dona morte foi-se embora Pois descobriu o menino apaixonado Pelas riquezas da natureza E pelas belezas do seu estado E hoje ele agradece por ser nordestino E viver seu destino, nesse chão abençoado Essa foi minha narrativa De vocês eu me despeço Como a mensagem positiva De um menino muito esperto Espero que a gente Sempre possa valorizar O privilégio que é a vida Amando e cuidando do nosso lugar

Minha avó chora. Antes ela não chorava, mas de dois anos pra cá, desde que precisou sair da sua casa, ela chora. Por diferentes motivos, mas um dos motivos causadores de choro recorrente da minha avó, em seus quase noventa anos, era exibição de reprise do programa Viola Minha Vi…
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Minha avó chora. Antes ela não chorava, mas de dois anos pra cá, desde que precisou sair da sua casa, ela chora. Por diferentes motivos, mas um dos motivos causadores de choro recorrente da minha avó, em seus quase noventa anos, era exibição de reprise do programa Viola Minha Viola. Minha avó chorava dizendo que a Inezita estava doente, que não estava bem para gravar o programa, por isso estavam passando reprise. Explicávamos que era Natal, Páscoa, Ano Novo, que Inezita estava de férias. Não adiantava, minha avó sofria por Inezita não estar ali, ela tinha medo do inevitável. Até eu estava ficando com medo de quando acontecesse. E aconteceu. Inezita era a motivação de vida da minha avó, porque ela era idosa e cantava, sorria, estava na televisão, com tudo. Se Inezita poderia fazer um programa usando fralda geriátrica a minha avó, com suas fraldas poderia fazer tudo. Não tinha outro programa para minha avó no horário da Inezita. Minha avó está chorando desde que recebeu a notícia, quando pensamos que ela se acalmou, as lágrimas estão caindo de novo. Eu tento dizer algo para consola-la, escuto seu choro e tento não perder nenhuma das suas palavras: "A única coisa que eu tinha era ela, agora eu não sei o que vai ser, era um costume de muitos anos. Tem alguma coisa muito errada, não tem mais novidades, só temporal, não sei se é muita gente, muito cimento em cima da terra... Eu não sei, eu fico imaginando… Tentando saber o que vai ser... Só sei que eu não queria que a Inezita tivesse ido embora".

O pai está fora O pai está fora A mãe está dentro...
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O pai está fora O pai está fora A mãe está dentro... O pai é a maldade E a mãe a bondade Nossa sede é de mundo E de carinho O mundo nos alicia O carinho nos prende E na confusão das vontades Se constitui um campo minado Deixamos-nos esfolar por todos os lados. E de vez em quando temos a sorte De conseguir sentir que um dia fomos animais. O pai é o infinito de fora A mãe o infinito de dentro O pai é brutal E a mãe é o intenso Negamos tudo para tentar crescer E depois de procurar por eles toda a vida As vezes aprendemos o caminho da casa dos nossos pais

Sobreviventes Somos mulheres Nos encontros e nos desencontros somos
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Sobreviventes Somos mulheres Nos encontros e nos desencontros somos Mais do que cromossomos somos Sonhos Sonhamos sonhos de mulheres E algo é sim muito igual e muito diferente Dentro da gente Nos encontramos nos sofrimentos Nas confusões que reverberam por dentro Somos irmãs Na boca há sempre um pouco desse gosto de desprezo Não passa Só de existirmos já lutamos Somos um fenômeno Somos mulheres feitas de sonhos

SIM Me escolhe Me cria
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SIM Me escolhe Me cria Me molha e me dissolve... Na pia Eu quero você E não sei como Eu quero o que você é e eu não Me dobra Me amplia Me afasta Me esfria Me assopra Desenha em mim Cartografia Me olha Me ensina Me diz uma só palavra

Vermelha é a cor do natal Menos presente e mais presença menos competiçao e mais confiança
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Vermelha é a cor do natal Menos presente e mais presença menos competiçao e mais confiança onde há guerra, que haja paz e nos corações desolados, esperança que o que nos mova seja a paixão e não o dinheiro e a ganância Se ainda é meu direito sonhar sonho que a revolução esteja próxima com livros ao invés de armas e perguntas no lugar de respostas Se nesses tempos de crise é preciso se posicionar no natalício de Jesus meu coração quer gritar pelo fim do capital vermelha é a cor do natal