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Frase de Luciana Maria Tico-tico

O encontro do menino apaixonado com dona morte Caros colegas de classe Não sou do sertão nascida Por isso peço licença aos mestres Para falar da cultura escolhida Vou lhes contar sobre uma arte Que também imita a vida Essa arte com o tempo Vem sofrendo mudanças O cordel da nossa lembrança Já está nos livros e no computador E até nas universidades, Na mesa do professor doutor! Mas muita gente ainda canta Muita gente ainda gosta de pendurar Suas histórias em um varal Pra o povo poder comprar E quem duvida pode ir buscar Na terra de painho que vai encontrar Em toda minha pesquisa Pra fazer essa lição, surgiu uma questão Se o sapo pula não é por boniteza E sim por precisão E se o povo ainda canta É porque não se cala o coração Se num mundo com tanta tristeza O sapo continua a pular, tenho algo a declarar Como diria um grande mestre Que também é grande artista Se não acreditássemos num futuro melhor Ninguém iria ao dentista. E foi pensando nisso que eu decidi contar A história de um menino Que botou dona morte pra correr Lhe contanto das maravilhas Que a vida pode ter Magro, franzinho, briguento e calado De cara fechada, sozinho e invocado Vivia no sertão e morava na estrada Brincava de bola com os meninos da vila E quando se machucava fingia que não doía. O menino era forte, corria em disparada Se a bola ia descendo os barrancos da chapada Era um menino sozinho, o menino do agreste Que conhecia todos os passarinhos Que cantavam nesse nordeste Ele se exibia dizendo: Quiriri, Sabiá azulão e maguari Jaçanã, Tuim, Beija flor e Saí Bico-chato-de-orelha-preta Biguá e bem-te-vi Talhamar , Xexéu, Sacua, Siriri Pica-pau , Mão da lua, Savacu e Sanhaçu . Tinha boa memoria, gostava de lembrar O nome das belezas da natureza do seu lugar Ele mesmo não tinha nome E por ser magro e nanico, Chamaram o menino De zézinho tico-tico Não tinha outro nome Então ficou assim mesmo Brincando na estrada, Andando a esmo Sonhar enquanto trabalhava a enxada Era seu jeito de espantar o medo Não tinha chinelo de dedo Mas ia pra escola sem ninguém mandar Achava ruim bronca de professora Sem saber o que o futuro iria guardar, Até que o menino sem pai nem mãe Foi de vez pra roça trabalhar Acabou-se a brincadeira nessa vida sofrida Ele trabalhava pra ganhar Um prato de comida E um teto pra dormir Com um buraco pra ver as estrelas Depois que a noite cair. Um dia sozinho, andando no mato Muito cansado pelo dia de trabalho O menino viu uma dona de preto E como menino, se viu sozinho e com medo A dona morte se aproximou E de espreita ao menino perguntou: “Ainda não está cansado da vida? Trabalha, trabalha e quase não tem comida! O que o mundo tem pra te dar Se é sozinho sem família e sem lar? Achei boa hora vir te buscar Anda, conhecer o lado de lá” O menino pensou bastante Não sabia por que vivia, Porque ir adiante? Se nada de bom acontecia? Mas então lembrou do céu de estrelas No buraco em cima da cama Tinha coisa mais bonita Do que o céu que a gente ama? “Dona morte eu não quero Tem alguém a me esperar As estrelas em cima da minha cama Que eu tenho que espiar E de dia tem os passarinhos e as belezura do sertão A gente pensa que tá ruim E depois que olha fica bão A vida eu vô levando Acho que tá meio cedo pra eu morre Quero ver mais um pouquinho As estrelas e o sol nascer Tudo tem sido ruim Mas eu sei que vai miora Até já me disse um conselheiro Que o sertão vai virar mar Parece que hoje em dia Tá mais pro mar virá sertão E eu nem sei como ajudar No meio dessa confusão Só lhe peço dona morte Não me leve agora não Eu ainda tenho que namorar As estrelas do sertão Te peço de coração pois minha vida tem valor Que ver eu lhe provar? Posso lhe dizer com amor As beleza desse lugar” E o menino pois se a falar Do pé de laranjeira boa de chupar Falou do buriti do caju e do sapoti Do pequi do bacuri do umbu e do oiti Falou da fruta pão, da manga, do cajá E também do caju, fruta boa pra amarra Falou da cana caiana e da mandioca que dá farinhada do milho do arroz e da fava Dos coqueiros e das palmeiras Onde a sabiá cantava Contou do babacá e da carnaúba Do tucum preto e da macaúba Do voo do bem-te-vi Que descansa e cantarola Na palha do miriti Ao som de sanfona e viola O menino explicou pra morte Que tinha muito pra aproveitar E que nessa terra tinha sim Uma família para cuidar E que estava ameaçada Precisando dele com certeza Pois sua mãe de verdade era mãe natureza Que muito tinha o ajudado Até a mostrar pra Dona Morte As belezas desse seu lado “Te peço não me leve embora Dona Morte Pois amanhã cedo tenho que estar acordado!” Dona morte foi-se embora Pois descobriu o menino apaixonado Pelas riquezas da natureza E pelas belezas do seu estado E hoje ele agradece por ser nordestino E viver seu destino, nesse chão abençoado Essa foi minha narrativa De vocês eu me despeço Como a mensagem positiva De um menino muito esperto Espero que a gente Sempre possa valorizar O privilégio que é a vida Amando e cuidando do nosso lugar

Luciana Maria Tico-tico

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Pensador.com

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Seus lábios encontravam meu rosto, meu pescoço, meu abraço e sorriso no céu mais azul de todos, meu vestido era o figurino de um filme sobre a mulher mais feliz do mundo, passarinhos cantavam como aqueles que nos acordam a manhã... O que estão fazendo os pássarinhos dos meus sonhos na Barra Funda?