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Frases de Lucian Rodrigues Cardoso

184 frases

Um dia sai um samba Um dia sai um samba no outro, te procurar
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Um dia sai um samba Um dia sai um samba no outro, te procurar e te dizer que a fama pretexto pra quem amar, amar alguém em só versos carece de revelar porque só a música e o verbo revelam mais que um olhar. Mas o que sinto é eterno desde que alguém vá tocar pois quando ouvir o que escrevo sequer preciso falar de tua presença em poema - embora esteja a cantar - porque só o samba é falado pouco bastou-me rimar.

Do anacronismo Cresci ouvindo meu pai dizer: "O Espírito Santo... [reticências pra reproduzir fielmente quando ele discursa, dando pausa pra esperar maior atenção - e reflexão - do ouvinte]
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Do anacronismo Cresci ouvindo meu pai dizer: "O Espírito Santo... [reticências pra reproduzir fielmente quando ele discursa, dando pausa pra esperar maior atenção - e reflexão - do ouvinte] ...ainda é um estado de donatários". A faculdade de História teima em corrigir: "isto é anacrônico". Não sei por que ando desiludido com o curso.

Viver ou Pensar Viver ou pensar:
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Viver ou Pensar Viver ou pensar: eis aqui uma questão? Viver, exigiria não pensar, porque vida suporia só ação. Mas pensar eis uma forma de viver, porque pensamento é existência em reflexão. Posto que viver e não pensar, nisto, sim, há uma questão.

Sítio Histórico O branco veio explorou o índio, explorou o negro
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Sítio Histórico O branco veio explorou o índio, explorou o negro a construir prédios que se não prisão, não freqüentaram. O branco veio usou o índio, usou o negro a servir em prédios que se deu riqueza, não repassaram. O branco vê os filhos índios, os filhos negros a bendizer prédios que se viu nobreza, sequer pisaram. O branco vê que os filhos índios, que os filhos negros se em nome de prédios pedem trocados, é pela riqueza que edificaram.

Subjetivamente, sem condições Se a TV e a União
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Subjetivamente, sem condições Se a TV e a União fazem da Copa uma ilusão (com algum bilhão) alguém deitado em seu colchão do futebol abrirá mão (de indignação)? Se nas igrejas a doação é um remédio e expurgação (da exploração) alguém que reza sua oração será capaz de esquecer o céu e olhar pro chão (pro seu irmão)? Se o shopping center em liquidação finge fazer uma inclusão (com um cartão) alguém dirá que é ilusão o poder de quem compra o seu pão (a prestação)? Domingo à tarde de uma nação: alguém arrisca revolução?

Soberania Humana O Brasil adentra sem licença pedir ao Haiti que não cabe recusar,
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Soberania Humana O Brasil adentra sem licença pedir ao Haiti que não cabe recusar, mas ao país cabe restringir se o Haiti quiser aqui adentrar? O Haiti vem em paz ao Brasil, ao Brasil que vai com armas ao Haiti, mas que humanitária, esta ajuda à sangue frio se o que se limita é a paz que está aqui? Pois se há cá, um lugar nesta terra que a miséria, doença, degradação antes de haitianos, humanos enterra; não há pátria, Brasil, Haiti, migração.

Parada pro ir e vir Os empresários (coitados) provaram não ter culpa
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Parada pro ir e vir Os empresários (coitados) provaram não ter culpa já que encaram um direito como algo do “mercado”: Quanto mais usuários, menor é a oferta, aumenta-se o lucro e o bilhete mais caro. Mas se ficarmos calados nós a maioria aceitamos diminuírem o ir e vir já limitado? Estará tudo parado se o governo não aprendeu que um direito dito público não se rende ao que é privado. Pois sejamos indomados se aqueles um por cento decidirem contra nós os rumos desse estado. Pelo passe livre Contra o aumento Pelo ir e vir i-limitado!

Esta mercadoria Arte escrava, artista temporal
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Esta mercadoria Arte escrava, artista temporal o que faz o mercado? Prostitui a ele pelo capital. Ontem, hoje não tocava João Gilberto. Atingiram a meta venderam violão será que isso é certo? Certo na cultura que mata o vivo. E se dá vida ao morto é pra subitamente matá-lo de novo. Pois querem vender a matéria, o corpo, aparência. Suprime o espírito, forja o “não é”, pra que a essência? Mas que incompatíveis matar é pecado. Matar duas vezes: moda passageira, a cultura em mercado. Este próprio poema (paradoxo eterno), mercadoria cultural. Será seu refém caso no mercado gerar capital.

Cacique de Guaiviry Foss’eu levar um adulto, velho ou criança
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Cacique de Guaiviry Foss’eu levar um adulto, velho ou criança me afamaria canibal, se o homem branco é quem leva sequer há condição de julgá-lo cultural. Foss’eu matar um presidente, prefeito ou governador gritariam por “justiça”, se matam eu mesmo, um cacique calam-se jornais, políticos: os índios não rendem notícia. Foss’eu matar um papa pastor ou cardeal enquadrariam os “ateus”, se matam eu, a xamã calam-se igrejas, fiéis: os índios não servem a(pra) Deus. Foss’eu escrever neste momento covarde que o branco me obriga a partir, diria: sei que a luta não se faz com o umbigo, é coletiva e vai prosseguir pois companheiros de causa, mesmo que roubem meu corpo, entendem: a minha presença, meu grito de luta desta, sofrida matéria, transcendem: “Guaiviry é Terra Indígena, em frente, meu povo, enfrentem!”