Noite adentro Uma lágrima e pálpebras molhadas Coração a rebentar-se neste deserto
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Noite adentro Uma lágrima e pálpebras molhadas Coração a rebentar-se neste deserto Nem sei mais quem sou ao certo Olham e dizem, pobre coitada! Sofro horas a fio em um pesadelo Uma profunda tristeza me definha Nesta solidão que é tão minha Sinto frio, febre, desespero.. Que o meu verso nunca se cale Por mais triste e adormecido ao vento Um fogo que consome, um sentimento Que enquanto o céu repousa, me invade Em uma floresta esquecida adentrei Sem rumo, por entre os arvoredos De tanto medo, não sentia mais medo E o vento que acariciava meu rosto eu beijei Sobrevivo ainda por ter esperança e alento Suspiro, na palidez das rosas brancas Enquanto o silêncio derrama lembranças Nas sombras do vale noite adentro. Lucélia Santos