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Frases de Lucélia Santos

12 frases

⁠Noite adentro Uma lágrima e pálpebras molhadas Coração a rebentar-se neste deserto
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⁠Noite adentro Uma lágrima e pálpebras molhadas Coração a rebentar-se neste deserto Nem sei mais quem sou ao certo Olham e dizem, pobre coitada! Sofro horas a fio em um pesadelo Uma profunda tristeza me definha Nesta solidão que é tão minha Sinto frio, febre, desespero.. Que o meu verso nunca se cale Por mais triste e adormecido ao vento Um fogo que consome, um sentimento Que enquanto o céu repousa, me invade Em uma floresta esquecida adentrei Sem rumo, por entre os arvoredos De tanto medo, não sentia mais medo E o vento que acariciava meu rosto eu beijei Sobrevivo ainda por ter esperança e alento Suspiro, na palidez das rosas brancas Enquanto o silêncio derrama lembranças Nas sombras do vale noite adentro. Lucélia Santos

⁠TARDE FRIA E CHUVOSA Há dias em que a saudade dói mais que o habitual; é como se o meu coração estivesse prestes a explodir. Olhos pesados vertem lágrimas que molham meu rosto, e um vazio imenso toma conta do meu ser.
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⁠TARDE FRIA E CHUVOSA Há dias em que a saudade dói mais que o habitual; é como se o meu coração estivesse prestes a explodir. Olhos pesados vertem lágrimas que molham meu rosto, e um vazio imenso toma conta do meu ser. O dia se arrasta e torna-se uma eternidade; é um dia frio, como aquela tarde em que o perdi. A saliva desce pela minha garganta como se fossem pedras; sobrevivo, conto os dias, horas e minutos para que se encerre esse sofrimento. Existe uma nuvem escura que constantemente me persegue: a ansiedade. Se não fossem os laços de vida que me dão força e alegria, já teria me rendido ao vazio de uma solidão interna que se externaliza ao despertar de cada dia. Imploro a Deus por forças para viver um dia de cada vez, para que meu coração desacelere um pouco e não pule para fora do meu corpo. Quem me lê talvez não consiga mensurar minha dor e, por vezes, isso causa angústia e sentimento de impotência. Meu sangue corre frio pelas minhas veias; meu corpo enfraquece, e a melancolia me abraça e aperta tão forte a ponto de me deixar sem ar, enquanto tento respirar fundo e expirar para que meu corpo volte ao normal. Nessa tarde fria e chuvosa, sinto-me impelida a escrever; eternizo nas linhas sem fim os meus lamentos; talvez um dia alguém leia e se identifique e entenda que escrever é a melhor forma de gritar sem ninguém ouvir sua voz, e que nós somos os protagonistas da nossa própria história de vida, lutando e deixando sementes em forma de lições em todo caminho percorrido.

⁠Castigo A madrugada é uma eternidade Vejo a hora de entregar-me à insanidade
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⁠Castigo A madrugada é uma eternidade Vejo a hora de entregar-me à insanidade As músicas no rádio são o meu abrigo Noites insones é o meu castigo Fico entre a música e o caderno Escrevo em muitas linhas para tornar-se eterno Já que o vento te levou para longe E eu te chamo, e você não responde Você virou uma angustiante saudade Sinto ausência de paz e liberdade Meus lábios se calam diante de um beijo É somente os teus que eu desejo Até quando durará esse castigo? Ei de morrer e no coração levá-lo comigo? Vivo uma infindável dor Um adeus pôs fim ao nosso amor. Lucélia Santos

⁠Sociedade Poética Feliz de ti, oh homem desejado! Que ao ser amado por uma poeta, tu nunca morrerá
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⁠Sociedade Poética Feliz de ti, oh homem desejado! Que ao ser amado por uma poeta, tu nunca morrerá Pois em seus versos ela o eternizará Falarão de ti e por toda vida serás lembrado O amor a consome em total insanidade Ainda que sangre seu coração, e seja quebrado Tu jamais morrerás afogado Pois sem ti, ela não respira de verdade Quem faz poesia doa fôlego de vida Ergue uma alma flagelada Aquece corações e alivia a carga pesada Converte trevas em paisagem florida Sociedade Poética invencível, que sabe amar Inspirações ardem como labaredas Perscrutam as entrelinhas do mundo, na certeza Que uma centelha de luz encontrará. Lucélia Santos

⁠Desfalecendo de amor Pobre de mim quando você partiu Eu parecia um barco no mar
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⁠Desfalecendo de amor Pobre de mim quando você partiu Eu parecia um barco no mar Prestes a tão cedo naufragar Sem força e leme para conduzi-lo Meu coração como uma folha seca sem destino Levada com força pela correnteza À mercê das rochas e incertezas Angustiada, como uma biblioteca sem livros A luz do sol brilha através da janela Mas, para mim, o dia será de sombra Farei com que minha alma se esconda Somente à noite, contemplarei a lua bela Entrego-me à escrita com afinco Conto para os papéis sobre meu amor Que ao perdê-lo, a dor, meu sorriso levou E derramo todo sentimento que deveras sinto. Lucélia Santos

⁠NO SILÊNCIO DA NOITE No frio da triste madrugada Encontro-me surrada de saudade
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⁠NO SILÊNCIO DA NOITE No frio da triste madrugada Encontro-me surrada de saudade A meus versos conto a verdade O que meu pobre coração ansiava A dor de um amor inesquecível Peito dilacerado arde e dói Sonhos mais lindos se destrói E esse amor sobrevive irredutível Sigo percorrendo os caminhos da solidão O silêncio da noite me consomem Lágrimas de angústia meu rosto percorrem Aos cacos está o meu sofrido coração Lembranças de um amor perdido Aquele fogo ardente que não se vê Espera loucuras de amor acontecer Vida amarga, versos perdidos.. Lucélia Santos

⁠Dor Sinto que minha força esgotou-se Rompeu-se as amarras e fui ao chão
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⁠Dor Sinto que minha força esgotou-se Rompeu-se as amarras e fui ao chão Queria caminhar nas ruas em escuridão Fugir da excruciante dor, de seus açoites Ainda que eu mergulhe em alto mar Rapidamente ela me seguiria Lá no fundo me dominaria Ela sempre vai me encontrar.. As provações nos rasgam por dentro Comprimem com força o coração Causando um caos, e a solidão Acelera drasticamente batimentos Sentimentos de impotência e inutilidade As mãos não alcançam, nada a fazer Só Deus sabe o que irá acontecer Resta confiarmos nele de verdade. Lucélia Santos

⁠Fragmentos Ela junta um a um, os pedacinhos, os fragmentos Bordando uma colcha de retalhos brilhante
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⁠Fragmentos Ela junta um a um, os pedacinhos, os fragmentos Bordando uma colcha de retalhos brilhante Atingida pelo romantismo, borda fio a fio o amor vibrante Raios iluminam a noite nesses momentos É quando perde-se a fala, e apenas sente Peito se rasgando de tristeza e forte dor Se pergunta, quando terá um amor? Falsas esperanças a enganam, sempre mentem Enquanto seus olhos fitam o horizonte na estrada E seu coração cheio de amor a alimenta Enquanto borda fragmentos, sente a ausência E dói, como se a costurassem sem anestesia, na raça Tantas linhas escritas em cadernos envelhecidos Uma busca insensante por intensidade Por um sonho onde realizaria suas vontades Por um mergulho em um mar de amor merecido. Lucélia Santos

GRITO Há feridas dentro de mim, invisíveis mas vivas, que sangram em silêncio. Elas tingem a minha alma de uma cor cinzenta, um vazio que ecoa como um abismo sem fim. Sinto-me aprisionada por minha própria existência, como uma linha frágil, prestes a romper, suspensa sobre um ab…
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GRITO Há feridas dentro de mim, invisíveis mas vivas, que sangram em silêncio. Elas tingem a minha alma de uma cor cinzenta, um vazio que ecoa como um abismo sem fim. Sinto-me aprisionada por minha própria existência, como uma linha frágil, prestes a romper, suspensa sobre um abismo. Observo aqueles que celebram a vida, e me pergunto: "O que eles têm que eu não tenho?" Minha autoestima é um fio tênue, quase rompido, e o mundo parece ter se esquecido de que eu também sou feita de carne e osso. Eu não me encaixo nos moldes sociais, nas métricas de beleza e sucesso que nos são impostas desde o berço. Meu corpo é grande, mas o meu coração também é. E nele, apesar de tudo, ainda ressoa uma canção silenciosa de amor. Vivo arrastando-me pelos dias, como quem carrega o peso do mundo nos ombros. Noite após noite, meus pensamentos são uma maratona sem fim, correndo freneticamente em busca de uma resposta, de um motivo para continuar. Ainda assim, nunca desisto. Agarro-me à vida como quem se segura à última corda de um precipício. É nesses momentos, quando o silêncio ensurdecedor toma conta de mim, que pego minha caneta e deixo que ela deslize pelo papel, como um grito mudo. Escrevo não apenas com tinta, mas com a essência do meu ser, com toda a força e vulnerabilidade que habitam dentro de mim. A caneta é a extensão da minha voz, e o papel, o único ouvinte de minha alma. Nesse instante, faço do meu grito um poema, uma sinfonia silenciosa que ecoa nas páginas em branco. E, mesmo em minha solidão, em meu isolamento autoimposto, eu sinto como se alguém, em algum lugar, pudesse ouvir a minha dor.

⁠Fragmentos Como uma rocha cheia de marcas que nunca somem, assim são as feridas que se abrem em nós, podem cicatrizar com o tempo, mas, ficam as marcas. Somos feitos assim, de pedacinhos, cada fragmento nos molda, algums crescem outros se destroem. Aprender com as dores é uma…
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⁠Fragmentos Como uma rocha cheia de marcas que nunca somem, assim são as feridas que se abrem em nós, podem cicatrizar com o tempo, mas, ficam as marcas. Somos feitos assim, de pedacinhos, cada fragmento nos molda, algums crescem outros se destroem. Aprender com as dores é uma tortura, mas, faz de nós seres humanos mais fortes e perseverantes. Olhar-se no espelho literal é facil, ali nós nos arrumamos superficialmente e corrigimos algumas imperfeições, mas, olhar-se no espelho interior dói. Não nos tornemos escravos das dores, isso maltrata, nos corroem por dentro e quando nos damos conta, estamos quase mortos em vida. Meditar no nosso íntimo, fazer uma limpeza em nosso coração, pode nos proporcionar um alívio repentino, é a beleza que mais precisamos cuidar, a interior. A externa sempre encontramos um jeitinho de aprimorar, mas, a joia que há dentro de nós pode naufragar e nunca mais ser encontrada. Lucélia Santos

⁠Cálice Sem teus beijos quase morro de amor Beberia do cálice proibido
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⁠Cálice Sem teus beijos quase morro de amor Beberia do cálice proibido Sem ver-te, seguir não consigo É um castigo suportar tamanha dor Se ei de desfalecer, que seja em teus braços Ao deitar-me, minha alma grita de angústia Tão melancólica, sussurro a nossa música Em meu peito abriu-se um buraco.. Esse amor é fogo e flameja em mim Viver sem ti, eu não suportaria Fui tragada pelas chamas da paixão que vivia Mergulhei no mar para delongar meu fim Nessas águas, a minha dor clama e retorce Um ser, diante de um cálice, solitária e selvagem Se teu amor, minha tristeza afugentasse ! Sigo faminta da tua voz e do teu olhar que me envolve. Lucélia Santos

⁠Amor Eterno Quando o amor escapa por entre as mãos E acha-se que não mais o encontrará
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⁠Amor Eterno Quando o amor escapa por entre as mãos E acha-se que não mais o encontrará O mundo dá muitas voltas e então A este amor, novamente ele te levará Pensasse que para amar é preciso ter Engana-se em acreditar assim Quando se ama, mesmo sem te pertencer O coração quer vê-lo feliz, mesmo sem ti O corpo e rosto envelhecem com o tempo Mas este amor, ele continua novo e vivo É como se o colocássemos para dormir pequeno E depois o acordassemos grande e lindo A dor da saudade é um alarme, um aviso Que esse amor permanece ali É eterno, verdadeiro, por toda vida vivo Nada é capaz de destruí-lo mesmo por partir. Lucélia Santos