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Frases de Lucas Strochinski

117 frases

⁠Jovem Portuguesa. Na teia do caminho, nossos fios se entrelaçaram, Uma jovem portuguesa, cujos olhos o mar espelharam.
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⁠Jovem Portuguesa. Na teia do caminho, nossos fios se entrelaçaram, Uma jovem portuguesa, cujos olhos o mar espelharam. Em seu olhar, viagens e sonhos, um convite sem palavras, Que falava de terras distantes, de esperanças e de alvoradas. Ela, com seu riso leve, uma brisa em tarde quente, Despertou em mim desejos, profundos, veemente. Mas o coração, ah, tão traiçoeiro e incerto, Buscou nela um remédio para um passado aberto. Engano meu, na doçura de sua presença encontrar, Um bálsamo para velhas feridas, um lugar para ancorar. A portuguesa, com sua graça, apenas refletiu A luz que dentro de mim, por tempos, se extinguiu. Hoje, longe dos laços que tentamos, em vão, tecer, Mando ao vento um pedido, para que possa esquecer. Que a portuguesa siga, livre e radiante em sua jornada, E que eu encontre paz, na estrada por mim trilhada.

⁠Dicionário Ambulante. Carrego palavras como quem carrega o mar, Em cada termo, um mundo a se desdobrar.
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⁠Dicionário Ambulante. Carrego palavras como quem carrega o mar, Em cada termo, um mundo a se desdobrar. Para uns, um conceito, fechado e pronto, Para mim, um universo que gira em confronto. Dizem que sou só um rótulo a mais, Sou buscador, artista, sempre a me refazer. Na certeza do mundo, vejo contradição, Pois onde há resposta, há outra questão. Meu pensamento não cabe em caixinhas, Ele voa, dança e traça suas linhas. Se tentam me prender em definições, Eu escapo, refaço, crio novas versões. Sou mais que um nome, que um título dado, Sou um enigma, sempre inacabado.

⁠Título: Romeu? Não Eu! Existem mulheres que quero esquecer, E amores que não busco reviver.
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⁠Título: Romeu? Não Eu! Existem mulheres que quero esquecer, E amores que não busco reviver. Paixões que só trouxeram confusão, Melhor que se afundem na indecisão. Disse-me um dia, com a voz turva: "Estou tão confusa..." Perguntei: "Mas com o quê?" Respondeu-me, com culpa: "Não quero você." Que tristeza amarga, eu quero apagar, Ou que sintas em dobro o que me fez sangrar. Não sou santo pra perdoar indecisões, Não sou Romeu pra sofrer por paixões. Que a dúvida queime em fogo lento, E que Julieta vá sozinha ao esquecimento.

⁠O Começo. Quase impossível de explicar, Mas era como se eu já soubesse,
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⁠O Começo. Quase impossível de explicar, Mas era como se eu já soubesse, Dava nomes ao que antes devesse, E o desconhecido, enfim, se esclarece. O medo não veio, só curiosidade, Cada detalhe, um novo enigma, Na mente, ideias em agonia, Cada resposta, outra incógnita. O relógio a marcar seu compasso, E eu, inquieto, a desvendar, Engrenagem por engrenagem no traço, A lógica oculta a se revelar. O tempo, um mistério de precisão, Um ciclo sem fim, sem hesitação. Mas ao final, no que pensava entender, Descobri que há sempre mais por ver.

⁠Arquiteto da Alma. Sem início, sem fim, sou criação que não se define,
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⁠Arquiteto da Alma. Sem início, sem fim, sou criação que não se define, um bloco de mármore a ser moldado, na eternidade, recomeçado. A cada instante, me refaço, um novo ponto, um novo passo. Arquétipos em construção, um labirinto, uma busca em vão. Sou arquiteto de mim mesmo, escuto as vozes do imprevisto. No meu próprio labirinto, insisto, persisto, me desvisto.

⁠Dificuldade linguística. Mímicos aos montes, cínicos de sobra, Brasileiro repete feito papagaio,
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⁠Dificuldade linguística. Mímicos aos montes, cínicos de sobra, Brasileiro repete feito papagaio, Ouve o som, mas não entende o que escuta. Já fui julgado, mal interpretado, Por um linguajar que não compreendiam. Falta de compreensão, carência de aprendizado, Empurra o povo para um estado lamentável. Onde o que se diz, não é o que se ouve. Um exemplo claro que aqui cito: A história da palavra rapariga. Por ignorância, erro e descuido, Tornaram-na banal, profana, vulgar. Para uns, uma meretriz. Para outros, apenas uma moça, Uma jovem virgem, pura de intenção. Olha só como a ignorância transformou, Uma única palavra em opostos completos.

⁠Título: Fotos. Fotos já manchadas, me lembram momentos, passados que não voltam, não alteram, não envergam,
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⁠Título: Fotos. Fotos já manchadas, me lembram momentos, passados que não voltam, não alteram, não envergam, pessoas deixadas, amigos perdidos, amores apagados aos quais eu mesmo havia despido. Fotos são mais que isso, mas menos que aquilo, recordam momentos que já não podem ser vividos, florescem sentimentos que já achávamos ter morrido, álbum infeliz, colocarei fogo e finalmente vou pedir bis.

⁠Es-co-lar & Des-co-lar. Nos moldam quadrados, sem margem ou cor, Nos ensinam datas, mas não o valor.
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⁠Es-co-lar & Des-co-lar. Nos moldam quadrados, sem margem ou cor, Nos ensinam datas, mas não o valor. E quando a vida exige, o que nos resta? As fórmulas frias ou a mente aberta? Nos preparam pro mundo que já não existe, Mas ignoram aquilo que a vida insiste. O que fazer quando o medo apertar? Quando o cliente gritar, como reagir? Finanças? Relacionamento? Nenhuma lição, Mas decorar equações sem aplicação. Nos ensinam o ontem, mas não o amanhã, E ao fim da escola, o que resta, então? O mundo não cabe num quadro negro, E a vida exige mais do que medo. Precisamos aprender a pensar, E não apenas a memorizar.

⁠Sociedade Atemporal. A massa escolhe a mentira, quer tudo da ilusão,
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⁠Sociedade Atemporal. A massa escolhe a mentira, quer tudo da ilusão, mas a verdade, simples e viva, é a que causa confusão. Me atropela, me agride, mas é nela que a paz reside, onde a honestidade floresce, e a mentira desaparece. Freud já dizia com razão: quando a mentira é opção, a verdade é um furacão, perigo em contramão. Os que foram verdadeiros, na história, foram os primeiros a cair sob olhares cruéis, sacrificados por ideais. Sócrates, por exemplo, defendeu sua convicção, mas a verdade é um risco no teatro da multidão. A mentira aplaudida, e a verdade perdida, no ouro falso que a massa admira, como uma ilusão criada na política.

Padrinhos Ainda na minha cidade natal, As visitas aos dindos eram ritual.
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Padrinhos Ainda na minha cidade natal, As visitas aos dindos eram ritual. De cavalo eu ia, mas ele, ligeiro, Pegava embalo, virava no pampeiro, E eu, pobrezinho, só via o terreiro! Na piscina, afogava e ria, Meio nadava, meio bebia. E certa noite, na sala a deitar, Uma aranha gigante parou pra me olhar. Corri pro berço, fiz-me bebê, Na falta de cama, o que mais ia ser? De manhã, a cena ilustre: Eu espremido, perna pra fora, Torto, embolado, num baita sufoco! Os dindos riam: “Isso é maria mole ou menino?”

⁠Gato de Cheshire. Sou o sorriso que fica, Quando tudo desaparece.
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⁠Gato de Cheshire. Sou o sorriso que fica, Quando tudo desaparece. O que é real ou ilusão? Só a dúvida te enriquece. Caminhos bifurcados? Todos levam a lugar algum. Escolhas são só jogos, Para quem vê o todo como um. Raciocínio ou loucura, A linha é tênue, dirás. Mas eu sou apenas fumaça, Um paradoxo que jaz. Se és quem pergunta, És quem deve saber. A resposta não está comigo, Está onde não podes ver. Assim desapareço, Só meu riso é o que resta. Pois no fim, a verdade é isso: A sombra incerta.

⁠Parece Piada. Ainda no fundamental, em gincana escolar,
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⁠Parece Piada. Ainda no fundamental, em gincana escolar, a turma se uniu, e veio a ganhar. O prêmio? Uma viagem, um sonho, um barato: passar o dia inteiro no parque aquático! Entre risos e aventuras, muita onda, emoção, fomos para o brinquedo que virou minha aflição. Na piscina de ondas, cãibra na perna me travou, pra não virar afogado, socorro, eu gritei! E lá estava ela, minha paixão secreta, olhando bem de perto minha cena nada discreta. Mas quem veio me salvar, com garra e destreza, não foi minha musa, Foi um cara com certeza. Mais que azar da moléstia, não deu nem pra disfarçar, Acho que era melhor se afogar, e no fundo da água ficar!

⁠Livre Arbítrio. Se o livre-arbítrio é nosso, por que tudo é destino? Se tudo é de Deus, escolho ou sigo o caminho?
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⁠Livre Arbítrio. Se o livre-arbítrio é nosso, por que tudo é destino? Se tudo é de Deus, escolho ou sigo o caminho? Sou livre ou peça num jogo maior? Decido ou o fim já está ao redor? O futuro me espera ou já foi escrito? Morrer é acaso ou plano restrito? Entre o bem e o mal, o que é opção? Sigo sem respostas, só mais questão.

Presença Justificada Não vou a cultos, não vou a missas, Não frequento festas, não caio em cobiças.
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Presença Justificada Não vou a cultos, não vou a missas, Não frequento festas, não caio em cobiças. Se me encontrares em algum lugar, Saiba que lá algo ou alguém me fez chamar, Para resolver um problema que poucos conseguiriam acertar. Dos grandes templos religiosos às pequenas capelas, Das vastas mansões às mais humildes vielas, Já me chamaram para algo consertar. Todos com um dom um dia vão compreender, Que há quem clame por ajuda no que não consegue entender.

⁠Título: Onde as Horas se Perdem. Onde vão as horas que deixo passar? Escorrem pelo chão ou se dissolvem no ar?
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⁠Título: Onde as Horas se Perdem. Onde vão as horas que deixo passar? Escorrem pelo chão ou se dissolvem no ar? Sinto-as sumirem por entre os dedos, Pequenos grãos de um tempo sem enredos. Se pudesse guardá-las num frasco, Será que teria o que preciso? Ou será que o tempo, tão vasto, Se tornaria um labirinto indeciso? O relógio marca o que não controlo, Mas o que marca o tempo que sinto? Se a vida é um sopro que voa ao solo, Onde repousa o instante extinto?

⁠Entre Sol e Lua. Ó minha amiga de tempos de sol e luar, Sonhei contigo sem saber amar.
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⁠Entre Sol e Lua. Ó minha amiga de tempos de sol e luar, Sonhei contigo sem saber amar. Antes do amor ter nome ou sentido, Já te via no futuro, num sonho vivido. Não foste a primeira escolha do coração, Mas és refúgio em minha recordação. Entre jogos e risos, crescemos lado a lado, Nossos momentos, em fotos, selados. Sempre soube do teu afeto leal, Das danças, das brincadeiras, do laço especial. Aquele beijo, tão breve, inesperado, Despertou um sentir antes calado. Perdoa-me, se o tempo nos afastou, Se o silêncio entre nós se instaurou. Sinto falta da leveza que havia, Dos dias de pura alegria. Que o tempo não apague o que fomos um dia, E que, em algum amanhã, o destino sorria. Que possamos reviver, entre abraços e risos, A amizade que fez de nós indivisos.

⁠Mate-a Antes que Te Mate. Ó coração inquieto, que clama em vão, Trazes um desejo que afronta a razão.
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⁠Mate-a Antes que Te Mate. Ó coração inquieto, que clama em vão, Trazes um desejo que afronta a razão. Mas na mente, um labirinto se forma, E sei que não é tempo, por mais que te implora. É preciso matar o que nunca será, Antes que a ilusão venha nos sufocar. A jovem, tão bela em admiração, Que siga distante, um sonho em vão. Espera, resiste, por mais que doa, Pois viver com acerto é o que nos coroa. Não somos eternos, mas há tempo a cumprir, E a sabedoria é saber quando há de partir. Ainda não há morada sequer para um, Quem dirá dividir vida, destino algum. Portanto, mate o desejo antes que te consuma, Pois é na espera que a verdade se arruma. A jovem quase japonesa e as que vierem a ser, Devem ser musas, e nada mais a se ter. Mate a ilusão antes que ela te mate, E talvez na sua morte, a paz te resgate.

⁠Título: Velha amiga. Ó velha amiga, que saudades, minha querida! Saudades de brincar na praça,
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⁠Título: Velha amiga. Ó velha amiga, que saudades, minha querida! Saudades de brincar na praça, De correr descalço na calçada, De pegar na sua mão e dançar em ritmo de balada. É, minha amiga, o tempo tem passado, Mas me diga, como vai aí desse lado? O tempo traz memórias e floresce o imaginário: O que poderia ter sido, mas impossível ser alterado. É, amiga, meu cabelo agora está ficando branco, Parece que o tempo não espera meus pecados. Quem sabe te encontre em um caminhar qualquer, Talvez já esteja nos braços de quem lhe fez mulher.

Título: Nordestino, não sinhô! Nordestino so não, mas João sim, cabrunco arretado,
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Título: Nordestino, não sinhô! Nordestino so não, mas João sim, cabrunco arretado, virado no Lampião, quase São Sebastião, Desce pra apartá-lo. Mas João é ligeiro, quando vê Chico, logo faz peça: "Vá embora, cabra, que aqui não tem conversa!" A moça do lado se derrete, "Que homi macho da peste!" Mas Chico tem dois zóis de bote, pra teste. Com seu olhar de aço, não se intimida fácil, mas pisca pra João, que só sorri: "Vem cá, cabrunco, que aqui é dos mais esperto, A Rosinha é minha, e com o resto não converso!" A moça só observa, enciumada e encantada, mas no sertão, quem manda é a boa risada. Entre facão, palavrão e riso na praça, João e Chico, dois cabras que só buscam graça!

⁠Título: Feridas. Feridas nas mãos, feridas nos pés, feridas no coração que ainda ousa bater.
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⁠Título: Feridas. Feridas nas mãos, feridas nos pés, feridas no coração que ainda ousa bater. Bate e bate a cada segundo, com tremores, me causando mais e mais dores. Cicatriz relutante, aberta sem alarde, um convite ao toque que arde. Já lhe disse que aqui mais ninguém deve entrar, mas ela ousa a porta aberta deixar. Será novamente e novamente ferido... Até quando vai querer viver assim? Ela não é você, e você não é essa necessidade, nem mesmo essa personalidade e entidade.

⁠Título: Sem Rumo. Paixão, paixão, sem rumo, sem chão, Que bagunça deixa meu coração.
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⁠Título: Sem Rumo. Paixão, paixão, sem rumo, sem chão, Que bagunça deixa meu coração. Estraga o lado são, excita o lado cão, Às vezes animal, às vezes não. Espera um tempo até a próxima paixão, Não tem quem suporte meu coração. Existe muito amor guardado em vão, Existe muita carga para a próxima decisão. Paixão, paixão, com rumo, com chão, Isso não é paixão, é um amorzão. Caminho certo, com GPS de emoção, Cuidado para não perder a direção.