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Frases de Luanna Belmont

6 frases

Vieram os homens que eu não queria, mas que me queriam, e os que eu queria, e não pude ter.
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Vieram os homens que eu não queria, mas que me queriam, e os que eu queria, e não pude ter. Os homens que não pude ter eram sempre enormes, ambidestros, bonitos como o meu pai quando meu pai não era homem, quando meu pai era eu mesma, perdido de amor.

Poucos homens despertaram em mim o desejo de ser eu mesma. Dois, talvez três em toda a vida.
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Poucos homens despertaram em mim o desejo de ser eu mesma. Dois, talvez três em toda a vida. O primeiro meu pai, que, quando nasci, perdeu-se amorosamente em mim até se achar outra vez mais tarde não saberia precisar esquecido de não ser, voltando a ser homem. Não tenho irmãos. Tenho um primo que certa vez derrubei no chão sem querer enquanto brincávamos. Foi quando entendi que o trabalho do ódio é mapear circunstâncias aleatórias em torno de feridas alheias que nem são nossas portanto alheias aprendidas. É bonito como a criança resiste ao ódio, se assim lhe permitem.

Tem uma mulher que eu amo. Olhos doídos, pálpebras mornas.
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Tem uma mulher que eu amo. Olhos doídos, pálpebras mornas. Já acalentou crianças, deu-lhes o corpo, alimentou, limpou suas lágrimas, fez sorrir com voz calma. Filhos, talvez netos. Soube renascer neles tantas vezes. Conhece a fragilidade humana. Eu beijo os lábios fechados dessa mulher, a partir dos cantos, em pequenas lascas de ternura e queda no vazio. Essa mulher viveu coisas que me abastecem. Ela fala de alegrias, de sóis, sobremesas, decotes, livros, enganos. Vai falando e contornando dores com pequenas pausas, no que os cílios superiores tocam os cílios inferiores demoradamente, e ela afunda. Aperto sua mão e ela emerge. Enquanto a ouço, beijo seus olhos. Digo-lhe que é uma mulher, ainda.

eu porém tantas vezes não estava pronta banho tomado penteada asseada jantada
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eu porém tantas vezes não estava pronta banho tomado penteada asseada jantada crescida formada empregada quase morta pra quando minha mãe chegasse eu não estava pronta eu resistia a todos os meus deveres eu me insubordinava eu teimava toda uma vida (ainda teimo) eu não me limpava só pra ver se minha mãe chegaria a despeito de mim a despeito da sujeira do erro da noite a despeito da espera a que assim fingindo não esperar eu me recusava foi assim por muitos anos minha mãe e eu numa língua estranha e indecisa embora fosse a mesma língua a limpeza que eu deveria guardar para ela e oferecer a ela na volta ainda guardo comigo e de repente deparo com ela (que ainda espera) num livro numa voz estranha numa outra mulher que também esperou numa banheira vazia o seu amor voltar