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Frases de Lilian Morais

33 frases

Feliz Festas Que este novo ciclo seja doce, mas também consciente, que sua leveza carrega a força de quem confirma
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Feliz Festas Que este novo ciclo seja doce, mas também consciente, que sua leveza carrega a força de quem confirma o próprio lugar no tecido da vida. Que ao olhar para dentro, você encontra o vasto: os rios que correm no seu peito, as florestas que habitam seu silêncio, e as sensações que esperam sua coragem para germinar. Somos todos parte da mesma terra, somos os pés que pisam e as mãos que cuidam, o fogo que transforma e a água que renova. Que podemos lembrar que, ao cuidar do mundo, cuidamos de nós mesmos. E que, ao final de cada dia, você celebre a grandeza de ser quem é, e se permita caminhar com ternura, sabendo que é em cada gesto que o amanhã começa a florescer. Feliz novo ciclo!

Estamos vivendo em tempos de profunda superficialidade, onde o espetáculo devora o sentido e nos priva da pausa necessária para existir. A sociedade do cansaço exige um desempenho extenuante, enquanto a validação momentânea alimenta ansiedades que ficam sem nomear. A violência, t…
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Estamos vivendo em tempos de profunda superficialidade, onde o espetáculo devora o sentido e nos priva da pausa necessária para existir. A sociedade do cansaço exige um desempenho extenuante, enquanto a validação momentânea alimenta ansiedades que ficam sem nomear. A violência, tanto física quanto mental, molda relações e silencia almas, fragmentando aquilo que poderia ser inteiro. Nossas interações se transformaram em vitrines e nossos afetos, em mercadorias. Nas redes que prometem conexão, encontramos distância; na busca por relevância, nos perdemos de nós mesmos. Vivemos no teatro do vazio, onde tudo parece urgente, mas quase nada é essencial. Resistir é um ato de coragem e cuidado. Precisamos reencontrar o silêncio que nos reconcilia, o olhar que acolhe, a arte que inquieta e a palavra que nos devolve ao real. Só assim poderemos escapar das armadilhas do espetáculo e resgatar a integridade de quem realmente somos.

Transfiguração das Cores Sempre fui fiel às primárias, à urgência do vermelho,
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Transfiguração das Cores Sempre fui fiel às primárias, à urgência do vermelho, ao azul que carrega o silêncio, ao amarelo que arde sem pedir licença. Cor pura, sem concessão. Cor como grito inaugural. Fugia das misturas — como quem foge do engano. Preto e branco? Nem isso. Ausências demais. Um, silêncio sem fundo. Outro, claridade que cega. Preferia o mundo onde tudo começa: a cor em estado bruto. Mas algo mudou. Veio um verde que cheira a memória, um lilás que murmura coisas que não sei. Um rosa — que nunca convidei — se assentou na borda da tela. Será que estou virando romântica? Será isso… ou será que a cor também sabe onde ferve o inconsciente? Não sei se é hora de confiar. Quem pinta com tons que não conhece não caminha, atravessa. E o que vem por aí — não vem calmo. Vem pirando tudo. Porque criar é deixar que a ausência fale, que o excesso se cale, e que a cor — enfim — nos revele onde estamos por dentro.

Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírio…
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Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar. Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa. Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas. Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre. E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.

Mulheres de Pano e Terra Vieram de longe, cruzaram o mar, trouxeram a cruz, o aço e a fome,
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Mulheres de Pano e Terra Vieram de longe, cruzaram o mar, trouxeram a cruz, o aço e a fome, tomaram o chão, queimaram os nomes, fizeram o sangue da terra jorrar. Os povos caíram, as terras sangraram, ergueram engenhos, correntes, senzalas, o açúcar crescia, o latifúndio mandava, e o povo do Nordeste aprendia a lutar. Mas quando o homem partiu sem aviso, quem ficou foi o ventre, a enxada e a dor. Foram as mães que costuraram a vida, fiando o tempo com linha e suor. Lavadeiras de rio, rendeiras da sorte, mãos que tecem, que lavram, que oram. E enquanto o homem some na cidade, elas seguram o sertão nos ombros. O Nordeste é feito de suas pegadas, de suas vozes, de suas lutas. Se o passado arrancou-lhes a terra, foram elas que ficaram — e criaram a vida.