Frase de Lilian Morais
Transfiguração das Cores Sempre fui fiel às primárias, à urgência do vermelho, ao azul que carrega o silêncio, ao amarelo que arde sem pedir licença. Cor pura, sem concessão. Cor como grito inaugural. Fugia das misturas — como quem foge do engano. Preto e branco? Nem isso. Ausências demais. Um, silêncio sem fundo. Outro, claridade que cega. Preferia o mundo onde tudo começa: a cor em estado bruto. Mas algo mudou. Veio um verde que cheira a memória, um lilás que murmura coisas que não sei. Um rosa — que nunca convidei — se assentou na borda da tela. Será que estou virando romântica? Será isso… ou será que a cor também sabe onde ferve o inconsciente? Não sei se é hora de confiar. Quem pinta com tons que não conhece não caminha, atravessa. E o que vem por aí — não vem calmo. Vem pirando tudo. Porque criar é deixar que a ausência fale, que o excesso se cale, e que a cor — enfim — nos revele onde estamos por dentro.
No pensador.ai desde