Afaste-se, do verbo não se apaixone.
Na inquietude de uma noite tórrida
Fico me policiando para não pensar em ti
As conclusões de uma mentira sórdida
Visto assim que até enfim não desmenti.
Eu sei que olhar vai arrancar pedaço
Sinto o tempo que ainda passa
E em cada vestígio de descompasso
Mais o coração devassa.
Eu queria saber onde desligar
O vagar de angústia e sentimentos
Agora não sei se muito servirá
Já és notícia para os pensamentos.
Queria ser.
Eu queria ser uma borboleta
E enfrentar os ventos sul e norte
Pousar numa flor de cor violeta
E beijar margaridas se tiver sorte.
Eu queria ser um gigante azul
E ter um brilho quente de acessório
De noite desfilar o cruzeiro-do-sul
E ver o rosto límpido ilusório.
Eu queria ser um peixe boi
E nadar nos mares gélidos do ártico
Pensar que o que passa já foi
E sorrir para quem parecer apático.
Dê
Dê-me mil rosas roubadas
Mas não vai me conquistar
Eu prefiro girassóis
Eles me farão amar.
Quando quer me agradar
Dê-me chocolate quente
Vou saber recompensar
E tratar-te diferente.
Contei-te os meus segredos
Mais profundos e profanos
Tropecei em uns brinquedos
Perdi-me entre meus planos
O bilhete suicida
Deixei um bilhete na cômoda já vazia
Guardei os retratos e toda lembrança
“Não somos eternos” alguém me dizia
Jaziam temores, amores de criança.
Não mato o corpo, mas a alma serena.
Deixei de sentir aquele torpor
Já não sou a mesma de face pequena
Sofri nas correntes e rios de amor.
Deixem-me assim, ao ser esquecida.
Digam a todos que apenas sumi
Não quero bancar a suicida
Foi de me despedir que esqueci.
Moço
Moço me desculpe se quebrei teu coração
Mas na verdade nunca tive a pretensão
Deixe -me em retratos quebrados
Só me esqueça sem saber pra onde vou
Prometo não deixar vestígios do passado
E nunca saberá quem hoje sou.
Dou-lhe a palavra que jamais virei
Onde quer que esteja eu desviarei
E do teu coração desaparecerei.
Agora moço, me diga sinceramente
É isso o que realmente
Vai querer?
Não me vejo em nenhum manequim de loja, não quero usar os sapatos das vitrines; não escondo o meu rosto em maquiagem e não gamo em galãs de minisséries.
Eu gosto de beber enquanto leio, de tocar violão sobre as estrelas e de roer as unhas de nervosismo;
Dançar bêbada em uma festa, de sentir o vento frio chocar-se contra a pele e ver os pelos levemente eriçar.
Gosto de romance e de filmes legendados, de sentir o gosto de tantas bocas quanto eu puder beijar...
Gosto de discutir sobre politica e questões que só a mim vão interessar. Gosto de cada detalhe da natureza e sinto raiva de quem passa sem notar.
Eu gosto de ver a lua e de sozinha conversar; gosto de sorrir pro mundo e ao ser retribuída, flertar...
Eu sou uma alma de tanta intensidade, que só pede ao mundo um pouco de lealdade, pra que deixe a antiguidade de normalidade e venha me prestigiar.
Eu tenho tendência ao suicídio e amo a vida mais do que o amar, mas eu quero demais do mundo e o correto é me acomodar.
Talvez por isso tantas pessoas, venham a pé me questionar, suas asas foram cortadas, elas têm inveja de me ver voar.
Sentei-me em um banco da praça já vazia. As pessoas em suas casas vivem as emoções de uma trama fictícia, sem cogitar as tramas reais.
Observo atentamente o movimento das nuvens no céu já escuro, a noite caiu e todos estavam ocupados demais para perceber. Só eu consigo ver?
O vento arrepia minha pele descoberta, chego à conclusão de que logo vai chover se não sentisse frio, talvez nem fosse perceber.
Os carros andam apressados de um lado para o outro, me pergunto se essas pessoas sabem para onde exatamente estão indo, ou aquele ato não passa de uma pequena circunstância da rotina e dessa vontade desenfreada de repetir a mesmíssima coisa do contexto social. Como deveria ser, corre tudo normal.
Afago o acento vazio ao meu lado, deveria haver alguém ali?
Aspiro o ar puro pela última vez, antes de cair nas previsões de que faria tudo outra vez. Levanto-me e retorno para a realidade, esperando que ao menos aquele segundo de lealdade, continue por alguns dias em meu coração.
Queria ter a coragem insana que faz os leigos acreditarem em uma felicidade nem tão feliz, porque sim, é preciso coragem para não sorrir.
São seis horas da manhã, não tenho nada pra te dar,
Talvez uma ressaca breve e o desejar.
Então deita aqui na cama, fica mais de uma semana.
Veja um filme bom, enquanto eu toco violão.
Talvez a gente se ame ou a gente se engane,
Mas não deixe em vão, não sucumba à razão.
Desapaixonar.
Eu posso ver através de todos os traços
Por isso é tão difícil me acostumar
Com a ideia de que você não quis me amar.
É complicado perceber que me enganei
Quando em ti olhava
Um brilho que só eu causava.
Mas terei que me conformar
Deixar-te-ei viver as tuas lembranças
De esquecer-te tenho esperanças.
A vida é bela, eu sei.
Por esse motivo não mais vou pensar
Já está em tempo de me desapaixonar.
Minha amiga.
Minha amiga eu te entendo
Também não quero mais viver
Vejo dentro dos teus olhos
O que não se deve ver.
Sinto a tua dor em mim
Deve sentir também a minha
Talvez seja nosso fim
Sem esperanças não se caminha.
Vou segurar a tua mão
Iremos para qualquer lugar
Enxugarei o teu pranto
E serei teu acalanto.
Tempos atrás.
Eu não sei ser o protótipo perfeito
Se sensatez, persuasão e efeito.
Deixe-me então a ver navios no espaço
Sem noção ou de razão qualquer traço.
Posso sobreviver sem ternura
Qualquer noção ou desenvoltura
Posso dizer que não preciso de ninguém
Então mentirei, pois isso me convém.
Eu quero gritar para o mundo todos os dias
Mas sobrevivo sem demonstrar as agonias
Na realidade isso todo mundo faz
Deixaram a si mesmos, há tempos atrás.
Um dia triste.
Como saber quem está com você?
Existe amor à proporção,
Existe dor em compensação,
Mas pra tudo existe uma saída,
A frieza é opcional.
Quando estiver em suas lembranças,
Apague-as ou jogue-as fora,
Para isto, não quero deixa-las a ti.
A vida ensina a ser forte, crianças.
É um jogo, nem sempre de sorte.
E só ganha quem joga com a mente,
Isso daqui pra frente,
Torna-se motivação.
FAZ
Esconda-me no passado
Queime o papel rabiscado
Não ouça essa canção
Expulse-me do teu coração.
Não hesite ao falar meu nome
Dos meus beijos não tenha fome
Evite qualquer menção
Expulse-me do teu coração.
Marque encontros às escuras
Vá para a Holanda, Espanha ou Honduras.
Não esboce qualquer reação
E expulse-me do teu coração.
Eu não sei para onde olho,
eu não sei se volto amanhã,
não tenho certeza de onde estou,,
ou se quero,
ou se sou...
desse jeito que essa gente pinta,
dos conceitos que tem sobre mim,
será que sabem que estou aflita?
e ansiosa para ver o fim?
NAS MADRUGADAS
Eu quero abraços silenciosos
E estrelas iluminando nós dois
Eu quero a chuva de brilhos preciosos
Junto ao beijo que vem depois.
Eu quero as borboletas no estômago voando
E a demagogia de te esperar
Eu quero a lua nos iluminando
Enquanto não me desvia o olhar.
Eu quero ver-te em poças d'água
Com as nossas mãos entrelaçadas
Eu quero sussurrar sem sentir mágoa
Que eu quero tudo nas madrugadas.
Eu me agarro na brisa da janela meio aberta
Me acalanto com o tanto de frescor que ela trás
Ah, se eu pudesse abrir a porta para o vento,
Ah, se eu tivesse tempo, para passear...
Tirar pedaço da nuvem que parece um algodão
Perder o traço do espaço que já está na minha mão
Embebedar-se com o orvalho que calmamente cai no chão
Pisar no chão que o carvalho forrou em transfiguração
E transformou em um colchão.
Que repousou o beija-flor em toda a sua inquietude
Que abrigou aquela flor para um romântico roubar
Que fez pisar aquela gente cheia de virtude
E fez sonhar aquele sonho que soube apaixonar
Ah, se eu pudesse deixar a brisa entrar e voar...
Às vezes eu acho que se eu não te ligasse você esqueceria que um dia liguei.
Às vezes eu acho que não devo te ligar mais.
Eu pego o telefone e observo a hora
É sempre tarde para qualquer coisa
Renato estava errado, não temos todo o tempo do mundo
E essa ligação, já durou tempo demais.
É hora de te deixar ocupar a linha.
Senta, calma, eu vou contar uma história.
São flashes falhos que se estancam na memória
Uma menina que transbordava amor
E um amor que respirava solidão.
Um dia ambos se esbarraram no caminho
Devagarinho, os flagras de uma paixão.
Moraram juntos numa velha quitinete
Encontrada num jornal como manchete
Fruto de liquidação.
Viveram dias no torpor do paraíso
Nas madrugadas se livraram do juízo.
De transbordar o amor foi se evaporando
E os dois pararam de tentar se confortar
Um dia ela sussurrou considerando:
“Se a gente separa, com quem a arara, vai ficar?”
Então soltaram a arara aos quatro ventos
Se separaram e tornaram a caminhar.
E caminhando novamente sob a lua
Um esbarrão na chuva que molhara a rua
Foi transbordando novamente o coração
Daquela gente que vivia de paixão
Destranca a tranca que tranca teu peito
Dá um jeito de se reorientar
Admita que nada é perfeito
E depois de tudo feito, comece a gargalhar.
Gargalhe pro tempo, pro vento e pra quem quiser mudar
O teu jeito de se apaixonar.
Pela vida, pela rua, pela chuva,
Pela gente que de repente vem urgente
Aqueles olhos que transpassam o instigante
Do faz de conta que se entende por viver.
A gente corre apressado pelo vento
E se esquece de olhar todo o passar
Passar de tempo, de rostos, de apresso.
A mudança de endereço, que isso tudo vai gerar.
Então, destranca a tranca e encosta.
Daqui a pouco a hora certa vai chegar.