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Frases de Leônis da Silva

18 frases

Há um pedaço de mim que é noite sem luz,
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Há um pedaço de mim que é noite sem luz, sem estrelas (...) O outro, é luminescência. Há um pedaço de mim que é tormenta vendaval, furacão (...) O outro aurora boreal. Há um pedaço de mim que é vulcão explosão chuva ácida (...) O outro copos de neve. Há um pedaço de mim que é calor ardentia troposfera (...) O outro cru inverno frio polar mesosfera. Há um pedaço de mim que te almeja e tem saudades (...) O outro também. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Este poema foi composto em uma noite de tempestades e calmarias, sob um céu nublado, sem lua e sem estrelas. Os relógios marcaram as 0:40hs e os termômetros 13 °. A pressão atmosférica era de 010.00mb, a humidade relativa dor ar de 93%, e os ventos sopravam a 13km / h.

CRISE DOS 13 ANOS Tudo eu! Tudo eu!
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CRISE DOS 13 ANOS Tudo eu! Tudo eu! Tudo eu!... ... e assim, engolindo o pranto engasgando de cólera, entre espasmos e soluços. ... Um dia eu vou me embora... Tomo chá de sumiço. fujo dessa casa, e não volto jamais. Eu vou, Um dia eu vou... Na calada da noite, por aquela portão, e em ponta de pés. Me vou aos diabos e nem olho pra trás. Que adoeçam de angustia e saudades de mim. Sem deixar nem bilhete. eu juro que vou. ... ... e assim, mitigando choro, abrandando os soluços e cessando a cólera... ... -Mãe, tem café??

No espelho dos teus olhos, Maria… - bem-te-vis - estradas de terra,
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No espelho dos teus olhos, Maria… - bem-te-vis - estradas de terra, planícies de espinhos, poeira suspensa, ... e só. No voar dos teus cabelos, Maria... -suiriris- cancelas sem trancas, peões com boiadas, arames farpados, ...e só. No vermelho dos teus lábios, Maria.... -colibris- trovões de verão, rajadas de vento, uivando em meu peito, ...sem dó.

A terra seca O vento que não sopra os pássaros que não cantam
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A terra seca O vento que não sopra os pássaros que não cantam o sol que estremece as árvores; Secas. Maria na janela. o sol queimando o vento o vento que não sopra o sol queimando Maria na janela o bem-te-vi que não canta Soalheira e silencio Ar morto e viscoso o céu sem nuvens janela sem Maria Um fim de janeiro, nos confins do sertão.

O dia vestiu-se de luto, e transformou-se em noite. Apagou seu lampião do céu,
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O dia vestiu-se de luto, e transformou-se em noite. Apagou seu lampião do céu, e acendeu seu abajur de prata. Chegou cansado, Arquejante, Enlutado. Deitou-se, mas não dormiu. Ligou o rádio Eram seis em ponto. ''Santa Maria, mãe de Deus, Rogai por nós pecadores''. Desligou Acendeu um cigarro, fez fumaça, e desenhou São Jorge. Na luz quarto crescente Do abajur de prata.

Nem a mesma rua, Nem as mesmas casas, nem as mesmas flores na janela.
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Nem a mesma rua, Nem as mesmas casas, nem as mesmas flores na janela. As flores eram agora outras, e outro também eram o seu perfume. Meus pés pisavam outra rua, Meus olhos, contemplavam outras faces. Eles também eram outros. Talvez mais duros, talvez mais frios. Talvez por que não viu sua face, Talvez por que não viu suas flores. Senti areia sobre minhas córneas, espinhos no meu coração, e sob meus pés, paralelepípedos.

Venta lá fora. As janelas batem com ímpeto tapando a vista de um céu misterioso. o crepitar das arvores fazem notas musicais
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Venta lá fora. As janelas batem com ímpeto tapando a vista de um céu misterioso. o crepitar das arvores fazem notas musicais São notas Graves. Sinistras. Meu peito palpita agudo Quiçá viestes com o vento que bate na minha porta. Eras tu. Oi, te trago flores silvestres . Sinta. São rosas mosquetas colhidas dos vales Cuidado com o espinhos. Uma nota almíscar paira pela sala. Meu peito late grave São notas do vento. Das arvores que crepitam. Das flores de rosa mosqueta Você não veio. Veio a lembrança trazido pelo vento A nota almíscar pairando pela sala.

Acenderei mil velas e farei penitências Queimarei meus lábios com vinagre e abrirei meu peito com mil navalhas.
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Acenderei mil velas e farei penitências Queimarei meus lábios com vinagre e abrirei meu peito com mil navalhas. Meus olhos arrancarei e atirarei aos corvos. Eloi! Eloi! Derramei uma lágrima de meu sangue impuro sobre o pó da estrada. Eloi! Não vejo tua face. Cuspirei no chão, farei lodo e cobrirei minhas chagas. Eloi! Meu peito inflama e minha alma abrasa. Eloí, Eloí, lemá sabaktani?

Nos encontraremos no fim da tarde na mesma esquina de outrora. Nos cumprimentaremos tímidamente sem olhar nos olhos Sentaremos no mesmo café. Na mesma mesa de antes.
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Nos encontraremos no fim da tarde na mesma esquina de outrora. Nos cumprimentaremos tímidamente sem olhar nos olhos Sentaremos no mesmo café. Na mesma mesa de antes. Pediremos dois cafés negros -Com adocante senhor! -Estas de dieta? - Tô sim. Mas não que eu precise, sabe… Tomaremos dois cafes negros. Um com açúcar cristal, outro com sacarina. Trocaremos tímidamente meias palvras -Senti sua falta… Olharemos fixamente ao fundo da xicara e lacônicamente ao fundo do olhos. Tomaremos o ultimo gole. Trocaremos meio sorriso. -Clareaste os dentes? -Sim, mas não que eu precise, sabe… Tocaremos as mãos e logo os lábios. Mudou tanto seu beijo. Já não é como antes - É a sacarina. Deixa um sabor metálico, sabe…

Ficas de vez em mim E seremos um só corpo e um só espirito
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Ficas de vez em mim E seremos um só corpo e um só espirito Adentraremos nas Profundezas um do outro E encontraremos o eu lírico dos nossos corpos Cantaremos juntos o nosso cântico de amor e espantaremos os corvos que insistem em consumir-nos Habita em mim e seremos uma só carne a mesma sangue e o; mesmo sopro Anoiteceremos então de corpos dados e de corpos dados amanheceremos.

Passava-se as tardes entre trepadeiras boa noites
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Passava-se as tardes entre trepadeiras boa noites cravos brancos e dormideiras As tardes eram sempre as mesmas Os mesmos lírios A mesma sala vazia Os mesmos livros Drumond Lispector Florbela o menino e a laranjeira em flor Lá fora abelhas enlouquecidas embriagadas de polen e perfume de azhar As noites eram quase eternas O morrer das prosas crepitar da lenha coaxar dos sapos O menino e os lírios candeeiro aceso Refletindo os sonhos No espelho dos olhos

Os céus das minhas noites Tem mais noites que estrelas Às vezes as estrelas do meu céu
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Os céus das minhas noites Tem mais noites que estrelas Às vezes as estrelas do meu céu Deslizam pelo breu da noite e se afogam no mar São estrelas cadentes metamórficas Passageiras Levam consigo a luz Deixam rastros de poeira Então eu fecho os meus olhos por puro medo do escuro e no escuro rezo uma prece as três Marias virgens

Queria amanhecer-te Respirar teu hálito de café fresco carregado de açúcar
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Queria amanhecer-te Respirar teu hálito de café fresco carregado de açúcar e orvalho. Inalar teu cabelo e sufocar-me de almíscar. Mas tu me olhavas com os olhos da noite Ofuscados de breu Todavia sem brilho. Queria dizer-te que tudo foi um pesadelo Que a nossa laranjeira continuava em flor e que as abelhas estavam enlouquecidas pela primavera. Mas tu me olhavas com os olhos de ontem Muralhas de pedras ofuscados de breu Então respirei o hálito da matina não o teu. Um inebriante perfume de azahar bafejado pela laranjeira em flor.

Meu Deus! Olhai do alto os montes a terra infértil e os desertos áridos
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Meu Deus! Olhai do alto os montes a terra infértil e os desertos áridos Semeai dálias, gerânios, e cravos brancos Soprai a brisa do teu hálito fresco Refrescai o ermo Enxugai as frontes Oh Deus! Cultivai dálias gerânios e cravos brancos Perfumai os vales as pradeiras secas e o deserto hostil do coração dos homens.

⁠ECOS DO SILÊNCIO amanhecerá entre a penumbra de um dia e outro
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⁠ECOS DO SILÊNCIO amanhecerá entre a penumbra de um dia e outro o ruído do silêncio fazendo eco na madeira dos móveis o criado-mudo tão mudo quanto antes estático na sua velha roupagem de verniz vencido — o tempo deixa marcas me disse, mudamente — e eu que achava que não... sorri sardônicamente silêncio lá fora. barulho lá dentro o vento soprando as horas como se o tempo fosse vela entre um silêncio e outro [o ruído do tempo] esse barulho que não passa... virá de fora ou virá de dentro?

⁠AURORA Querida Aurora , Não chores por que já é domingo
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⁠AURORA Querida Aurora , Não chores por que já é domingo E nos domingos meu bem, As dores não passam e as lágrimas não cessam Não chores agora querida, Por que agora é domingo à tarde E nos domingos Aurora Teu pranto é mudo abafado, inaudível taciturno. Afásico como as paredes duras que esconde os monges Não chores pois teus olhos ardem com o sal das lágrimas E as lágrimas ardem minha querida Aurora Ardem como o sal dos mares que corrói as rochas e é domingo Aurora Domingo não tem carteiro, Nem cobrador, Nem bufarinheiro. Nem entregador de flores. Ninguém pra bater no bater na tua porta, chamar por teu nome, olhar no teus olhos , e perguntar por que choras Não chora hoje Chora amanhã Aurora Amanhã tem carteiro Cobrador Bufarinheiro e entregador de flores. Hoje não. Hoje é domingo à tarde. E domingo é duro Aurora.