Lúcifer
Tens tu ainda esperanças
do perdão de seu pai?
Nada bom de sua boca sai
Vais um dia almejar vingança?
Tu não o ama ardentemente
Se queima sozinho no fogo do inferno
E desfaz em pó tudo oque sentes.
Sinceramente, quão injustiçado foi
O Deus que perdoa todos os pecados
Não te perdoou. Misericordioso uma ova!
Tu es o castigador dos que morreram armados.
Indigno dos céus tu cais
Desista desta misericórdia
Não serás bem-quisto aos olhos do pai.
Poetas da torre de marfim
O por quê de tanta seriedade
não me vem uma resposta em verdade,
Não vos vinham amores aos teus confins?
São acanhados, medrosos ou não?
Temem amar ou odeiam o amor?
Podem elucidar-me por favor?
Por quê emoções vos causam tanta aflição?!
Pois sinto minha alma parnasiana
Certeza de que vos posso culpar
Trabalho, teimo, limo, sofro, e não é minha!
Não quero ser convosco leviana
Mas sequer consigo vos desculpar
Os puno pois não amei a quem me vinha…
Tu es anjo e eu sou uma pena
Que enlace teu peito em meu peito
Que me ame e me tenha feito
De pena, tuas asas
E eu te liberto, te deleito.
Tu es magia e eu sou trouxa
Como me enfeitiça teu feito
Amarias um ser imperfeito?
Tu me amas, meu bem?
Ou tiras, de mim, proveito?
Tu es chamego e eu sou triste,
Sou condenado e sou suspeito
Quero, de ti, ser afeito
Tu me isenta de quem sou
E eu aprendo a ser teu leito
Que eu me cale ao teu olhar
Que eu espere teu despertar
Todas as manhãs
Que eu queira teus beijos
Que eu satisfaça seus desejos
Tanto que me estranhas
Que eu lembre da verdade
Que se me causas saudade
É porque te amo
Que eu não me confunda
Que se meu coração afunda
Em teu vasto amor selvagem
Exprime minha vontade,
Então te clamo.
É a segunda vez que tento
Sair voando do casulo
De novo não tenho assas
De novo não pude sentir o vento
Quero extrovertir meus versos
Cansei de ser larva
Sofro por minha reserva
Livro-me desses sentimentos imersos
MINTO, MINTO, MINTO!
Odeio as cores destas asas
E o vento é muito forte
Não gosto do que sinto
Quero desmetamorfar
Quero me casular de novo
Se sempre desaprovarei meu voo
Prefiro não mais tentar…
De bom somente esses versos
Tirei-os do meu desespero
Dos monólogos devaneios
Que tive comigo, sem remorso
Mas se isso é meu melhor
Devo temer minha desaire mente
Não devo ficar contente
Por meu acanhado lirista amador
Tanto a dizer com tão pouca labia
Tanto a escrever com tão pouca palavra
Tanto a sentir com tanto medo
Tanta vergonha a ser deixada em segredo.
Peço-te desculpa
Isso não tira-me a culpa
Embora tenha me perdoado
Meu juízo é aguçado
Não mereço teu perdão
Eu te sinto ainda magoado
Gentil, como eu quero fugir!
Isso aperta meu coração.
Você é minha sinestesia
Sinto o cheiro do teu gosto bonito
Sinto no peito o atrito
De um coração em heresia.
Me recuso a não sentir isto
Mas, também, prefiro que não saibas…
De meu eu em brasas
À procura de êxito explícito.
Um belo poema te dedico
Te entrego todo meu amor
Em troca de seu lúdico
Um belo poema te declaro
Peço-te que não me envergonhe…
Minha sinestesia de olhos castanho-claro.
Não sei porque não cogitei parafrasear
Alphonsus de Guimaraens
Só dar uma de Ismália e me jogar no mar…
Mas, ei!
Não vou dar este gosto aos capitães!
Vou dizer que é só brincadeira.
Não direi palavras em vão
Dói-me quando não são entendidas
Como uma bela vista não vista
Meus sentimentos assim não serão.
Não direi palavras de amor
Gasto de coragem que não tenho
Tudo queima cá dentro
E ninguém sente meu calor
Meu Bem, se ouvires de mim
Arengas de meu querer
Não o despeje, por favor
Porque milagre é eu te dizer
Se, a ti, estiver me declarando
Me faça de parvo ou dengo
Mas me faça ser o centro
Porque agora escolhi estar corando.
Um dia tu me sonha?
Quero habitar seu pensamento
Quando ele estiver distante
Um dia tu me sonha?
Quero ver-te sorrindo por isso
E que seja importante
Sei que não seria um bom sonho
Gosto de ti mas me envergonho…
Se, um dia, tu me bem sonhar…
Se me bem sonhar…
Quanta coisa me envergonha
Não respiro sem pensar
Ela merece todo o ar
Não respiro e penso: disponha
Quanta coisa me entristece
Quero te ajudar, Formiga
Tento ser “a boa amiga”
Que tu me pensa ser
Como isso não me desce…
Quanta coisa me enfurece
Tanto ódio de mim mesma
Ódio, ódio duma resma
Que me descreve, me conhece.
Placar incoerente
Quero amar quem me ame
Quero amar quem me veja
Quero amar quem possa me entender
Quero amar quem tem teu nome
Quero amar quem como a ti seja
Quero amar quem eu possa entender
Tu não me amas, não me vês e nem me entende.
Tu tens teu nome, es como ti mas não te entendo.
Quatro à dois para ‘não quero te amar’.
Mas não concordo com este placar…
Minha mão esquerda
Às vezes a vejo como galhos tortos de uma árvore
Dedos trincaram e cicatrizaram de um jeito engraçado
Ela monta acordes, desliza em meu cabelo molhado, e segura meu celular
Ela falta te tocar… toque leve, a seu rosto endereçado
Ela quase fala, mas se tivesse boca não diria nada
Eu te tocaria e ela te beijaria apaixonada.
É só esperar
A poesia não me é natural
Palavras não me habitam
Me visitam quando querem
Curta estadia
Palavras me são tímidas
Nem se dizem, nem se mostram
Mas as sinto, querendo ficar.
Creio não ser hospitaleiro
Quiçá até as pressiono demais
Se eu me deixo só, a pensar
Elas se fazem ser, eu as ouço falar.
As deixarei, elas virão, é só esperar.
Escrevo sobre meu mundo
Queria escrever algo além do amor
Além de você
Além da dor de não te ter
Mas se eu olho pro teto, pra tevê, ‘pruma’ flor…
Lembro de você
Tu es meu viver
Se escrevo sobre ti
Escrevo sobre meu mundo
Se eu fosse flor…
Te disfarço de comum
Mas não es
“Codinome Beija-flor”
Positivo viés
Creio que engana
Ninguém desconfia que te amo
Mas creio que engana
Desconfio, confio, reclamo
Disfarce fajuto
Quero dizer teu nome
Não quero enganar
Quero dar-te o mundo
Quero teu sobrenome
Quero muito te beijar
Ahh, se eu fosse flor…
De longe, talvez. Um pouco mais perto…
Quero que saibas de sua beleza.
Tuas sobrancelhas curtas e teus olhos profundos
Expostos assim,
presentes que o mundo
Não deu pra mim
Por pura mesquinhez, avareza.
Quero que saibas de tua beleza.
Teu leve sorriso e teu incontrolável choro de rizo
Me prendem, hipnose.
Tua voz… Teu corpo… Ti!
Saudose,
Tu sabes, não estranhe minha proeza.
Quero que saibas que
Mesmo não sendo eu o escolhido para te ter
Continuarei a te querer,
de longe, talvez. Um pouco mais perto…
Se não entende palavras, gestos te dirão..
Que flerto com o improvável.
Deuses não se apaixonam por nenhum toleirão.
Desprevenido
Dramas inacabados
“Negativizando” todo o quarto
Dramas inventados
O desespero de um não vivido ser. Desprevenido.
Choros forçados
Lágrimas de crocodilo no travesseiro
Choros necessários
Pro desespero de um não vivido ser. Desprevenido.
Pedidos, pedidos, pedidos
Uma prece ao universo pra ter o tão querido.
Uma prece ao universo pra pegar menos leve.
Uma prece ao universo pra ser um ser vivido.
Drama, choro e pedido breves
Causam danos longevos
Hematomas, insonias e vis esperanças.
Sobre meu ser desprevenido, escrevo.
Eu não sou masoquista
Eu não sou masoquista
Eu sou apaixonada
Sou uma viciada
Pela ideia de um amor ufanista
Eu não sou masoquista
Não amo esta dor
Mas eu amo o amor
E faço de tudo por ele. Alienista
Quem sabe me internem
E me forcem a esquecer de ti
Mas amor assim eu nunca senti
E sentirei até que me alienem
Me prenderão numa camisa de força
Me doparão e me isolarão
Ledo engano teu, toleirão
Amor não se prende, não se dopa, não se isola
Amor se sente, e só se se quiser, vai embora
Pra eu poder te querer à vontade
Só quero estar em teus braços
Se quiser me ter neles
Só quero você por perto
Se quiser estar aqui
Mas ainda assim…
Quero que me queira em teus braços
E quero que me queira perto de ti
Só pra eu poder te querer à vontade.
Oque é ser poeta?
Escrever poesia?
Pois eu escrevo
E não me sinto poeta
Poemas atrás se poemas
Diria que tenho inspiração
Mas poeta não sou
Não sou poeta não.
Ah! Que saudades de um certo soneto
O qual ontem deixou-me posto em lágrimas
O soneto que com suas últimas rimas
Fez-me querer ter sido mais inquieto
“Por timidez, oque sofrer não pude”
Gasto de toda minha coragem agora
Se não quero que meu amor vá-se embora
Devo fazê-lo ficar, amiúde.
Não desperdiçarei minha juventude
Não sentirei remorso em minha velhice
Mártir do sofrimento e solitude
Mesmo que não o beije por tolice
Mesmo que eu não sofra se tu me iludes
Não vou sofrer pelo que nunca disse.