Lua de papel
Em olhos marejados a lua é uma rosa branca imensa no céu
Rosa branca que acalma e conforta os perdidos na noite
Seu clarão afasta as sombras, seu formato, origami de papel
Ilude as lágrimas que vão embora.
Uma mentira, uma verdade e um talvez…
“Nada poderá nos separar”
Que Mentira!
O NADA poderá nos separar
Vazio será meu lar
E é verdade!
O VAZIO será meu lar
Partir disso me fará chorar
Talvez…
O PARTIR disso me fará chorar
Não se vá se pretende um dia voltar
Pandemônio Emocional
Covardia invejosa
Medo incessante
Felicidade ambiciosa
Coragem distante
Há muita coisa em mim!
Filo fobia insistente
Sei amar alguém
Não sei amar muita gente…
Sinto meu peito muito cheio
Não me sinto consciente.
Amor
Amor é maldição
Fúria e sutileza
Não o cobiço e não o cobiçarei
Embora vil seja minha convicção…
Pudor ao teu notar-me
Esquivo dessa desgraça
Amor é adereço
E não quero isso em mãos!
Minha maldição
Dois de cada coisa
Dois amores não correspondidos
Dois anos de sofrimento
Dois melhores amigos perdidos
Aposto que mais dois anos remoendo
Já morei em duas casas e um apartamento
Será que mudarei por causa desta maldição?
Dois minutos de paz neste momento
Enquanto escrevo uma poesia que nunca virará canção.
Duas horas chorando
Dois dias segurando o choro
Duas ideias ruins, eu fico pensando
Se vivo de dores ou se morro.
Seja o clichê que for
“Eu sei que vou te amar
Por toda minha vida eu vou te amar”
Você só não saberás disso
É que quem sabe um dia tu digas
“E por falar em saudade
Onde anda você?”
Estarei aqui, a ti submisso
Pois eu não digo que
“Eu não sei parar de te olhar”
Mas quero que saibas que
“Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim até o apagar da velha chama”
Se assim também quiseres
Mas se for demais
“Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo se você quiser”
Eu só te quero por perto
Além de todos esses dizeres
Posso até pensar
“Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola me mim?”
Pois sinto tanto sua ausência
Mas “Dengo, se tu não quiser ficar
Te canto todos os dias
Todas as alegrias que não vamos compartilhar”
Pois não tenho tanta prepotência.
Ao final de tudo isso, reforso
“E cada verso meu será pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida”
Sinto vergonha mas não sinto remorso.
Nosso amor é um passeio a Tijuca
“Fica para outro domingo”
Sou o repugnante Rubião de tua Sofia
Espero não morrer sozinho…
Sinto frio e me arrepia a nuca
Goste ou não de mim eu te gosto
Maldito realismo brasileiro
Me mates, mas não mates meu cachorro
Falta de nexo, culpo minha loucura
Muita generosidade, pouca noção
Rimas são superestimadas
Não preciso de nada disso
Mas, de novo, se sou este louco
e contraditório por odiar te amar
Não vejo problema em rimar
Na última estrofe, ao menos um pouco.
Tu tens de saber
Se eu nunca disser “eu te amo”
Ainda saberás disso?
Pois deixo muito claro
E nunca deixarei omisso
Só deixarei de dizer…
Mas se um olhar diz mais
Se um gesto diz mais
Ahh, tu tens de saber!
Até cantaria versos de amor
Se escutasse-me…
E se eu pudesse
Dizer-te ‘segredos de liquidificador’
Mas tens por mim amor de amigo
E dói tanto meu coração
Querer-te de montão
E não ter-te comigo…
Matando flores à toa
Todas as flores que arranquei
Disseram-me que tu me queres bem
Mas e se as flores mentem?
Se a semente mente
E se a muda não fala
Como terei certeza?
Devo confiar na natureza?
Quanto tu pareces não me querer tão bem?
Estou matando flores à toa…
Adriano e Antínoo
Se eu morresse
Me farias um deus?
Como Adriano fez de Antínoo?
Se eu morresse
Darias meu nome a uma cidade?
Como Adriano fez para Antínoo?
Creio que não
Não quiseres ser meu amado…
Como Adriano era de Antínoo.
E eu não sou teu amante
Tua perdição de 19 anos
Como Adriano via Antínoo.
Pupila
O buraco negro do teu olho
Bem que poderia dilatar…
Se já pequeno me atrai
Maior, ah… Maior me sugaria!
Fique do tamanho do meu
Dilate ao me olhar
“Preu” saber que também me queres
Só de olhar pra tua pupila
Coração de Plutão
Te orbito em nona posição
Sou menor ainda que Plutão
Que deixou de ser planeta
Eu nem cheguei a ser…
Ainda consigo sentir teu calor
Mas sinto menos que o rancor
De não ser planeta
Quem não me deixou ser??
Mercúrio es teu amor
Tua paixão, teu querer
E eu sou teu Plutão
Muito, muito longe de você…
Olhos falam mas não escutam
Olhos falam mas não escutam
Se escutassem tu saberias
Que grito ‘te amo’ ao te encarar
Tu me olhas e desvias o olhar
Olhos falam mas não escutam
Talvez deduzam pelo prolongar
E por isso desvias-me o olhar
Tu não me amas de volta…
Olhos falam mas não escutam
Ao menos os teus não querem me escutar…
Guardei
Declarei-te o poema que, a ti, fiz
Pois queria guardar-te para mim
Pois Cícero, aquele infeliz
Fez-me querer-te pertinho assim.
Agora certe estás de que te amo
Oh, céus! Como isso me apavora!
Sabe que, por anos, te aclamo
Como temo perder-te de vista
Como temo ter-te à minha vista
Como temo amar-te agora…
Bom, mas não o melhor…
Sei que não é sua função me agradar
Mas, porque não me escolheu?
Ele não te ama mais do que eu
Não queria estar em segundo lugar…
Quiça eu devesse esquecer disso
Não é bom pra ninguém
E, pensando bem
Já temos um bom compromisso…
Bom, mas não o melhor…
Não irei para o litoral…
Se olhássemos na mesma direção…
Eu não encararia tanto oque há dentro de mim
Não te procuraria em memórias passadas
A não ser que estivesses segurando minha mão
Mas tu não estás aqui comigo
Então continuo a caçar vestígios de ti
Pois não quero esquecer oque vivi contigo
Não irei para o litoral.
Me apoio em Renato Russo de outrora
Pois quero ser feliz, ao menos
Mas como serei sem ti, meu bem?
Não quero que o vento leve tudo embora!
Não irei para o litoral…
Ledo engano
Ledo engano meu
Ao passado que me trouxe a tona
Nunca verdadeiro teu sentir
Funesto furor sinto de ti
Ledo engano meu
Pensar que te comovas
Ao ver-me louca de amor
Um pingo de compaixão seria um favor
Visto que ao meu perceber
Nunca de mim nada quis saber
Tu serias vazio de querer?
Tanto me quis que enjoou
Loucura dizer-te que te amo?
Ledo engano meu
Ledo engano
Não duvide do amor que tenho…
Sinto falta da falta de roteiro
Da espontaneidade
Da nossa amizade
De conhecer-te por inteiro
Meu Luz no fim do túnel
Meu amigo e companheiro
O melhor e maior poeteiro
Por quê quiseste dar-me um anel?
Não precisamos de altar
Tu e todos sabem que te amo
Continue a se mostrar
Quero conhecer todos os teus ramos.
Iremos nos casar
Se um dia eu te quiser preso à mim
Ainda quero ver-te livre, assim
Só não voe para longe do meu olhar…
Se has de ler minha poesia
Não quero te assustar
Se has de ler minha poesia
Queira ser compreensivo
Pense na vergonha que me irás causar
Se uma pausa for necessária
Para que percebas que es minha sinestesia
Que es alvo desse amor atrevido
Darei-te calma temporária
Mas saibas, meu amor
Que não posso parar por muito tempo
Eu preciso desse sentimento
Eu preciso te amar, beija-flor…
E se nós nos reconhecêssemos?
E se nós nos reconhecêssemos?
Eu não paro de sonhar com isso
Uma volta no parque, um esbarro no corredor.
E se falássemos de como amadurecemos?
Falássemos doque deixamos omisso
Aposto que seria esclarecedor
Tu fostes meu melhor amigo
E meu primeiro amor
Sei que não es mais o mesmo
Quero esquecer-te, mas não consigo.
Quarto imaculado
Posso eu dormir no mesmo quarto em que um dia esteve?
Posso eu chorar de dores neste chão em que sentaste?
Me parece tão errado
Ou em meu quarto não deverias tu ter entrado
Ou deveria eu tê-lo mantido imaculado.
Sem descarados desejos e impulsos.
Que eu os releve…
Pois ainda quero-te aqui.
Primeiro amor
Eu tremia ao ouvir teu nome
Eu fugia ao te ver
Eu fiquei sozinha na escada
Não podia ficar perto de você
Agora eu sou um nada
Eu sou ninguém, ninguém me vê.
Sou a espingarda na mesa
O olho na porta, o costumeiro medo.
Ninguém entra, todos saem.
Ainda tremo, fujo e me isolo
Nem em te odiar eu me consolo
Pois volto a sentir tua falta logo cedo.